Gatuna (2)
Entrevista.com, 15.04.2021 às 08:44
“Sentimos saudades de conviver e poder juntar toda a tuna (…) de poder tocar a nossa música e sentir os aplausos do público”.
A Gatuna é uma das mais emblemáticas Tunas Femininas da Universidade do Minho e do país. A pandemia não as parou, mas obrigou a novas formas de trabalhar.

Ao longo dos anos têm marcado pela sua irreverência em palco e fora dele. O UMdicas esteve à conversa com a Diretora de Comunicação do grupo cultural, Mariana Silva, que nos revelou, entre muitas outras coisas, as saudades dos convívios, dos festivais, de tocar para o público e de sentir os aplausos.

A Gatuna é uma das mais emblemáticas Tunas Femininas da Universidade do Minho. Como descrevem esta história com 28 anos?

Numa tentativa de alargar e modificar a longa tradição de tunas masculinas, surgiu a ideia de formar uma Tuna Feminina. Assim, por entre jantaradas cantantes e um grande desejo de cantar até que a voz nos doa, nasceu a Gatuna, e já lá vão 28 anos. Com mais de 80 elementos, é gratificante ver esta família crescer e marcar sempre pela diferença.

Foram a primeira Tuna Feminina da UMinho. Em que outros aspetos continuam a inovar?

A Gatuna foi a primeira Tuna Feminina em Portugal a realizar um videoclipe do nosso original “Braguesa”. Deixamos o link e convidamos todos a ver e deixar o vosso like: https://www.youtube.com/watch?v=lyPyDt5Wlig

Como definem a Gatuna?

Família, música, amizade, diversão são algumas das palavras que melhor nos definem.

Em que se destaca e diferencia a Gatuna das outras tunas femininas?

Destacámo-nos pelas nossas atividades, música e traje. O nosso “Trovas”, Festival de Tunas Femininas, encanta todas as tunas participantes, assim como o público presente. Além disso, organizamos o Jantar do Caloiro apenas para os caloiros que ingressam na nossa Academia.

E para marcar a diferença, a Gatuna possui um traje muito característico. As nossas caloiras usam um macacão verde com pompons e meias pretas e as Gatunas usam o traje académico com saia-calção, meias verdes e a capa forrada com cetim verde.

Como caracterizam a vossa música?

Ao som de vários estilos bastante famosos pelo mundo, a Gatuna faz da Bossa Nova e da Música Latina a sua influência.

Que característica apontam como essencial para ser membro da Gatuna?

O único requisito para ser membro da Gatuna é vontade e boa disposição, o resto nós ensinamos.

No vosso longo percurso, quais os momentos e participações que destacam?

O Concerto Comemorativo dos 25 anos da Gatuna, assim como todas as atividades realizadas nesse ano, foi sem dúvida um momento marcante, podendo contar com todas as pessoas que fizeram parte da nossa história e que ainda fazem. Além disso, a realização do videoclipe foi também um marco importante e bastante divertido.

Como veem o panorama das tunas femininas em Portugal e a nível internacional?

O interesse dos jovens para com as tunas tem vindo a diminuir de uma maneira geral, mas mesmo com este grande entrave da pandemia, conseguimos explorar diferentes vertentes. Por exemplo, em 2020, celebramos as 24 edições do nosso “Trovas” através de uma atividade online com a participação de várias Tunas Femininas do país. Desta forma, achamos que é possível criar dinâmicas e formas diferentes de promover todas as tunas mesmo com a pandemia e, assim, continuar vivas e ativas, ultrapassando estes tempos tão difíceis.

2020 foi um ano difícil e 2021 deverá continuar a ser, pelo menos no curto/médio prazo. Como estão a viver este ano atípico?

Desde o ano passado que realizamos ensaios via Zoom e, infelizmente, fomos obrigadas a cancelar o nosso Jantar do Caloiro e o nosso festival “Trovas”. No presente ano, pretendemos continuar a realizar atividades online e trabalhar na nossa música.

Do que mais sentem saudades?

Sentimos saudades de conviver e poder juntar toda a tuna, dos festivais e atuações por todo o país, de poder tocar a nossa música e sentir os aplausos do público.

Quais são os vossos projetos a curto/médio prazo?

Pretendemos gravar um novo CD com as músicas que fazem parte desde a nossa fundação até à atualidade.

Qual é maior sonho da Gatuna?

Poder fazer uma nova digressão pela Europa ou até mesmo fora.

Como analisam o contexto dos grupos culturais na vida da Universidade e de um Universitário?

Os grupos culturais são essenciais para o espírito académico, dando um toque especial à nossa Universidade. Nas variadas atividades organizadas pela Associação Académica da Universidade do Minho, desde a Receção ao Caloiro, Récita 1º Dezembro, Enterro da Gata, os grupos culturais estão sempre presentes. Isto torna-nos uma presença essencial para a vida de um universitário, mantendo a cultura viva no seio académico.

Os grupos culturais continuam a ser procurados pelos novos alunos?

Sim, mesmo com a situação atual, os alunos continuam a procurar os grupos culturais para se integrarem melhor na Academia. Desde o início do ano letivo que novas meninas se juntaram à Gatuna e têm vindo a acompanhar os ensaios.

Como sentem o atual momento da cultura no país?

Sentimos que, devido à situação pandémica, a cultura do nosso país está a ser prejudicada. É bastante triste que não possamos assistir a espetáculos, peças de teatro, concertos e principalmente festivais de tunas, que tanto nos enriquecem culturalmente.

Texto: Ana Marques 

Foto: Nuno Gonçalves

Arquivo de 2021