Tomada de posse 19-21 - FADU_Portraits-019
Entrevista.com, 13.11.2019 às 09:55
Temos que ter respostas e oferta para todos, temos que ter ‘Desporto para Todos’.
André Reis tomou posse como presidente da Federação Académica de Desporto Universitário (FADU) no passado dia 8 de outubro. O jovem estudante de 27 anos estará à frente da instituição para o biénio 2019-2021, assumindo a aposta no “Desporto para Todos” como prioridade. O UMdicas conversou com o dirigente que nos falou de si, do futuro, dos desafios e projetos da FADU e do desporto universitário nacional.

Quem é André Reis e o que o levou a abraçar este desafio na FADU?

Sou um jovem, estudante do Ensino Superior, nascido no concelho da Póvoa de Lanhoso. E, por isso, como a generalidade dos minhotos, sou uma pessoa que não se esconde, que não vê o Mundo de forma individualista e procura, em equipa, criar entendimentos. Fui educado na base do humanismo, da seriedade e firmeza de carácter, habituado a ajudar os outros, a ser solidário e sempre com preocupação social. Tento não deixar nada por dizer, sou frontal, mas procurando sempre não faltar ao respeito a ninguém.

Foram estas bases, estas origens, que motivaram a minha participação no associativismo. Numa área, numa causa, onde podemos intervir e ajudar a transformar o nosso espaço, a nossa região e o nosso País, promovendo o diálogo e a cooperação entre os diferentes poderes, mas mantendo os princípios de autonomia e independência.

Foi assim que decidi avançar para a liderança de uma das maiores federações desportivas do País, a Federação Académica do Desporto Universitário. Porque entendi que tinha condições pessoais para tal e que podia reunir apoios em torno de uma candidatura forte e competente.

Quais serão as grandes prioridades do Presidente André Reis e da nova direção da FADU para o mandato?

A nova direção da FADU estabeleceu como grande prioridade o alargamento da base de estudantes com atividade física ou desportiva regular. A FADU tem feito um caminho notável de crescimento e consolidação das suas provas desportivas no âmbito dos Campeonatos Nacionais Universitários. Hoje estão filiados na FADU mais de 8 mil praticantes. Mas será que por via destas provas conseguimos chegar a todos os estudantes? Evidentemente que não, porque aqui cada clube escolhe os melhores e, sempre que escolhemos os melhores, outros ficam para trás. Temos que ter respostas e oferta para todos, temos que ter ‘Desporto para Todos’. Mas que fique claro: este caminho não se faz sozinho. A FADU não consegue atingir este objetivo, este desígnio nacional, sem os seus associados e as Instituições de Ensino Superior devidamente alinhados e envolvidos numa ampla estratégia de promoção e massificação da prática desportiva. E, claro, para haver desporto para todos é preciso trabalho de todos. 

O desporto universitário em Portugal tem a particularidade de ser liderado por uma federação composta por estudantes. Que vantagens vê neste modelo em comparação com outros que existem na Europa e no resto do Mundo?

Não tenho dúvidas que esta particularidade da FADU, este modelo único, é a garantia do sucesso do projeto do desporto universitário em Portugal. É importante dizer que esta coisa do sucesso do modelo da FADU não é discurso de conveniência. A recente atribuição à FADU do galardão de Federação Nacional de Desporto Universitário mais ativa da Europa, pela quinta vez, é a prova de que o nosso modelo é um modelo de sucesso. A FADU é liderada por jovens em formação superior. Juventude é sinónimo de vitalidade, energia, liberdade e desprendimento. Ser estudante do ensino superior habitua-nos a questionar as coisas e a procurar os melhores caminhos para a resolução dos problemas. A junção entre ser jovem e estudante permite-nos um perfil diferenciador e imprime um dinamismo ímpar à FADU.

Pode afirmar-se que uma das conquistas recentes da FADU foi a publicação do Estatuto do Estudante Atleta. Qual é a avaliação que fazem do decreto-lei e da forma como está a ser implementado nas instituições de ensino superior a nível nacional?

