Rui Oliveira (12)
Entrevista.com, 18.11.2020 às 11:15
Entrevista ao Presidente da Associação Académica, Rui Oliveira
À frente da Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) há quase um ano, Rui Oliveira, tal como todos nós, deparou-se com uma pandemia que veio alterar muitas das prioridades inicialmente delineadas para este mandato. O UMdicas esteve à conversa com o estudante de Engenharia Mecânica que assumiu que a sua equipa teve de se reinventar, destacando como grande projeto no momento, a digitalização dos transportes.

Tomou posse como presidente da AAUM no início de janeiro. Como tem sido a experiência até ao momento?

Acima de tudo, tem sido uma experiência desafiante. No início desta jornada, no momento em que tomava posse, dizia que temos uma sociedade em rápidas e constantes transformações, mas de longe esperar toda esta reviravolta na nossa forma de atuar. Temos tentado constantemente ajustar a nossa resposta às necessidades e oportunidades que vamos encontrando. Naturalmente, reformulamos uma grande parte do nosso projeto inicial, é sempre complicado diminuir expectativas pelas condicionantes da COVID-19, mas a equipa foi chamada a reinventar a sua proposta e num olhar global, acredito que a resposta foi positiva.

Aquando da cerimónia de tomada de posse prometeu uma Associação Académica comprometida com a comunidade estudantil. Em que sentido isso tem sido cumprido?

A melhor prova de que esta equipa está comprometida com a comunidade académica é tudo aquilo que se foi passando ao longo deste mandato. Pela forma de organização da Associação Académica, cada dirigente tem a sua pasta ou responsabilidade, no entanto, com as condicionantes da pandemia, muitas destas pastas ficaram sem atividade, principalmente aquelas que implicam um nível presencial. Ainda assim, não vimos as pessoas paradas, comprometeram-se em ajudar outras áreas que têm sido mais sobrecarregadas. Esta foi uma equipa que entrou com expectativas elevadas de realização e participação em atividades como os Campeonatos Nacionais Universitários, o Enterro da Gata, a Receção ao Caloiro ou a START POINT Summit, todas elas em formato presencial. Pelos motivos que todos conhecemos, não lhes foi possível o formato presencial, apesar de tentarem por diversas vezes encontrar alternativas. Algumas destas atividades reinventaram-se e tomaram novos moldes, outras tornaram-se inviáveis de acontecer. Apesar de tudo isto, os dirigentes mostraram-se colaborativos na preparação das atividades possíveis, que assumiram como fundamentais com a chegada da Pandemia.

Defende um Ensino Superior gratuito. Entende ser um cenário exequível e possível no nosso país?

Considero que Portugal tem que perceber que o conhecimento é fundamental para o sucesso, progresso e crescimento do país. Nesse sentido, para o alcançarmos, temos de falar num Ensino Superior acessível a todos. Do 1.º ao 3.º ciclo, as limitações socioeconómicas não podem constituir um fator impeditivo do acesso a mais conhecimento e mais formação. Nesse sentido, considero ser um investimento primordial para Portugal, para que todos os que assim queiram e tenham mérito possam alcançar níveis mais altos de conhecimento, com a ambição de aumentar continuamente o número de alunos que lá chegam.

A UMinho apostou neste início de ano letivo num ensino misto, mas com grande aposta no ensino presencial, principalmente para os estudantes do 1.º ano. Como está a correr tudo e o que a seu ver está a correr menos bem?

Os alunos, no final do ano letivo passado, manifestaram a sua preferência pelo funcionamento em modelo presencial, mesmo com condições mais complicadas, consequentes da pandemia. Nesse sentido, a Universidade adaptou-se e fez, naturalmente, um esforço enorme para recomeçar a atividade letiva presencial com todas as condições de segurança requeridas. A Universidade do Minho é de características presenciais, e é aí que deve continuar, isto é, com a capacidade de potenciar a troca de experiências interpessoais que são fundamentais para o desenvolvimento completo como cidadão. Denota-se um esforço bem conseguido pela Universidade na conjugação de horários e respetiva distribuição da atividade letiva pelos seus espaços.

