PCruz (27)
Entrevista.com, 06.05.2019 às 09:43
"... todos temos de fazer parte e fazer a nossa parte com entusiasmo e convicção. "
Pró-reitor para a Qualidade de Vida e Infraestruturas, Paulo Cruz iniciou a sua carreira como docente da Universidade do Minho (UMinho) em 1989, inicialmente no Departamento de Engenharia Civil, de que foi diretor em 2003 e 2004, e, posteriormente, na Escola de Arquitetura, a que presidiu entre 2004 e 2011. É Professor Catedrático de Construção e Tecnologia na Escola de Arquitetura desde 2008. O UMdicas esteve à conversa com o Pró-reitor que nos falou de si, da UMinho, do pelouro que lidera, do futuro…garantindo que o que mais o fascina em todos os cargos que já desempenhou é a oportunidade de dar o seu melhor contributo para o progresso das entidades e instituições que representa.

É Pró-reitor da UMinho desde novembro de 2017. De que modo estas novas funções alteraram a sua vida?

Apesar de, ao longo dos já trinta anos em que sou docente na Universidade do Minho, ter desempenhado muitos cargos de gestão, reconheço que o de Pró-Reitor é bem mais desafiante dado que tem implícito outro grau de exigência e traduz-se numa agenda, inevitavelmente, mais densa, dinâmica e com registos muito variados. Por outro lado, integrar a equipa reitoral permite ter uma visão mais profunda e holística da instituição e uma melhor perceção dos desafios e oportunidades que se lhe colocam, frequentemente em cenários de grande incerteza e dificuldade. Em síntese, ser Pró-reitor implica, sem dúvida, níveis redobrados de “stress”, requer prontidão, resiliência e perseverança. Ainda que, não poucas vezes, se traduza em escassas horas de sono, considero ser uma experiência particularmente gratificante que procuro desempenhar com seriedade e sem deslumbramento.

Com uma vasta carreira académica e tendo ocupado vários cargos de responsabilidade em outras entidades/instituições, qual o papel que mais o fascina?

Sinceramente, o que mais me fascina nesses cargos é a oportunidade de dar o meu melhor contributo para o progresso dessas entidades e instituições. É a preocupação do legado desse envolvimento ser positivo. É a convicção de que cada uma das tarefas exige e merece todo o empenho e a dedicação e que as recompensas desse esforço são a aprendizagem, a superação e conseguir atingir a reconfortante sensação de dever cumprido.

Qual é a essência do pelouro que lidera?

O compromisso de assumir os valores de defesa do desenvolvimento sustentável e da inclusão, promovendo a preservação e a melhoria contínua do património edificado e natural. Por outras palavras, contribuir para uma universidade com menos barreiras, que privilegia modos de mobilidade suave e segura e que reconhece que os espaços públicos e verdes representam um fator decisivo de qualidade de vida e bem-estar.

Quais são os principais objetivos da pró-reitoria da Qualidade de Vida e Infraestruturas até 2021?

São muitos e variados, mas destacaria os seguintes: a promoção de qualidade de vida nos campi; a elaboração de um plano estratégico de desenvolvimento dos campi; a elaboração de um plano promotor de práticas inclusivas; a promoção, monitorização e avaliação de políticas e planos de sustentabilidade; a preparação de orientações e planos para a gestão do património edificado e dos espaços exteriores; a participação da Universidade em redes ou consórcios no âmbito da sustentabilidade e qualidade de vida nos campi.

No âmbito da sua tutela, quais são os projetos/planos mais importantes a curto/médio prazo?

Os planos são os que acabei de referir. Um conjunto de instrumentos estratégicos em domínios aparentemente diversos, mas interligados e muito desafiantes, tais como o desenvolvimento dos campi, a sustentabilidade ambiental e energética e a inclusão. Os projetos de infraestruturas mais relevantes que deverão ser executados num futuro próximo são, entre outros, o edifício do Term Hub, o Centro Multimédia, a adequação do Pavilhão 6 do Campus de Azurém a um espaço eclético para acolhimento de investigadores e a melhoria das condições de climatização de alguns edifícios de Gualtar.

A UMinho é a melhor universidade portuguesa em desenvolvimento sustentável. Como recebeu esta notícia?

Com enorme satisfação, mas também com a responsabilidade, acrescida, de ter de fazer sempre mais e melhor nesse domínio. É sobejamente sabido que a sustentabilidade é assumida como um pilar estratégico da política institucional da Universidade do Minho. Em 2014 foi a primeira instituição de ensino superior em Portugal a subscrever o Pacto Global das Nações Unidas, convicta do seu compromisso público e voluntário em cumprir os dez princípios fundamentais sobre direitos humanos, práticas laborais, proteção ambiental e anticorrupção. Nas duas últimas edições do UI GreenMetric World University Rankings a Universidade do Minho foi considerada a melhor instituição de ensino superior portuguesa em sustentabilidade, estando posicionada entre as 10% melhores a nível mundial. Essa posição resultou da avaliação do seu desempenho e contributo em critérios tão diversos como o meio ambiente e infraestruturas, a energia e as alterações climáticas, os resíduos, os recursos hídricos e a educação.

