AP (16)
Entrevista.com, 17.06.2019 às 14:43
À Academia deixo uma palavra de confiança na qualidade dos bens e serviços que prestamos
António Paisana é Administrador dos Serviços de Acção Social da Universidade do Minho (SASUM) há cerca de um ano e meio. Em entrevista ao UMDicas fez um balanço deste trajeto à frente dos Serviços, falou-nos do presente e projetou o futuro da Instituição.Chegado à Instituição a 1 de novembro de 2017, António Paisana interrompeu a docência para ficar à frente dos destinos dos SASUM. Neste curto trajeto as mudanças, projetos e iniciativas implementadas na organização foram muitas, sendo o grande objetivo capacitar os SASUM para acolher novos futuros.



É Administrador dos Serviços de Acão Social da Universidade do Minho (SASUM) há cerca de um ano e meio. Foi, até à data desta nomeação docente nesta Universidade. Em que se alterou a sua vida com o abraçar deste projeto? Quais os maiores desafios e dificuldades com que se tem deparado?

Naturalmente que são funções completamente díspares em termos de atuação, ainda que quando se exerce as duas na sucessão como foi a do meu caso, seja inevitável que muito do primeiro perfil transbordará inevitavelmente para o segundo.
Por um lado, ser-se Administrador de uma Unidade de Serviços da Universidade do Minho como são os SASUM, dotados de autonomia administrativa e financeira, com um orçamento superior a 9 milhões de euros e com cerca de 280 trabalhadores é, por si só exigente numa perspetiva de desempenho e estará associado a um maior número de pressões de mais curto prazo do que propriamente as da vida de um docente.
No entanto, a intensidade e a multiplicidade de assuntos que requerem decisão no momento, cada qual enquadrado num contexto estratégico interno e externo próprio, é algo de muito absorvente e desafiante. É precisamente o pensamento estratégico, crítico e coletivo das coisas que considero ser importante encorajar em todos os níveis de decisão dentro da organização. Não basta gerir o dia a dia e gerar uma bateria de indicadores no fim de um determinado período de tempo. O foco tem que ir para além disto. Há que questionar aquilo que fazemos e temos no presente, na procura de criar o futuro, pensando estrategicamente a organização. E aquilo que um docente faz envolve muito questionar o conhecimento das coisas tendo em vista o progresso da humanidade. Foi seguramente no contexto daquele pensamento que a organização SASUM foi convidada a repensar o seu regulamento orgânico e estatutos de modo a capacitá-la para acolher novos futuros.
Acresce que em mais de 43 anos de existência os SASUM tiveram apenas três Administradores e este facto colocaria de imediato, a quem não partilhasse do estilo de liderança e de gestão prevalecente, o desafio de garantir a estabilidade organizacional e, simultaneamente, a confiança dos utentes, num quadro necessariamente de mudança.
Contudo, realce-se que só uma organização com processos de trabalho muito bem definidos – em todas as suas áreas de atividade, desde os serviços de apoio à produção de bens e de serviços prestados, - e com trabalhadores comprometidos e focados em alcançar determinadas metas de desempenho –, como foi e é, o caso dos SASUM - poderia suportar a imensidão de mudanças que se verificou neste período de tempo.
Contudo, muito caminho haverá ainda a percorrer até que se consigam recursos que permitam a implementação plena do regulamento orgânico, entretanto já aprovado.
Para além destas questões, evidentemente que persistem dificuldades de compreensão e implementação de um determinado número de regras da contratação pública e também das associadas à lei do orçamento do estado deste ano que não reconhecem devidamente a realidade da atividade dos Serviços de Acção Social. Acresce que o Estado continua a não cumprir com aquilo que determina e das duas uma: ou as organizações suportam – com custos a longo prazo por não poderem alocar recursos para outros fins (nomeadamente em investimento) – aquilo que lhes foi imposto (regularização dos precários) ou protelam correções de situações de manifesta injustiça. É assim que os SASUM, na dimensão da sua realidade, foram os únicos no país que terminaram a integração plena dos seus trabalhadores precários em maio de 2018, mas que tiveram que suportar um impacto financeiro marginal de 125 mil euros em 2018 e de 219 mil euros em 2019, sem que para tal tenham sido ressarcidos.

Os SASUM disponibilizam à comunidade valências e atividades como: alojamento, alimentação, desporto, bolsas de estudo, apoio médico, bem como outras atividades direcionadas para a proteção e bem-estar dos estudantes. Como caracteriza a Instituição enquanto serviço à comunidade académica?

A missão dos SASUM está claramente definida nos seus Estatutos, o relato da sua atividade descrita no relatório de atividades e o seu desempenho nas respetivas contas. Creio que atingimos com distinção aquilo que nos propusemos no plano que estabelecemos em 2018 para 2019 e com o rigor orçamental exigido. Estou certo que os estudantes e a comunidade académica reconhecem o mérito daquilo que fazemos. Queremos estar cada vez mais próximos dos nossos utentes de modo a poder proporcionar-lhes um alojamento mais confortável, uma alimentação mais saudável, uma prática desportiva diversificada e um apoio médico apropriado às suas necessidades. Se conseguirmos alcançar aqueles objetivos de uma forma sustentável estaremos a cumprir com a nossa missão e a contribuir para que os estudantes obtenham a formação completa que procuram.

