FITU_2019
Entrevista.com, 03.08.2021 às 14:28
“... ter novamente um grande público a aplaudir foi memorável”
A Tuna Universitária do Minho (TUM) é a tuna mais antiga da nossa academia. Conhecidos como os “Vermelhinhos”, atuaram “oficialmente” pela primeira vez no Enterro da Gata, em 1990.

Com um vasto leque de tradições e vivências que vão mantendo acesas com o passar dos anos, têm uma forte ligação aos eventos académicos. Considerando-se “sortudos” pela oportunidade de correr o mundo junto dos amigos, a tocar e a cantar, têm na “amizade” entre todos, uma das suas maiores forças.

O UMdicas esteve à conversa com a direção do grupo, para saber mais sobre esta Tuna, sobre o seu “ser”, sobre os seus sonhos e projetos para o futuro.

A TUM é feita de jovens estudantes e ex-estudantes da Universidade do Minho (UMinho) com muita vontade de se juntarem e fazerem música.

Comemoraram a 10 de maio, 31 anos de existência. Como descrevem o vosso trajeto?

Sem dúvida que iniciar um “projeto” como o de montar a primeira tuna da UMinho não foi fácil, foi preciso muito esforço e dedicação dos 26 estudantes que fundaram o que hoje é a TUM. A comunidade académica desempenhou um papel muito importante para o crescimento da tuna, porque sempre fomos muito bem recebidos. Ao longo dos anos foi essencial a passagem de pasta para os novos tunos que se iam “formando”. Com músicas originais, instrumentais e várias adaptações fomos ganhando o reconhecimento que temos no mundo tunae neste momento. Foram muitas atuações, festivais, festas académicas. E ainda aqui estamos, com a mesma motivação, alegria e empenho de sempre! 

Em que se destaca e diferencia a TUM dos outros grupos culturais?

Todos os grupos culturais têm as suas particularidades, mas pensamos que as pessoas reconhecem a TUM pela sua jovialidade e pela festa que trazemos a cada sítio que vamos. A clássica serenata “Tunalmente Molhado” e a “Boémia” são músicas conhecidas pela maior parte dos estudantes da UMinho. E são inúmeras as vezes em que começamos um convívio com quatro pessoas e uma guitarra e, quando damos por ela, temos um grupo enorme à volta a cantar connosco. Acreditamos que é um ótimo complemento à vida de aluno universitário, sempre de volta dos estudos. A TUM consegue proporcionar experiências únicas durante o percurso académico de uma pessoa. Ajuda-nos a crescer, é quase como uma escola. 

Como caracterizam a vossa música e o que trazem de novo ao panorama musical e cultural da Universidade?

Gostamos de dizer que a nossa música não tem um estilo. Entre a música popular, o folclore, a música balcânica, o samba e os tangos, por exemplo, são várias as fontes de inspiração para aquilo que tocamos. Isto deriva muito das nossas digressões por todo o mundo, de onde trazemos sempre algo que incorporamos na nossa sonoridade. Pensamos que esta pluralidade de sons traz algo que nos distingue dos restantes grupos da UMinho. 

Por quantos elementos é constituído o grupo atualmente? Continua a ser atrativo? Como é feita a sua dinamização?

Na TUM, uma vez tuno, para sempre tuno. Desta forma, atualmente somos 150 tunos! Normalmente, a época onde temos mais alunos a entrar é na fase do acolhimento da UMinho, uma vez que os grupos culturais costumam ser bastante chamativos aos recém-universitários, que procuram novas experiências nesta nova fase das suas vidas.

Além disso, o que realmente atrai os estudantes a juntarem-se a nós, são as nossas atuações em contexto académico e os convívios que fazemos nos bares. 

No vosso percurso, quais os momentos e participações que destacam?

