2019 - Festival - VI Boticários (2)
Entrevista.com, 08.06.2021 às 09:20
“Sentimos falta de conviver ... de sermos a alma da festa, de atuar para o público e ouvir as suas palmas”
A Tuna de Medicina da Universidade do Minho (TMUM) foi criada em 2009, e, ao contrário do que se possa pensar, tem membros de vários cursos. A jovem tuna mista, caracterizada pela sua energia, comemora este ano, 12 anos de existência. Composta por 44 membros ativos, tem principal objetivo, ser cada vez melhor.

O UMdicas esteve à conversa com a Presidente do grupo, Margarida Madureira, para saber mais sobre esta Tuna, sobre os seus objetivos, sonhos e projetos para o futuro. 

A TMUM é uma das mais jovens Tunas da Universidade do Minho. De que é feito este grupo e como se caracterizam?

A TMUM é feita de estudantes da Universidade do Minho e, ao contrário do que o nome indica, temos membros que qualquer curso, não só de Medicina. Caraterizámo-nos pela nossa energia em palco (e fora dele também), pelo nosso crescimento enquanto tuna ao longo dos anos, pela nossa animação em festivais de tunas, e por organizarmos eventos como o Salsichão e o Momentmum todos os anos, que alegram a cidade de Braga e os nossos estudantes. 

Comemoraram no ano passado, 11 anos de existência. Como descrevem o vosso trajeto? 

Podemos dizer que crescemos muito, e muito rápido, nestes breves 11 anos que passaram desde a ideia louca de criar a TMUM. Começar um projeto de novo não é fácil, e custa estabelecer as bases e as tradições pelas quais nos regemos atualmente. Também não foi fácil adquirirmos a qualidade musical que temos neste momento, mas com perseverança tudo se faz. Uma vez que

descobrimos o nosso rumo e o nosso espírito, as coisas ficaram mais fáceis, começamos a ficar conhecidos, e quando outras Tunas ouviam o nosso nome, sabiam quem éramos e que éramos bons. Agora é manter o curso definido, tentar superar o que já foi feito e melhorar a cada passo. 

Por quantos elementos é constituído o grupo atualmente? 

Atualmente o grupo é constituído por 44 membros ativos que estão divididos consoante o grau hierárquico dentro da Tuna. Temos 23 enfermos, que são os caloiros da TMUM, 14 curandeiros que é o grau a seguir aos enfermos e já são tunos, e 7 doutunos, que representa o grau hierárquico mais elevado. 

Quais os objetivos do grupo e como desenvolvem as vossas atividades? 

O principal objetivo da TMUM é melhorar a qualidade da tuna, quer a nível musical, quer a nível dos eventos que organizamos. As nossas atividades têm sempre bastante logística envolvida, quer seja no aluguer de espaços, como auditórios ou escolas, quer no aluguer de carrinhas para transportar instrumentos. O mais importante no desenvolvimento dessas atividades é um bom planeamento e comunicação, ter a certeza que a tuna se encontra toda na mesma página e sabe o que tem de fazer. 

Em que se destaca e diferencia a TMUM das outras tunas mistas? 

Sendo a TMUM, a Tuna de Medicina da Universidade do Minho, existe frequentemente a ideia de que apenas estudantes de Medicina fazem parte da Tuna, o que não é verdade. Para além de sermos uma tuna mista, também temos uma grande variedade de cursos, o que nos dá a vantagem de ter muitas pessoas diferentes que conseguem contribuir em várias áreas. Também gostamos de pensar que o nosso espírito e alegria contagiantes nos fazem destacar no panorama geral das tunas mistas. 

Como caracterizam a vossa música e o que trazem de novo ao panorama musical das tunas? 

Nas atuações, a TMUM brilha pela alegria que a sua música transmite a quem a ouve. A interação e a conexão com o público que nos ouve é um dos fatores mais caraterísticos da nossa música. Isto é possível graças ao nosso reportório variado que inclui músicas do mundo das tunas, músicas tradicionais portuguesas e, claro, originais, juntamente com a energia que nos é tão caraterística. 

Que característica vêm como essencial para ser membro da TMUM? 

Não existe nenhuma caraterística em especial que alguém deva ter para ser membro da TMUM, mas para a tuna funcionar bem é importante os membros serem capazes de se esforçarem e darem um pouco de si a este grupo, mesmo que às vezes custe. Mas acreditamos que, no momento em que se entra na Tuna e se gosta dela verdadeiramente, isso acaba por ser algo quase natural, porque queremos todos contribuir. 

O grupo continua a ser atrativo? Como é feita a sua dinamização? 

A TMUM aceita elementos de todos os cursos, mas é um facto que continuamos a ter muitos alunos de medicina. Como a nossa sede é na Escola de Medicina, facilita a interação de novos alunos com a Tuna. No entanto, muita da nossa propaganda é feita pessoa a pessoa, ou seja, pessoas que estão na Tuna convencem outros a entrarem, perpetuando o ciclo de novos membros. 

No vosso percurso, quais os momentos e participações que destacam?