2019 foi apresentado como o “Ano do Trabalhador” nos SASUM. Quais os objetivos e que iniciativas têm sido levadas a cabo neste âmbito?

As bases de orientação estratégica definidas para balizar as atividades dos SASUM, a partir de 2019, assentam em três pilares principais que se conjugam entre eles. A saber: as pessoas, o investimento e mais e melhores serviços. No que às pessoas diz respeito, decidiu-se adotar o ano de 2019 com o Ano do Trabalhador dos SASUM. O Ano do Trabalhador é, pois, uma iniciativa que está e irá decorrer ao longo de 2019 envolvendo múltiplas ações que visam promover uma maior integração, mais proximidade e, deste modo, mais compromisso com os Serviços no seu todo. Estas ações incluem a melhoria das condições de trabalho e o bem-estar geral dos trabalhadores tendo sido criado um grupo de trabalho multidisciplinar que pensou e já empreendeu várias medidas específicas e atividades diversas. Destacam-se a promoção de reuniões periódicas do Administrador e das estruturas dirigentes com qualquer trabalhador que pretenda expor uma situação ou fazer uma sugestão relativa ao serviço ou à sua função, a comemoração de dias ou meses temáticos com os trabalhadores; ações de team building; de reconhecimento público de mérito e de antiguidade de trabalhadores; formação profissional direcionada; mobilidade internacional – aqui, estendendo e incentivando os trabalhadores a participar nos programas de mobilidade internacional que a UMinho oferece; bem como atividades de promoção da saúde e bem estar dos trabalhadores, que compreendem desde a ginástica laboral no posto de trabalho a exames médicos gratuitos, consultas de nutrição, entre outras. Acrescem, finalmente, as medidas tendentes à criação de condições para a conciliação da vida pessoal com a vida profissional, dimensão a que damos particular relevo.
Com esta iniciativa, que se desenvolve num espaço temporal pré-definido – até dezembro próximo –, pretende-se lançar as bases e avaliar as iniciativas cujo impacto seja mais relevante, que tenham merecido mais acolhimento e tenham mostrado ser efetivas, projetando-as e repetindo-as no futuro para que este “Ano do Trabalhador” se constitua como um legado, como um conjunto de práticas e de uma cultura que passe a integrar continuamente o Plano de Atividades dos Serviços nos anos vindouros. Pretende-se, pois, e este será talvez o seu objetivo maior, que o Ano do Trabalhador exceda o espartilho temporal que lhe subjaz e que todos os subsequentes anos continuem a ser anos do trabalhador.

Os SASUM têm vindo a fazer uma grande aposta na área da sustentabilidade. O que tem sido feito e onde querem chegar?

A área da sustentabilidade teve de facto um enorme impulso e um impacto na comunidade académica em geral de grandíssimo significado desde a criação de um gabinete nos SASUM para o efeito. E como em todas as áreas, os projetos são as pessoas que os desenvolvem e nos SASUM este padrão confirmou-se, assim como também se seguiu uma estrutura para o seu desenvolvimento à volta das 3 grandes dimensões normativas, a saber: ambiental, social e económica. Mas tudo começou com a conceção de um Plano Estratégico de Sustentabilidade, que se encontra a ser operacionalizado, e com o fato de, desde cedo, se ter sentido que seria possível traçar metas estratégicas ambiciosas e assertivas, nomeadamente o de sermos o número um entre os prestadores da ação social no ensino superior em Portugal em matéria da sustentabilidade, contribuir para o desenvolvimento sustentável da região e para criar as melhores condições de bem-estar a todos os estudantes e comunidade académica. É neste quadro que tudo se tem vindo a realizar e em que tudo o que está planeado realizar se deverá enquadrar. Assim, e no que ao primeiro diz respeito, a comunidade académica foi convidada, ao longo do último ano e meio, a participar em inúmeras ações e desafios onde se incluem a colocação de 100 mini-ecopontos nas instalações, na substituição dos talheres, pratos e copos de plástico nos bares por elementos reutilizáveis, eliminação das palhinhas e substituição de 90 000 copos de plástico por copos de papel nas máquinas vending; eliminação das saquetas de talheres que resultou numa poupança de 15 horas de trabalho/dia de preparação, 7085€ associados à aquisição das saquetas e mais de 2 toneladas de papel por ano. Recolheu-se também um número recorde de brinquedos com mais de 5 000 brinquedos angariados, desenvolveu-se e operacionalizou-se um plano de ação de sustentabilidade para as Fases Finais dos Campeonatos Nacionais Universitários em Guimarães com grande impacto na comunidade e, recentemente, e estabeleceu-se um protocolo com uma empresa de recolha de roupa no sentido de disponibilizar pontos de recolha de roupa usada nos Campi Universitários.
Presentemente, estamos a trabalhar na obtenção da certificação da ISO 14001:2015 Sistema de Gestão Ambiental, tornando-nos os primeiros Serviços de Acção Social do país a sê-lo e estamos empenhados na implementação de sistemas geradores de energia verde e em mecanismos redutores do consumo de água. Finalmente, submetemos uma candidatura conjunta com os Serviços de Acção Social de Trás-os-Montes e Alto Douro no âmbito de um programa europeu para a desmaterialização das senhas e desenvolvimento de uma App transversal a todos os serviços disponibilizados pelos SASUM.

