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Entrevista.com, 25.09.2017
"Ter uma universidade de topo na mesma cidade onde cresci era um bónus que decidi aproveitar"
UMinho
Gueorgui Nikolov, também conhecido entre os seus pares como "O Bonitão", é mais um excelente exemplo da carreira dual, sucesso nos estudos e no desporto. Membro da mítica equipa de Andebol da UMinho que espalhou magia por essa Europa fora, Niko (para os amigos) licenciou-se em Tecnologias e Sistemas de Informação, estando agora a desempenhar funções de Global Financial Controller numa das maiores empresas mundiais de "commodities".

O que te levou à UMinho e ao curso de Tecnologias e Sistemas de Informação?

Em primeiro lugar, o prestígio, tanto da UM como do curso de TSI (na altura era Informática de Gestão), que naturalmente garantiam uma entrada relativamente fácil no mercado de trabalho. Alem disso, o facto da minha irmã, que sempre foi um exemplo para mim, estudar na UM nessa altura ajudou bastante na minha decisão. Por fim, a proximidade, ter uma universidade de topo na mesma cidade onde cresci era um bónus que decidi aproveitar.

De que forma é que a tua escolha moldou o teu futuro profissional?

O curso de TSI abrange várias áreas de conhecimento, desde Linguagens de Programação a Economia, o que permite criar raízes que, à posteriori podem ser moldadas e aperfeiçoadas ao longo da vida profissional.

Como é que foram esses anos na academia minhota?

Espetaculares! Claro que houve momentos difíceis em que tive de estudar muito, noitadas a fazer trabalhos de grupo, semanas a estudar para os exames, no entanto muito mais foram os momentos de divertimento, companheirismo e de grandes amizades que ficam para a vida!

Como é que se deu a tua entrada para o desporto na UMinho?

Sendo jogador de andebol, tinha muitos amigos que já faziam parte da equipa de andebol da UM e as coisas aconteceram naturalmente.

Que recordações guardas do desporto universitário, das atividades desenvolvidas na Universidade e pela Universidade?

Apenas boas, mas é melhor não revelar detalhes (sorrisos)! Apesar da UM não oferecer curso desportivo, investe bastante em atividades desportivas e, durante o período que estudei lá foram imensas - campeonatos nacionais, torneios, jogos, inúmeros eventos e outras atividades sociais - isso tudo proporciona momentos para mais tarde recordar.

Qual foi o momento mais marcante que tiveste enquanto atleta da UMinho?

Foram muitos os momentos inesquecíveis. Mas recordo especialmente os Campeonatos Europeus, em França (2006) e na Polónia (2007). Houve uma mistura de emoções fortes, por um lado a tristeza de perdermos duas finais - em França muito injustamente para a equipa da casa, a segunda contra a equipa da Bieolorússia que tinha vários jogadores profissionais - por outro lado uma alegria enorme pelo caminho que percorremos até chegar la, vencermos equipas que eram muito mais fortes do que nós, e mostrarmos que apesar de sermos "baixinhos" sabemos jogar andebol de qualidade! Tínhamos um grupo fantástico, penso que representávamos tudo o que Amizade, União e Divertimento quer dizer, isso sim, foi o que mais me marcou.

Achas que foi importante (o desporto) no teu desenvolvimento enquanto indivíduo?

Sim, certamente! Aprendi a ser melhor pessoa, a ajudar os outros, a saber partilhar, a saber "cair" e levantar-me mais forte e a saber trabalhar em equipa que, hoje em dia, é algo essencial no mundo do trabalho.

Numa altura em que cada vez mais se fala de mobilidade e o mercado de trabalho exige que hoje estamos aqui e amanhã do outro lado do oceano, como avalias a importância do programa ERASMUS?

Penso que tem um papel fulcral. Além da mobilidade, a maioria das empresas internacionais são multiculturais e, tens que saber lidar com pessoas de costumes e culturas muito distintas. Nesse aspeto o programa ERASMUS ajuda muito. Ainda numa fase de incerteza na tua vida, mudas-te para um país diferente do teu, rodeado de pessoas de todos os cantos do mundo e aos poucos começas a perceber e a aprender que realmente existem maneiras diferentes de lidar com determinadas situações e que, algo normal no teu dia-a-dia pode ser uma coisa impensável para a pessoa ao teu lado. Claro, toda gente "sabe" isso, mas uma coisa é saberes outra, completamente diferente, é viveres isso. O "ERASMUS" é algo que recomendo vivamente!

A tua entrada no mundo profissional deu-se em 2008 na Bulgária. O que é que te levou a emigrar?