Uma das coisas que está a correr menos bem é o facto de os estudantes não encontrarem um espaço para se sentarem a trabalhar e a estudar fora da atividade letiva, dado que a lotação das bibliotecas está reduzida e muitos dos espaços informais foram retirados. No entanto, a AAUMinho em conjunto com a Universidade e os SASUM já estão a trabalhar numa solução conjunta para este problema.

Ainda existem estudantes que não têm acesso às aulas online por falta de equipamentos informáticos?

Sim, a prova disso foi a necessidade de criação do Programa de Apoio Informático no ano letivo anterior, que teve uma procura muito considerável. Nesse sentido e pela falta de respostas que uma vez mais a tutela não dá ao Ensino Superior, este início de ano letivo, contará com uma nova edição do Programa de Apoio Informático a Estudantes (PAIE).

Qual a sua opinião sobre as medidas de contingência adotadas pela Academia neste início de ano letivo - sente que os nossos estudantes estão seguros nos campi?

Sim, acredito que os estudantes estão seguros dentro dos campi. Conheço muito poucos espaços que tenham adotado tantas regras e precauções para conter a propagação do vírus. Isto não quer dizer que não existam erros, que o álcool nos dispensadores por vezes não escasseie, que um espaço não tenha sido desinfetado como deveria. O Universo da Universidade do Minho tem uma dimensão significativa e, por isso, todos devemos ter uma atitude pró-ativa e cooperativa, procurando, aquando da identificação destas situações, recorrer aos responsáveis dos espaços e alertar para os problemas, para que os mesmos sejam resolvidos em tempo útil. Pelo que acompanho, é vontade de todos, estudantes, professores, órgãos de gestão, administrativos e técnicos que isto corra bem, mas é necessário tomar este tipo de atitude colaborativa. Estamos todos a caminhar para que tudo melhore.

Em relação às cantinas e residências da UMinho: como perceciona estas realidades atuais, quais os problemas nestas áreas e, existindo, que soluções propõe?

O problema das residências agrava-se numa situação em que todos precisamos de preservar o distanciamento e alterar os nossos hábitos, principalmente quando partilhamos espaços comuns. Como é do conhecimento de todos, o alojamento é escasso para a procura e são necessárias intervenções para cumprir com as necessidades do dia-a-dia dos nossos estudantes como é o caso do acesso à internet. As nossas últimas residências datam de 1998 e começam a ser necessárias obras de remodelação dos quartos e dos espaços para oferecerem um serviço de qualidade aos nossos estudantes.

Outro dos problemas é com os espaços disponíveis para o aquecimento e confeção das refeições que se tornam insuficientes com o retirar dos micro-ondas dos campi. Da mesma forma, para não obrigar ao uso das cantinas da Universidade que também enfrentam limitação, temos proposto soluções de takeaway a preço social, para que os estudantes possam levantar e levar para suas casas.

Que medidas estão a ser preparadas por parte da Associação Académica para auxiliar e acompanhar os estudantes nesta fase mais complicada?

Já no início da pandemia, foi criado o email covid19@aaum.pt precisamente para os estudantes nos fazerem chegar dificuldades, dúvidas e inquietações relativas à realidade que estamos a viver, que pudéssemos encaminhar para quem de direito. Entre elas, problemas que encontraram na atividade letiva, mas também, mais recentemente, relativos aos transportes e aos espaços.

Para além disto, foram criados também dois formulários, um deles para recolha de problemas relacionados com o início do ano letivo uma vez que, depois de todas estas mudanças, é muito importante perceber quais as dificuldades dos alunos, de forma a melhorar estes processos. O outro, será um formulário também proposto pela AAUMinho, de modo a sinalizar questões de higiene nos espaços da Universidade, em parceria com os Serviços de Acção Social e a Comissão de Elaboração e Gestão do Plano de Contingência Interno COVID-19.

