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Entrevista.com, 04.11.2021 às 10:26
“Sentimos muito a falta dos nossos ensaios presenciais (...) somos muito de calor humano...”
Fundada em 2013, a Literatuna foi a terceira tuna mista da Universidade do Minho (UMinho), que tem na sua constituição não só estudantes da Escola de Letras, Artes e Ciências Humanas (ELACH), mas é feita de alunos e alumni das mais diversas áreas, num total de mais de 50 elementos.

O UMdicas esteve à conversa com a direção do grupo para saber mais sobre esta Tuna, sobre a sua origem, sobre o seu trajeto, sobre os seus projetos e sobre o seu futuro. 

1- A Literatuna é um grupo cultural da Universidade do Minho relativamente novo. Como surgiu a ideia da sua criação?

Fazia todo o sentido para os nossos fundadores, numa Universidade tão vasta como a UMinho ter uma tuna de letras, ainda por cima ligada à Escola que tem cursos como música e, agora, teatro. A UMinho tem também uma enorme atividade cultural e, acreditamos que, por isso, este foi também um projeto que a ELACH apoiou e abraçou desde o início.

2- De que é feito este grupo e como se caracterizam?

Este grupo é feito de alunos e alumni das mais diversas áreas e é reflexo disso mesmo, um grupo muito genuíno e com muita vontade de se juntar, seja para umas guitarradas ou para uns copos de verde (e do que mais houver).

3- Fundada em 2013, comemoraram em dezembro 8 anos de existência. Como descrevem o vosso trajeto?

Consideramos que o nosso trajeto tem sido bastante consistente. Felizmente, temos sempre novos elementos a chegar e sentimos que a Tuna cresce e rejuvenesce com cada uma dessas chegadas. Sentimos uma certa estagnação, tal como os restantes grupos, com a pandemia, mas conseguimos manter a frequência de ensaios e atividades, com muito recurso, claro, ao online. Agora estamos focados em continuar a crescer em quantidade e qualidade.

4- Por quantos elementos é constituído o grupo atualmente? É aberto apenas a estudantes da ELACH?

Neste momento a tuna conta com mais de 30 elementos ativos, sendo que no total somos mais de 50 elementos. Tal como referimos anteriormente, a tuna é aberta a qualquer estudante, antigo estudante, professor ou funcionário da UMinho. Tuna de Letras que somos, acolhemos qualquer um que se reveja em nós, por isso temos elementos de vários cursos, desde as Engenharias até ao Direito.

5- Para os interessados em fazer parte do grupo cultural, o que têm a dizer?

Que os ensaios são às terças e quintas às 20h30 no auditório da ELACH, é só aparecer mais ou menos à hora e ficar connosco para o ensaio - e se for valente para o pós-ensaio. Também nos podem enviar mensagem nas redes sociais, mas em suma, é só mesmo aparecer. À porta só te vão perguntar se gostas de Chagas Freitas, e só há uma resposta correta.

6- Foram a terceira tuna mista da UMinho. Em que se destaca e diferencia a Literatuna dos outros grupos culturais?

Gostamos de acreditar que não estamos limitados à designação de Tuna Mista e que fazemos o nosso percurso e deixamos a nossa marca não só dentro da Universidade, mas no restante panorama tunante que nos rodeia. Queremos ser conhecidos pelo nosso amor à música e à poesia, e pelo nosso conceito sui generis de javardar.

7- Como caracterizam a vossa música e o que trazem de novo ao panorama musical e cultural da Universidade?

Indo um bocado pelo que dissemos na resposta anterior… Nos ensaios é um “Deus nos acuda”, mas gostamos de acreditar que o que escrevemos é que conta por isso fica a resposta oficial: “Sabemos aliar o popular e tradicional ao erudito e inovador através do contar de histórias.”

8- O grupo continua a ser atrativo? Como é feita a sua dinamização?

A Literatuna não é uma Miss Portugal, mas mais um vinho do Porto que com o passar dos anos fica mais arredondado, e, portanto, mais intenso e saboroso. Quanto à dinamização, temos os nossos ensaios, os nossos convívios no fim dos mesmos e as esporádicas visitas de estudo ao Chibarias. Para efeitos científicos, como é natural. Além disso, organizamos anualmente e em conjunto com a iPUM, o arraial BEB’UM.