Com tantas atividades especiais em que nós participamos anualmente é bastante difícil escolher. No entanto, destacamos três atividades que marcaram a nossa fundação: a nossa antestreia, no dia 2 de maio de 1990, no Pub John Lennon, num espetáculo para um público só com convidados; a estreia oficial, que ocorreu a 10 de maio de 1990 nas festas do Enterro da Gata; e a nossa primeira digressão, também em 1990, onde passamos pela França, Alemanha, Dinamarca, Suécia, Finlândia, Rússia, Letónia, Lituânia, Polónia e República Checa. Um momento também importantíssimo para nós, todos os anos, é a realização de mais uma edição do FITU Bracara Avgvsta, o ponto alto do nosso ano tuneril. Mas destacamos também as várias digressões que realizamos nos últimos 31 anos, e que nos permitiram conhecer novas culturas assim como difundir a nossa música e tradições. Viagens a países como Porto Rico, Peru, Brasil, Cuba, Suíça, Holanda, Luxemburgo e Chile ficar-nos-ão sempre na memória, e várias histórias e peripécias são constantemente contadas e relembradas entre as várias gerações de tunos. 

Quais os projetos do grupo, mais importantes, a curto/médio prazo?

De momento, estamos a organizar a 30.ª edição do nosso festival, o FITU Bracara Avgvsta, que tivemos, infelizmente, que adiar no ano transato, quebrando assim as nossas 29 edições ininterruptas. Porém, pensamos que este ano poderemos finalmente devolver à cidade de Braga tudo o que ela nos dá, tal como fizemos nos anos anteriores! O FITU é já um marco da agenda cultural da cidade. Relativamente a outros projetos, temos algo fantástico a ser “cozinhado”, mas que ainda não pode ser divulgado... 

Qual é o maior sonho da TUM?

O nosso maior sonho passa pelo cumprimento constante do nosso principal objetivo: cantar e encantar as belas discípulas de Vénus, bem como difundir a alegria e jovialidade através da música no seio da comunidade académica. No entanto, numa era em que tudo é digital e tudo é disponibilizado no momento seguinte, poupando esforço (físico ou mental), é um desafio sustentar um grupo que vive não só do convívio físico e das relações, mas também do empenho e trabalho diário. Mas estamos confiantes que nós próprios também nos saberemos adaptar ao longo do tempo, e esperamos que o grupo e a sua renovação constante se perpetuem por muitos anos. 

Como veem o panorama dos grupos culturais universitários em Portugal e a nível internacional?

Os grupos culturais, fora a pandemia, estão a viver um período de enorme crescimento! Há cada vez mais iniciativas, o que demonstra uma enorme vontade dos estudantes em fazerem algo além dos estudos que contribua para o seu desenvolvimento pessoal e, claro, cultural. Desde tunas, a grupos de música popular, grupos de fado, percussão e coros, por exemplo, todas as instituições de ensino superior têm pelo menos um destes, atrevemo-nos a dizer. Isto é muito bom para nós, porque permite um maior ambiente de partilha de experiências entre todos. 

Como analisam o contexto dos grupos culturais na vida da Universidade e de um universitário?

Os grupos culturais são, atualmente, o grande motor cultural da UMinho. A diversidade em termos de estilo, propósitos e eventos organizados não tem ímpar em termos de promoção cultural, quer na UMinho, quer em toda a região. Além disso, o impacto sociocultural dos grupos vai para além das festas e dos convívios. A verdade é que estes são cruciais para a promoção e difusão, não só da música e tradições populares, mas também no próprio ensino e preservação de instrumentos, principalmente os tradicionais. Não temos dúvidas que a “sobrevivência” de instrumentos como a viola braguesa e do cavaquinho, se deve também à atividade dos nossos grupos culturais. Os grupos e associações culturais são também fundamentais para o desenvolvimento dos estudantes. Permitem estabelecer uma rede de contactos enorme, quer com outros alunos, quer com variadíssimas entidades. Num dia estamos à conversa com o Reitor da UMinho num evento académico, e no dia seguinte temos uma reunião na Câmara Municipal ou temos de apresentar um projeto a uma grande marca nacional para apoiar um evento. Trazem novos desafios que nos permitem crescer a nível pessoal, mas também a nível profissional! Aprende-se a viver em associativismo, a lidar com gente com diferentes opiniões, a organizar eventos e a superar barreiras e dificuldades, muitas vezes pessoais. Exigem e desenvolvem um grande sentido de responsabilidade e organização. Por outro lado, ganha-se uma família para a vida, as festas são incríveis e a diversão é ilimitada! 