Recentemente a Times Higher Education lançou um ranking específico nesta área, o THE University Impact Rankings. Esta primeira edição teve por base onze dos dezassete Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. A Universidade do Minho apresentou evidências em cinco desses objetivos, a saber: ODS 3 - Saúde de qualidade; ODS 4 - Educação de qualidade; ODS 9 - Indústria, inovação e infraestrutura; ODS 11 - Cidades e comunidades sustentáveis e ODS 17 - Parcerias para a implementação dos objetivos. Conseguimos conquistar a primeira posição a nível nacional e ocupar uma notável posição em dois desses objetivos a nível mundial. No que se refere à missão mais central da Universidade – educação de qualidade – ocupamos a 21ª posição, entre mais de 450 instituições de ensino superior de 76 países, que convirá reconhecer não ser coisa pouca.

No que concerne as parcerias para a implementação dos objetivos ocupamos a 25ª posição. A este respeito devo também referir o privilégio que significa integrar, desde 2018, o Advisory Committee da International Sustainable Campus Network e o Steering Committee Meeting da UI GreenMetric World University Rankings Network. A partilha de experiências e boas práticas nessas redes é, sem dúvida, uma fonte de inspiração e de melhoria contínua.

Quais os maiores desafios da UMinho no âmbito da sustentabilidade e qualidade de vida nos campi?

Rigor, conhecimento, partilha, investimento e envolvimento. Rigor na recolha de dados e informação. Conhecimento e divulgação das melhores boas práticas. Investimento crescente. Envolvimento e comprometimento de toda a comunidade em prol desses desafios.

A comunidade académica da UMinho goza de qualidade de vida nos campi?

Sem dúvida alguma. Se tivermos em conta a percentagem da área verde dos campi de Azurém e de Gualtar, da qualidade do ar, do clima ameno que temos nesta região em grande parte do ano, e dos níveis de segurança dos campi e das cidades em que estão inseridos, das condições para a prática desportiva e da oferta cultural, facilmente se reconhecerá que temos condições invejáveis. Sem prejuízo, naturalmente, de podermos e querermos implementar medidas que estimulem uma melhor fruição desses espaços e a promoção de hábitos mais saudáveis, i.e., de uma verdadeira cultura de bem-estar. Tornar os campi mais sustentáveis e fazer deles melhores espaços para uma vivência coletiva é uma tarefa de todos. Temos de “dessacralizar” as praças, os relvados, alguns corredores... para que nesses espaços e quando menos esperemos nos interpelem com poesia, com música, com arte, com desporto, com pensamento, com mercados de produtos ecológicos, etc. etc.Como se dizia em Maio de 68 “sejamos realistas, exijamos o impossível”! Temos de ser mais exigentes, mais ativos, mais criativos.

A UMinho fez este ano 45 anos. Como estamos em termos de infraestruturas?

A preservação e a melhoria contínua do património edificado e natural da Universidade, dos espaços pedagógicos e laboratoriais, das residências e dos espaços de alimentação, das instalações dedicadas à atividade desportiva e dos espaços verdes constituem desafios permanentes. A Universidade do Minho tem um parque edificado com características, idades e padrões de qualidade muito diversos. A sua progressiva conservação e reabilitação terá de assumir uma importância crescente nas próximas décadas. Reparemos que, por exemplo, não podemos dissociar a melhoria do desempenho energético dos edifícios da necessidade de investimentos avultados nessa matéria, nomeadamente na substituição de alguns componentes menos eficientes.

Como se compreenderá, a escassez de recursos financeiros e de programas de financiamentos adequados constitui um constrangimento que não podemos escamotear. Entretanto, o desenvolvimento e a implementação de adequadas e avançadas ferramentas de apoio à decisão, que permitam a hierarquização de prioridades e uma mais adequada calendarização das intervenções de conservação, têm constituído uma aposta estratégica da Reitoria e dos serviços competentes nesta matéria, os Serviços Técnicos. É, também, vice-presidente do Conselho Diretivo do Laboratório da Paisagem. Quais são os projetos científicos desenvolvidos pelo Laboratório da Paisagem em parceria com a Universidade do Minho? Ao longo destes últimos anos contabilizamos muitos projetos científicos alinhados com a missão e visão do Laboratório da Paisagem, nomeadamente no que respeita à consciencialização ambiental e à proteção dos recursos naturais. Isso inclui projetos em domínios tão variados como o ambiente, a biologia, a ecologia, a geografia e a hidráulica.

Poderemos afirmar que, até aqui, o Laboratório da Paisagem deu particular atenção à monitorização de parâmetros relacionados com a sustentabilidade ambiental, de que destaco a monitorização das linhas de água, a monitorização da qualidade do ar de Guimarães e a monitorização do solo em áreas rurais (agrícolas e florestais). Nesse contexto alguns dos projetos mais emblemáticos terão sido o AquaBioScape, o Risk AquaSoil e o BiodiversityGo! Importa também referir que no passado recente foram muitos os colegas da Universidade do Minho que se envolveram ativamente na preparação da candidatura de Guimarães a Capital Verde Europeia e que, estou certo, continuarão a trabalhar em prol desse ambicioso projeto.

É responsável pela promoção do desporto universitário e da prática desportiva, em articulação com os Serviços de Ação Social e com a Associação Académica da Universidade do Minho. Como vê o desporto na UMinho, quer no que respeita à prática desportiva quer no que respeita à participação em competições?

Por várias razões vejo-o com “muito bons olhos”!

Texto: Ana Coimbra

Fotografia: Nuno Gonçalves

Arquivo de 2019