9- No vosso percurso, quais os momentos e participações que destacam?

Não podemos deixar de recordar a marcante 1.ª atuação no Mercadinho de Natal e recordamos também com muitas, muitas saudades o 1.º festival para o qual fomos convidados, em Avintes. Nesse seguimento, lembramos também o último festival em que participamos antes da pandemia, numa épica epopeia à Madeira. Há ainda muitas outras histórias e momentos, mas esses só podem ser lidos após a meia-noite. Se estiverdes interessados já sabeis quando são os ensaios.

10- Quais os projetos do grupo mais importantes a curto/médio prazo?

Retomar o ritmo normal de atuações, continuar a introduzir novo reportório e a melhorar o existente. Após uma fase de estabilização, estamos a tentar ser mais ambiciosos na transmissão da nossa identidade, através do repertório e não só - estamos também no processo de elaboração daquilo que esperamos que venha a ser a nossa marca na cidade de Braga e mais além, o nosso próprio festival.

11- Qual é maior sonho da Literatuna?

Que a tuna se mantenha ativa sempre, com chegada de novos elementos e por muitos anos, porque acreditamos que temos ainda uma palavra a dizer que mais ninguém diz. Acreditamos que o sonho de todos os grupos que se fundam nestes moldes é que sejam sempre maiores do que quem os fundou. Que sejam um eco de todos os que por eles passam, mas que perdurem em torno do ideal pelo qual nasceram, acima de tudo. E que os caloiros aprendam a transportar os instrumentos como deve ser.

12- 2020 foi um ano difícil e 2021 continua a ser. Como estão a viver este período atípico? Do que mais sentem saudades?

Sentimos muito a falta dos nossos ensaios presenciais, tentamos conviver ao máximo e manter a regularidade dos mesmos, mas somos muito de calor humano e ressentimos bastante o afastamento físico. Estamos, por isso, muito contentes com o regresso dos ensaios presenciais.

13- Que iniciativas têm sido levadas a cabo pela Literatuna no sentido de, nestes tempos que vos impediram de estar próximos dos vossos públicos, fazerem-se presentes?

Tentamos sempre participar em todas as iniciativas que surgiram e para as quais éramos convidados, tanto da Universidade como de outros Grupos Culturais e, claro, estamos sempre presentes nas nossas redes sociais, saudosos de tudo e mais alguma coisa. Acima de tudo, foi um tempo também de reflexão e de preparação para o momento pelo qual ansiávamos e que, entretanto, chegou.

14- Como veem o panorama dos grupos culturais universitários em Portugal e a nível internacional?

Os grupos mantêm-se ativos, tanto os nacionais como os internacionais, e mesmo os que estiveram com falta de elementos conseguiram reinventar-se e ressurgir. Haverá coisas diferentes, porque ninguém passa por uma pandemia de ano e meio sem mudar algumas coisas, mas, pelo que percebemos, estamos todos em sintonia: trabalhando no retorno à normalidade, pelo menos naquilo que às Tunas é identitário: música e convívio. O resto o tempo dirá.

15- Como analisam o contexto dos grupos culturais na vida da Universidade e de um universitário?

Os grupos culturais são fulcrais numa Universidade, são a expressão artística dos alunos, e são a essência que sai de portas e que passa para o resto do país e do mundo. Na vida de um universitário, pensamos que a passagem por um grupo cultural é nada menos que transformadora, porque as vivências boémias que os grupos culturais permitem, para além de riquíssimas, promovem uma construção da nossa identidade - um “renascer sem estarmos nus”, se nos quisermos parafrasear. Além disso, onde mais iam comer chouriça assada com bagaço às 5h da manhã?

16- Uma mensagem à comunidade académica?

Duas. Primeiro, os shots do Rock já não são iguais e isso é uma perda cultural imensa para a UMinho. Segundo, Chagas Freitas continua a ser o ponto baixo do mercado livreiro Português. Se só discordas porque achas que devíamos ter dito Noite Luar ou Minh’alma, então és dos nossos. Aparece a um ensaio.

Fonte: SASUM

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