2020 foi um ano difícil e 2021 continua a ser, pelo menos no curto/médio prazo. Como estão a viver este período atípico? Do que mais sentem saudades?

De facto, a pandemia trouxe muitas alterações ao nosso modo de vida. No que toca à tuna, deixamos de estar tanto tempo juntos e os ensaios foram muito escassos… Claro que foi para o bem comum, mas foi triste para todos nós. Tivemos que nos reinventar. Criámos um canal de Discord, uma plataforma de comunicação online, aberta a toda a gente, onde podíamos conversar, jogar e conviver do modo que nos era possível. Com esse canal, pudemos até conversar com os nossos amigos tunos que se encontram emigrados e com quem não falávamos há muito tempo, pelo que nem tudo foi mau! Os vídeos que fizemos, dada a impossibilidade de estarmos juntos, fizemo-los em nossas casas, cada um gravando o seu, e, posteriormente, juntamos tudo e editamos para criarmos uma experiência audiovisual diferente daquela a que estávamos habituados, como por exemplo a nossa interpretação da “Grândola Vila Morena” no dia 25 de abril, transmitida em noticiário nacional. Agora como a situação está mais estável, estamos a voltar, aos poucos, a conviver, a estar juntos, a tocar e a cantar. As saudades já eram muitas! 

Organizam, anualmente, o FITU Bracara Avgvsta - Festival Internacional de Tunas Universitárias. Como foi não o conseguir fazer, do mesmo modo, este ano. Como assinalaram o evento?

Foi muito complicado para nós aceitarmos que teríamos que quebrar a nossa “cadeia” ininterrupta de edições. Pensamos em fazer um evento virtual ou outro que substituísse o nosso FITU, mas achamos que ficaria sempre aquém daquilo a que estávamos acostumados a apresentar, pelo que decidimos que o melhor seria adiar para este ano de 2021 aquela que será a 30.ª edição do festival! Porém, como não queríamos deixar em branco o ano de 2020, fizemos um vídeo a celebrar os nossos 30 anos e transmitimos “em direto” a edição anterior (29.ª) do FITU Bracara Avgvsta. 

Terminaram recentemente a digressão pelo Sul de Espanha, decorrida entre os dias 3 e 12 de julho. Como correu e como foi vivida, tendo em conta o período de pandemia que atravessamos?

Foi uma experiência extremamente positiva que nos permitiu voltar a sentir um “cheirinho” daquilo que era a vida em tuna antes da pandemia. Claro que tivemos todos os cuidados necessários, com testes à COVID-19 antes de partirmos, durante a digressão e no regresso, além das máscaras e do desinfetante. Tivemos a oportunidade de revisitar algumas cidades por onde já andamos no passado, e onde fomos novamente muito bem acolhidos. Também participamos novamente num festival de tunas, o primeiro desde o início da pandemia, em Múrcia. Voltar aos palcos, partilhar a nossa cultura e a nossa alegria e ter novamente um grande público a aplaudir foi memorável. Pudemos também conhecer e conviver com pessoas e tunas de outras partes do mundo, algo do qual sentimos muito a falta nos últimos tempos! 

Uma mensagem à comunidade académica?

Aproveitem a vida de estudante universitário, experimentem outras atividades para além dos livros, quer seja na cultura, no desporto ou no associativismo. Obviamente que, “puxando a brasa à nossa sardinha”, recomendamos que se juntem a um dos grupos culturais da UMinho! A variedade é imensa, há algo para todos os gostos. E, claro, venham conhecer a Tuna Universitária do Minho, terças e quintas às 21h30, por baixo do BA, em Braga. Garantimos todas as condições de segurança e higiene. Não se irão arrepender!

Fonte: SASUM

Foto: TUM

Arquivo de 2021