Depois dos Campeonatos Nacionais Universitários, a UMinho recebe em julho o Campeonato Europeu Universitário de Futsal. O que espera do evento?

A organização do Campeonato Europeu Universitário de Futsal é como se sabe uma organização conjunta que envolve a UM/SASUM e a AAUM. Uma parceria de há longos anos e que nos honramos de pertencer. Acresce que dada a dimensão do evento, haverá outros parceiros de enorme importância nomeadamente a Câmara Municipal de Braga (que apoiará diversas cerimónias protocolares, disponibilizará o Altice Forum e o Pavilhão Municipal de Lamaçães para alguns dos jogos e garantirá o apoio dos Transportes Urbanos de Braga no âmbito da mobilidade) e a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) em questões relacionadas com o enquadramento técnico da modalidade. A este nível será seguramente mais um grande momento de afirmação organizativa que a EUSA (instituição reguladora europeia) - assim como todos os participantes - não deixarão de reconhecer. Em termos de dimensão, teremos cerca de 20 equipas masculinas e 12 femininas O total de pessoas envolvidas totalizará mais de 900 – incluindo perto de 150 voluntários – e os números associados ao apoio que será disponibilizado ao longo das 2 semanas de competição são impressionantes: prevêem-se servir cerca de 15 000 refeições e alojar cerca de 700 pessoas nas Residências Universitárias e em mais duas unidades hoteleiras de Braga. O evento contará ainda com uma ampla divulgação dos jogos – transmissão streaming via Youtube – e um envolvimento ativo da FPF no que a ações de formação – que decorrerão ao longo do evento – diz respeito. Será certamente um acontecimento com grande visibilidade internacional, com equipas provenientes de 15 países: Alemanha, Croácia, Espanha, França, Geórgia, Israel, Itália, Noruega, Polónia, Portugal, Roménia, Reino Unido, Rússia, Turquia e Ucrânia. Finalmente, será também um grande momento para a afirmação do desporto universitário europeu em todas as suas vertentes – da ética, do fair play, da igualdade e da sua contribuição para a formação académica universitária.

Quais os objetivos e prioridades dos SASUM para 2019/2020?

Temos o nosso Plano para 2019 claramente definido e é com ele que estamos comprometidos. Em primeiro lugar, cuidar das pessoas dentro das restrições impostas pela Lei do Orçamento do Estado e naturalmente no contexto da sustentabilidade financeira futura dos Serviços. Recentemente terminámos um plano de mobilidade inter carreiras em que corrigimos algumas situações de desequilíbrio e estamos a terminar o processo de avaliação do biénio. Continuaremos com as ações no âmbito do Ano do Trabalhador. Em segundo lugar, há a questão do investimento. Protelámos investimento no passado e agora temos um acumulado a que urge dar resposta. Ao nível de infraestruturas, mas também de equipamento. Também aqui estamos no processo de modernização total da nossa oferta de máquinas de musculação nas instalações desportivas. Mas falta muito mais. Há equipamentos e maquinaria em unidades produtivas cuja vida útil terminou e necessitam de substituição, há condições físicas ambientais em algumas destas unidades que precisam de intervenção, há que melhorar áreas circundantes de bares em Gualtar (CP1 e CP2), há planos para criar uma zona de cozinha no Complexo Residencial de Azurém. Em terceiro lugar, gostaríamos de pensar que se irá concretizar o aumento da nossa capacidade de alojamento no âmbito do programa que o Governo anunciou em tempo.

Qual o orçamento dos SASUM para 2019?

O orçamento para 2019 é de cerca de 9 milhões e 300 mil euros em que mais de 62% são receitas próprias e perto de 6% são transferências da União Europeia, através da Agência de Modernização Administrativa. Do lado das despesas, a rúbrica de pessoal representa cerca de 46%, o funcionamento representa 51% e o capital cerca de 3%.

Que mensagem gostaria de deixar à Academia e aos trabalhadores dos SASUM?

À Academia deixo uma palavra de confiança na qualidade dos bens e serviços que prestamos. Estamos certificados nos nossos procedimentos nas áreas cruciais da nossa atividade. Temos trabalhadores empenhados e competentes, estamos comprometidos com o futuro através dos investimentos que vamos fazendo nas infraestruturas e em equipamentos, mas também, e sobretudo, nas pessoas. Aos trabalhadores dos SASUM, reafirmo o desejo e o compromisso com o seu desenvolvimento pessoal e profissional. Proximidade e reconhecimento do valor que acrescentam, partilhando o sucesso que vamos alcançando!

Texto: Ana Coimbra

Fotografia: Nuno Gonçalves

Arquivo de 2019