É uma história um pouco estranha? Não foi o trabalho ou a falta dele que me levou a emigrar. Quando acabei a licenciatura na UM fui passar umas férias a minha terra natal (Bulgária) e gostei bastante, então decidi que fazer mestrado lá. No entanto nesse ano não consegui inscrever-me devido atrasos burocráticos e comecei a minha carreira profissional numa empresa local em webdesign...

Foi difícil essa passagem do mundo académico para a realidade do mundo do trabalho?

Na realidade não foi tão complicada como esperava! Quando terminei o curso tinha a sensação de que não estava minimamente preparado para começar a trabalhar mas, tanto nessa empresa como nas outras que trabalhei, tive formação e algum tempo para me adaptar à cultura, aos valores e à maneira de trabalhar da empresa. Aliando isso ao conhecimento que adquiri na Universidade, as coisas aconteceram naturalmente.

O salto para a IBM, como se deu? Como foi essa experiência numa das maiores empresas do mundo na sua área?

O salto para a IBM foi por acaso, talvez ironia do destino. Nessa altura já estava com o pensamento de voltar para Portugal, entretanto apareceu uma oportunidade de trabalhar na IBM. Candidatei-me para ver o que acontecia e, passados dois meses já estava a trabalhar num edifício com mais de 400 pessoas de 15 diferentes nacionalidades. Foi uma experiência incrível e tive a sorte de poder mudar de posição várias vezes durante os cinco anos que permaneci lá e ver como funcionam as coisas nos diferentes níveis da organização.

Neste momento estás na Louis Dreyfus. O que é te levou a sair da IBM e quais são as tuas atuais funções?

Sim, há quase 3 anos decidi mudar-me para a Louis Dreyfus Company, um tipo de empresa bastante diferente da IBM, no entanto uma das maiores empresas de "commodities" do Mundo. Quando me convidaram, nem hesitei em aceitar, fiz parte de um projeto aliciante em que tivemos de criar três "Financial Shared Services Centers", em três continentes diferentes, para suportar as operações da empresa. Nessa altura o meu cargo era de Project Management Officer, agora desde Maio deste ano, sou Global Financial Controller e como principal função tenho que verificar que os nossos gastos de Operação estão dentro daquilo que foi planeado.

Na tua área de conhecimento, como é que está o mercado de trabalho?

Neste momento aqui na Bulgária há muita oferta, tanto na área das Finanças como em Sistemas de Informação.

Onde é que te vês daqui a 10 anos?

Durante os últimos 10 anos aprendi que o mundo é muito pequeno e dá muitas voltas... por isso não sei. Quem sabe de volta a Portugal e a trabalhar para a UM (sorrisos)?

Achas que Portugal está a produzir mão-de-obra qualificada a mais ou os jovens licenciados estão apenas a pagar a fatura de uma crise que levou muitas empresas à falência?

Penso que em Portugal existem imensos jovens com talento incrível, infelizmente nem sempre as empresas conseguem explorar o potencial todo dessas pessoas, especialmente nesta geração "Y"! Uma geração especial com uma mentalidade muito mais aberta, sem medo de arriscar e de questionar, o que nem sempre cai bem junto das gerações mais velhas. Aliando isso à crise mundial - que levou muitas empresas a falência, outras a mudar localização e ainda aquelas que se aproveitam da crise para "explorarem" os jovens licenciados - tornando assim, o mercado de trabalho para jovens de grande talento, mas sem experiência (obviamente) menos acessível. Assim muitos são quase obrigados a emigrar ou a procurar algo diferente daquilo que se especializaram.

Como é o dia-a-dia do Gueorgui Nikolov?

Rotinado... no entanto tento balancear a parte pessoal com a profissional, evito levar trabalho para casa. Durante a semana, naturalmente passo a maioria do tempo no escritório, depois disso, faço desporto, vou ao cinema, teatro e também gosto de cozinhar. Tento passar o mais tempo possível com a minha mulher e os meus amigos. Durante o fim-de-semana procuro dar sempre umas escapadelas para a montanha ou praia.

Sentes saudades de Portugal?

Sim, muitas-Adoro Portugal!Sinto muita falta da minha família e dos meus amigos. Hoje em dia é muito mais fácil viajar e, graças às tecnologias de comunicação existentes esse sentimentalismo é ligeiramente atenuado.

Que conselho deixas aos milhares de estudantes da UMinho que procuram um futuro mais risonho através de um curso superior?

Que não desistam, que não tenham medo de arriscar, sejam positivos e não se esqueçam que, sempre que uma porta se fecha, outra se abre. Além disso, é muito importante perceberem que, cada coisa a seu tempo. Não tenham pressa em "crescer" e terem sucesso a todo custo. Aproveitem ao máximo a vida universitária, viajem, vejam que existe um outro mundo por aí fora e concentrem as vossas energias naquilo que realmente é importante!

Texto e Fotografia: Nuno Gonçalves

 

(Pub. Set/2017)

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