Com apenas 11 anos de existência, podíamos pensar que seriam poucos os marcos importantes, contudo, temos exatamente o oposto:

  • 2010: a primeira atuação como tuna no auditório da Escola de Medicina;
  • 2014: a primeira edição do nosso MOMENTMUM. Desde então este realiza-se anualmente, estando, atualmente na sua 7.ª edição;
  • 2016/2017: a nossa primeira digressão, tendo essa decorrido em Espanha, e a primeira vez que ganhamos o prémio “Melhor Tuna” num festival;
  • 2019/2010: celebração dos 10 anos da TMUM.  

Quais as vossas atividades anuais principais? 

Anualmente temos 2 atividades principais organizadas pela TMUM que nos trazem imensa visibilidade, nomeadamente o Momentmum e a digressão. O primeiro é o nosso festival de tunas mistas que traz a Braga 4 tunas, durante um fim de semana, com o objetivo de atuarem para o público e dinamizarem a cultura. No final do espetáculo, as tunas levam prémios consoante a sua prestação em palco. A digressão consiste num grupo de cerca de 20 pessoas que vão durante um determinado período de tempo, para um lugar onde atuam com o objetivo de divulgar a Tuna, dar a conhecer o seu trabalho, mas também construir novas relações e estreitar laços de amizade. 

Quais os projetos do grupo mais importantes a curto/médio prazo? 

A qualidade musical da TMUM é sempre o projeto mais importante, seja na criação de originais, ou na adaptação e arranjos de músicas já existentes. A nossa qualidade musical é constantemente posta à prova quando vamos a festivais com outras Tunas a concurso. Nestas atuações, podemos trazer alguns prémios que refletem o nosso trabalho e qualidade.

Outro dos projetos, este mais interno, com o objetivo de fomentar os laços de amizade na Tuna, são os retiros de verão e de Natal. Nestes retiros, costumamos fazer um balanço do ano transato e perspetivas para o ano que se avizinha, ao mesmo tempo que debatemos ideias para o nosso próprio festival e ensaiamos as nossas músicas. 

Qual é maior sonho da TMUM? 

De momento, o nosso principal objetivo é atingir a qualidade musical que a TMUM já tinha antes da pandemia. Assim que isso acontecer, queremos retomar os trabalhos já iniciados para gravarmos o primeiro CD da TMUM, que é um sonho que já existe desde os inícios da Tuna. 

Como vêm o panorama das tunas em Portugal e a nível internacional? 

Em Portugal, as tunas são bastante conhecidas no meio estudantil e universitário, mas ficam um pouco esquecidas fora desses meios. Apesar disso, há sempre tunas a surgir em novos sítios, pelo que deve ser uma parte da cultura que deve ser incentivada. As tunas podiam ser convidadas para mais programas televisivos, para darem a conhecer e divulgarem o seu trabalho. Quanto ao panorama internacional, não conhecemos muito bem, mas seria bom partilhar palco com tunas de outros países. 

2020 foi um ano difícil e 2021 deverá continuar a ser, pelo menos no curto/médio prazo. Como estão a viver este período atípico? Do que mais sentem saudades? 

2020 foi um ano de adaptação. Os ensaios pararam, assim como as atuações e festivais. No entanto, reinventamos a TMUM para o formato online, adaptando os nossos ensaios e convívios para o formato online, de modo a sentirmos o menos possível o impacto da pandemia na Tuna, seja a nível musical como social. Apesar dos nossos esforços para contrariar as circunstâncias, o contacto entre os nossos membros não é o mesmo. Sentimos falta de conviver no presencial, de sermos a alma da festa, de atuar para o público e ouvir as suas palmas. 

Como analisam o contexto dos grupos culturais na vida da Universidade e de um Universitário? 

Nós que estamos numa Tuna, já não imaginamos a nossa vida de outra forma! Estar num grupo cultural significa diversão, partilha de experiências, crescimento em conjunto. Vida de universitário sem fazer parte de uma tuna, é uma vida incompleta. Além disso, os grupos culturais acabam por dar mais dinâmica à universidade, seja pelas diferentes atividades que organizam, seja pela variedade de tunas que existem. 

Como vêm o atual momento da cultura no país e como preveem o seu futuro? 

A cultura parece um pouco esquecida no governo português, continuamos à espera de mais apoios e mais liberdade para iniciarmos as nossas atuações. Contudo, achamos que, mais do que nunca, Portugal sente falta da cultura, por isso, talvez consiga ter mais visibilidade e consiga voltar ao percurso que tinha. 

O Momentmum voltou a ser, este ano, novamente online. Como correu e qual foi o feedback do público?

Preparar um Momentmum online e preparar um presencial são duas coisas muito diferentes, mas cada um tem os seus desafios. No caso do Momentmum online temos de estar mais atentos à logística das transições entre as várias partes do direto e ter a certeza que a transmissão está a acontecer como previsto. No geral, pensamos que o festival correu bem, durou menos tempo que o ano passado, pelo que conseguimos manter o público mais tempo à frente do ecrã e com um número de visualizadores constante. Ter um bom prémio para o público que acertasse nos nossos desafios e momentos de música em direto, também 

Uma mensagem à comunidade académica?

Venham para a Tuna! Idealmente venham para a TMUM, mas se optarem por outra, não há problema. O mais importante é escolherem um grupo cultural e tirarem o melhor partido possível desse grupo.

Texto: Ana Marques

Foto: TMUM

Arquivo de 2021