Por fim, está também a ser criada uma iniciativa de auxílio aos estudantes que se encontrem em fase de isolamento profilático nas residências, que passa por fazer-lhes chegar os bens alimentares ou de higiene.

A AAUM lançou o espaço Recurso by AAAUMinho em Gualtar e pretende vê-lo replicado em Guimarães. Quais são as valências deste que é um espaço físico e online?

A nova marca da Associação Académica pretende disponibilizar uma série de serviços aos estudantes e à Academia. São várias as vantagens para toda a comunidade académica através dos serviços da AAUMinho ou de parcerias da mesma. No processo de remodelação dos Gabinetes de Apoio ao Aluno, aumentamos o leque de serviços disponibilizados, incluímos para além do serviço de venda de bilhetes de transporte, a BOL, a Loja da UMinho e as camisolas da AAUMinho, e estamos já a finalizar a implementação do serviço da PayShop e do ponto de entrega dos CTT. Reforçamos, igualmente, a ligação aos parceiros e serviços da AAUMinho, através da nova app mobile, permitindo, muito brevemente, a digitalização de todo o processo de compra de bilhetes de transporte, tornando-se muito mais fácil e intuitivo.

A pandemia provocada pela Covid-19 teve, certamente, impacto no Plano de Atividades da AAUM. Quais são as prioridades nesta altura e para os próximos tempos?

Nesta fase final do mandato, a prioridade continua a ser dar resposta às necessidades dos estudantes, subjacentes às dificuldades na atividade letiva ou de qualquer outra índole, e também a continuar a realização das atividades previstas como as formações da Start Point Academy, Assembleias de Delegados e de Núcleos. Ainda assim, projetos como a digitalização dos transportes ainda estão a decorrer e, naturalmente, uma fase de avaliação do mandato através do balanço daquilo que ocorreu ao longo do ano e para que os próximos projetos consigam ser otimizados e ser melhorados.

Na sequência da decisão da instalação da nova sede da AAUM no Campus de Gualtar, que ponto de situação pode fazer-nos deste dossier?

A comissão para o efeito tem reunido, em particular a equipa da AAUMinho e os Arquitetos e estamos, neste momento, na fase de realização de um projeto para as necessidades que a AAUMinho tem enquanto Direção, mas também Grupos Culturais e serviços que são importantes disponibilizar à comunidade académica.

Tendo em conta a realidade atual, que iniciativas/projetos tem a AAUM para o tempo que resta até ao final do mandato em curso?

Como dizia, estamos sobretudo numa fase de balanço daquilo que foi a atividade deste mandato e o nosso grande projeto no momento é a digitalização dos transportes. Teremos Assembleias de Delegados e de Núcleos, continuaremos a acompanhar os problemas e necessidades dos nossos estudantes e com as atividades que acontecem de uma forma contínua na AAUMinho no desporto, na START POINT, no social e na cultura.

Será candidato à próxima direção da AAUM? Já tomou uma decisão sobre este assunto?

Depois de uma grande reflexão pessoal, mas também em equipa, percebi ser importante dar continuidade ao trabalho que foi desenvolvido ao longo deste ano. Estou convicto que disponho da motivação necessária para tal e, por isso, é minha vontade recandidatar-me a Presidente da Direção da Associação Académica da Universidade do Minho, acompanhado por uma equipa empenhada, competente, criativa e exigente, ao serviço da Melhor Academia do País.

Que mensagem gostaria de deixar aos estudantes e à Academia?

Que se desafiem, que aproveitem o tempo do Ensino Superior. Apesar de não ser um ano igual ao esperado, temos todos de cumprir as regras de segurança dentro e fora dos campi para que rapidamente nos possamos voltar a abraçar e voltar a alguma normalidade. Principalmente que disponham da AAUM sempre que identifiquem qualquer dificuldade ao longo deste período.

Fonte: UMdicas 

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