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Entrevista.com, 05.02.2019 às 11:10
“É nossa missão fazer com que ela (tradição) perdure até às próximas gerações uma vez que um povo que renegue o seu passado, é um povo sem futuro.”
O Grupo Folclórico da Universidade do Minho (GFUM), com um historial de 25 anos, não para de nos surpreender. Nos últimos cinco, reinventou-se, trouxe à academia, à cidade e à região, uma lufada de ar fresco, misturando tradição e modernidade!

Como tem sido estes últimos cinco anos de “renascimento” do GFUM?

O GFUM tem-se afirmado nestes últimos anos como um grupo de intensa promoção e salvaguarda da cultura tradicional popular do Baixo Minho. Através da música e da dança, o grupo tem efetuado um trabalho de divulgação em diferentes contextos dando a conhecer as variadas manifestações típicas da cultura da região.


Vocês têm sido bastante ativos nas redes sociais e na forma como comunicam com os media. Isso foi estratégico na vossa reentrada na vida cultural da academia e da região?

A comunicação do GFUM através das redes sociais tem sido um fator importante na promoção do grupo. A nossa página é uma referência no seio dos grupos do mesmo género pelo registo de cada evento, o cuidado nas fotografias apresentadas e a apresentação de vídeos devidamente produzidos. Também a relação com os media tem sido igualmente trabalhada, uma vez que têm feito a cobertura de todas as nossas principais atividades.


O espetáculo de vídeo mapping “Braga é tradição” foi um dos momentos altos desta celebração dos 25 anos. Como é que surgiu esta ideia?

Na elaboração do plano comemorativo dos 25 anos surgiu a ideia de realizarmos um espetáculo totalmente diferente do convencional em que uníssemos a tradição e modernidade. Nada melhor do que um vídeo mapping que, desde logo, suscitou o interesse e apoio da Reitoria da Universidade do Minho, pelos objetivos pretendidos com este evento: evidenciar a cultura popular e como ainda hoje é possível aliar a contemporaneidade na sua apresentação. Os objetivos foram alcançados e o espetáculo foi um sucesso.


Tem sido fácil atrair esta geração “online” para um grupo como vosso?

Temos tido vários desafios ao longo destes anos. Nem sempre é fácil atrair as atenções da comunidade académica para o grupo, uma vez que vivemos numa academia onde existem vários grupos culturais e, alguns, de maior capacidade atrativa do que um grupo folclórico. Contudo, temos tido um número constante de alunos interessados em integrar o projeto, uma vez que se une o canto, a dança e a aprendizagem de diferentes instrumentos musicais. Este é um fator de distinção perante a múltipla oferta cultural.


E a interação entre as diferentes gerações, como tem sido?

A interação entre as diferentes gerações é, a nosso ver, ponto essencial do GFUM. Nenhum grupo é tão especial como este, no que toca à promoção do companheirismo e boas relações entre elementos de idades tão díspares como dos oito aos sessenta e oito. A relação entre os elementos do grupo passa por isto: os mais velhos gostam da jovialidade que encontram no grupo e os mais novos procuram a assertividade e camaradagem dos mais velhos.


Porquê uma digressão a Itália?

A digressão de 2018 surgiu através de um intercâmbio cultural. O GFUM esteve uma semana na região sul da Itália, onde promoveu os usos e costumes da região do Baixo Minho nas cidades de Nápoles, Matera e Potenza. Através do traje, música e dança, o grupo deu a conhecer o seu trabalho a diferentes associações e autarquias locais.


O que podemos esperar do espetáculo de encerramento das comemorações do 25º aniversário?

O espetáculo “À Moda do Minho” irá recriar diferentes quadros das vivências dos nossos antepassados. Numa teatralização, pretendemos levar ao palco um conjunto de cenários característicos do povo desta região, no período cronológico que representamos, evidenciando a sua religiosidade, mas também o quotidiano marcado pelo trabalho, bem como a festa e o lazer.


O Grupo vai abrandar um pouco nos próximos tempos?

Depois de um intenso ano de comemorações, o grupo irá abrandar em alguns contextos como, por exemplo, na realização de exposições ou lançamento de publicações. Contudo, realizamos alguns eventos que suscitaram, desde logo, a curiosidade do público e, ao que tudo indica, serão para manter.


Quais são os próximos projetos?

Terminadas as comemorações dos 25 anos, teremos a quarta edição do recital “Canção Bracarense” que se realizará em março. Este concerto visa a promoção dos diferentes cancioneiros da região onde se faz uma viagem pelas tradições do Baixo Minho. Além deste projeto, estamos a preparar um novo festival bem como diferentes espetáculos integrados em protocolos com municípios e instituições da região.


A tradição ainda é o que era?

Nós sentimos que sim. A tradição acompanha os tempos e reinventa-se consoante o tempo, o espaço e o contexto. Hoje vivemos as tradições de uma forma diferente dos tempos dos nossos pais ou avós, mas ela continua presente. É nossa missão fazer com que ela perdure até às próximas gerações, uma vez que um povo que renegue o seu passado, é um povo sem futuro.


Em que dias, horário e local é que vocês ensaiam?

Os ensaios são às terças-feiras, pelas 21h30 no Bar Académico, em Braga.


Querem deixar uma mensagem à Academia?

O Grupo Folclórico da Universidade do Minho convida todos os elementos da comunidade académica a ingressar no grupo, motivo de orgulho para a academia, mas também para a cidade de Braga. Juntem-se a nós para defendermos aquilo que é mais nosso e que mais nos caracteriza: as tradições. Apareçam!

Texto e Fotografia: Nuno Gonçalves

Arquivo de 2019