A publicação do Estatuto Estudante-Atleta, em abril deste ano, foi sem dúvida uma grande conquista para a FADU. É inegável o impacto direto que a publicação deste estatuto terá na vida de milhares de estudantes-atletas, sendo um excelente instrumento para aumento da prática desportiva na população mais jovem. Mas este estatuto não pode ser apenas um conjunto de artigos de um decreto-lei. Tem que efetivamente ser aplicado! Estamos a falar do cumprimento de uma lei portuguesa e não podemos aceitar que existam Instituições de Ensino Superior que ainda não o façam. A FADU tem conhecimento que a larga maioria das instituições ainda não cumpre com a totalidade dos direitos mínimos atribuídos pela lei aos estudantes-atletas, nomeadamente a prioridade na escolha de horários ou turmas. Apesar do documento exigir que todas as instituições regulamentassem internamente a aplicação do estatuto até ao início do presente ano letivo, a FADU vai dar o benefício da dúvida. Mas não aceitaremos que no início do segundo semestre o total cumprimento do Estatuto Estudante-Atleta ainda não seja uma realidade. A FADU, em conjunto com os seus associados, será sempre a voz daqueles a que lhe sejam negados os seus direitos. Vamos estar atentos, promover um balanço e apresentar as necessárias melhorias para uma futura revisão do documento.

Ao longo da última década, a FADU foi distinguida pela EUSA cinco vezes como a Federação Nacional de Desporto Universitário mais ativa da Europa. Esta distinção está sobretudo relacionada com o número de participações e organizações protagonizadas pelos clubes nacionais em Campeonatos Europeus Universitários. Há margem para aumentar, ainda mais, estes números?

Sim, entendemos que há margem. Portugal é um país muito respeitado no panorama internacional do desporto universitário. Esta distinção da European University Sports Association é a confirmação disso mesmo. Com o investimento e a dinâmica imprimida pelos clubes, com a dedicação e superação de milhares de estudantes-atletas, foi possível, juntos, chegarmos a este nível. Promovemos organizações de excelência e participamos na quase totalidade dos Campeonatos Europeus Universitários. E, agora, vamos continuar a trabalhar para consolidar Portugal como um dos melhores países em matéria de organização de eventos desportivos internacionais. Mas não vamos cometer loucuras. As candidaturas que apresentarmos terão uma lógica, desde a escolha da modalidade ao local da organização, e sempre tendo em conta a sustentabilidade financeira.

A competição universitária da época desportiva está prestes a arrancar. No âmbito das competições nacionais, terá o seu ponto alto com a realização das Fases Finais dos Campeonatos Nacionais Universitários, que decorrerão na Covilhã e no Fundão. Quais são as expectativas para esta época e que alterações estão a ser preparadas na vertente competitiva e organizativa?

As expectativas são muitas! É um regresso à Beira Interior, ao interior de Portugal, sete anos depois. A atual direção da FADU está muito empenhada na promoção da prática desportiva por todo o território nacional. Entendemos que a oportunidade que é dada a estas academias - com menos estudantes e mais distantes dos grandes certos urbanos - para a organização do maior evento do desporto universitário em Portugal, é um passo importantíssimo para o desenvolvimento integrado do nosso sistema desportivo. Nenhuma academia deve ser prejudicada por estar situada numa determinada região do País, queremos que isto fique claro para todos.

Simultaneamente, estamos a levar a cabo mudanças no modelo competitivo. Iniciadas pela direção cessante, mas que serão implementadas já no mandato da atual direção. É exemplo a redução de equipas presentes nas Fases Finais dos Campeonatos Nacionais Universitários de doze para oito. Acreditamos que esta alteração irá aumentar a competitividade e a atratividade dos nossos campeonatos. Queremos jogos mais competitivos, com mais espetáculo e emoção. Não queremos que a presença de um estudante-atleta nas Fases Finais dos CNU represente um risco para a sua condição física e acreditamos que este modelo vai ao encontro desta preocupação.

Na vertente internacional, a FADU acaba de apresentar três candidaturas à organização de campeonatos mundiais universitários para 2022 e 2024: triatlo no Porto, futsal em Braga e corta mato em Aveiro. Quais são as perspetivas de sucesso destas candidaturas?

Acreditamos que vamos ter candidaturas vencedoras. Sabemos que as nossas candidaturas são fortes, bem desenhadas e competentes, mas todas elas têm concorrência. Estamos confiantes, essencialmente porque a FISU sabe e reconhece que Portugal tem uma grande tradição de sucesso em matéria de organização de provas internacionais.

Outro aspeto a que a FADU tem dado relevância é à vertente do desporto informal, até porque a entrada no ensino superior acaba, muitas vezes, por corresponder a um momento de diminuição ou mesmo quebra da atividade física regular. Na sua opinião, que estratégias podem ser implementadas para contrariar esta tendência?

Como já tive oportunidade de dizer, o alargamento de base de estudantes com atividade física ou desportiva regular é a grande prioridade da atual direção da FADU para o biénio 2019-2021. Identificamos três grandes áreas para a promoção da prática desportiva: recreação/informal, competição interna e desporto adaptado. Na vertente recreação/informal trata-se das Instituições de Ensino Superior terem oferta para aqueles estudantes que querem praticar uma determinada modalidade desportiva, mas não querem e/ou não reúnem condições para participarem nas equipas das suas instituições de ensino. Na vertente da competição interna, a grande prioridade é que todas as academias criem, dentro de si, competições desportivas regulares, ou seja, ao longo de todo o ano letivo (por exemplo intercursos). E, por último, na vertente do desporto adaptado trata-se de dotar as instituições de sensibilidade social e entenderem que nenhum estudante deve ficar privado de prática desportiva e/ou atividade física por ser portador de uma determinada deficiência. Mais uma vez, ‘Desporto para Todos’.

Mas, permitam-me que nesta matéria vos diga que nada disto é possível sem o apoio da administração pública central. Ouvimos os nossos responsáveis políticos, com grande frequência, a falar da oportunidade única de promovermos ‘Desporto para Todos’ no seio do Ensino Superior, mas depois a realidade daquilo que dizem não acompanha a realidade do apoio prestado para a execução deste desígnio. Mais que palavras é preciso ação. E a FADU viu recentemente diminuído o apoio para o desenvolvimento deste projeto. Enquanto não conseguirmos criar uma estrutura de recursos humanos alocada a este projeto, dificilmente vamos conseguir criar oportunidades e contribuir para estas metas.

O ano de 2019 fica marcado por duas distinções que foram atribuídas à UMinho em resultado da sua dinâmica desportiva: a medalha de honra ao mérito desportivo, entregue pelo Governo de Portugal, e o prémio de melhor universidade europeia da década em desporto universitário, entregue pela EUSA, no mês passado. Na sua opinião, quais são os principais fatores que contribuíram para o sucesso da UMinho no desporto universitário?

O sucesso da Universidade do Minho é certamente um trabalho de muita gente, mas principalmente fruto de uma visão estendida. Nunca procuraram ganhos no imediato. Foram estabelecidas metas e objetivos a longo prazo. Mas, essencialmente, perceberam muito cedo, e muito mais rápido do que a generalidade das instituições de ensino, que a aposta no desporto seria um extraordinário veículo de promoção de hábitos de vida saudável no seio dos estudantes e até um excelente caminho para a afirmação da atratividade e da identidade da Academia Minhota. A par disso, construíram um Departamento de Desporto e Cultura, dentro dos Serviços de Ação Social, que, em estreita colaboração com Associação Académica da Universidade do Minho, dotou a universidade de excelentes recursos humanos. E esta parte, a par do investimento em infraestruturas desportivas (como são exemplo o Complexo Desportivo de Gualtar e o Complexo Desportivo de Azurém), é essencial para o sucesso, porque nós conhecemos casos de muitas instituições de ensino que têm ideias e vontade, mas depois faltam recursos. O desafio agora, para a Academia do Minho, é que não fique na sua zona de conforto, com o sucesso amplamente reconhecido. Creio que a UMinho ainda muito pode fazer, dentro de portas e fora de portas, para o desenvolvimento do sistema desportivo nacional. Estou certo que o futuro será ainda muito melhor!

A AAUM e a UMinho preparam-se também para receber o Campeonato Europeu Universitário de Voleibol em 2021, na cidade de Guimarães. Será a 14ª grande competição internacional que terá lugar na Academia Minhota. Quais são as expectativas da FADU para este evento?

Sempre que se fala na organização de uma prova desportiva internacional na Academia Minhota, necessariamente que as expectativas são muito altas. Não existe outra instituição de ensino com um número de organizações de provas internacionais sequer próximo do número da UMinho. O Campeonato Europeu Universitário de Voleibol, em 2021, será também marcante, porque representa o regresso à organização de uma prova que marcou o início da caminhada da UMinho na organização de campeonatos europeus. Desta vez em Guimarães (em 2004 tinha sido em Braga), evidenciando desta forma a forte preocupação de desenvolvimento desportivo dos dois campus da universidade. O desejo da FADU é que a melhoria seja uma constante e estamos certos de que será mais um evento de sucesso.

Gostaria de deixar alguma mensagem para os estudantes do ensino superior, em geral, e para os da UMinho, em particular?

Sim. Uma mensagem óbvia: participem nas atividades extracurriculares que as Instituições de Ensino Superior oferecem e, claro, que a preferência sejam as atividades desportivas! No desporto encontrarão o bem-estar físico e psicológico que tanto procuram para o sucesso do vosso percurso académico. No desporto promoverão o conceito de universidade aberta, universal e inclusiva, onde as origens étnicas, culturais, religiosas ou socioeconómicas, nunca constituirão uma barreira. Com a publicação do Estatuto do Estudante-Atleta são cada vez menos os motivos que têm para não praticar desporto. Participem!

Redação

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