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Entrevista.com, 06.12.2015
“Em termos científicos, acho que damos uma preparação muito boa aos nossos alunos, o que lhe facilita o futuro…”
UMinho
O UMdicas esteve à conversa com Rui Oliveira, para quem ser diretor de curso tem sido um desafio muito interessante, entendendo que entre outras coisas é preciso saber agir como diplomatas no interesse de todos. Sendo a maior dificuldade que encontra, a falta de tempo, o diretor assume como prioridades do curso, a qualidade e a internacionalização.


Qual a sua formação e trajeto académico?

Sou licenciado em Ciências Farmacêuticas pela Universidade de Coimbra, exerci análises clínicas, trabalhei em alguns locais, depois soube que havia aqui na Universidade do Minho um mestrado em Genética Molecular inscrevi-me e posteriormente fiz doutoramento em Ciências na ECUM tendo ficado aqui a trabalhar como docente.

Como caracteriza a sua função de diretor de curso?

Tem que ser uma pessoa que conhece bem a área científica e com conhecimento científico específico em pelo menos algumas áreas para poder analisar e ver até que ponto as aulas estão a correr dentro do esperado, poder detetar se os planos estão a ser cumpridos. Para além disso, tem que ter um conhecimento das pessoas, não só dos alunos mas também dos colegas que estão a lecionar as disciplinas, pois muitas vezes temos que agir como diplomatas no interesse de todos.

O que o motivou a aceitar "comandar" este curso?

Quando me fizeram o convite, claro que aceitei logo, mesmo sabendo o tempo que isto me iria ?roubar? às aulas e à investigação, e de facto tira muito. Mas tem sido um desafio muito interessante, pois atualmente tenho uma visão muito mais abrangente do curso, uma ligação muito mais próxima com colegas e alunos e tem sido também uma oportunidade de dar o meu contributo para que o curso melhor.

As experiencias anteriores têm-no ajudado no cumprimento da sua função de diretor de curso?

Bastante. Principalmente a experiência que tive a nível do ensino, pois estive durante alguns anos a dar aulas no ensino secundário e em alguns locais um pouco problemáticos e isso deu-me algum "calo", algum "traquejo" para conseguir ver melhor as coisas da perspetiva dos alunos, para tentar compreender os problemas que surgem e resolvê-los o melhor possível.

Quais são as maiores dificuldades no cumprimento da sua função?

A maior dificuldade de todas é a falta de tempo. Abraçar este projeto veio aumentar bastante a carga de trabalho e tornou mais difícil gerir o tempo. Dar aulas, fazer investigação, resolver as situações ou problemas da direção de curso não é fácil. Para além disso, a equipa de Biologia é um bocadinho um caso isolado aqui na Universidade, talvez até no ensino superior, porque houve uma tendência de decréscimo de estudantes no ensino superior, mais numas áreas do que noutras, mas nós tivemos sempre um crescimento, mas a nível de pessoal técnico, para dar apoio nos laboratórios e a nível de pessoal docente, os números estabilizaram ou até diminuíram, o que aumentou ainda mais a nossa carga de trabalho.

No seu entender, porque é que um futuro universitário deve concorrer à Licenciatura em Biologia Aplicada?

Penso que, que como em qualquer outro curso, é preciso gostar. Tem que se gostar de biologia e ter vontade de trabalhar. Se não gosta não vale apena!

Quais são na sua opinião os pontos fortes deste curso? E os pontos fracos?

É um curso muito ligado a aplicações práticas, abarcando várias áreas como, a ecologia, a microbiologia, a biologia animal e a biologia vegetal, isto numa perspetiva muito aplicada mesmo, com aplicação tanto na saúde como na gestão dos parques e espaços naturais na parte da ecologia, esta é a grande marca do nosso curso de Biologia Aplicada em relação às restantes biologias que são lecionadas no ensino superior, as quais têm são específicas de uma ou outra área. Os pontos fracos, se calhar derivam um pouco daí, pois os nossos alunos ficam mais dispersos por todas essas áreas. Mas hoje em dia isso acaba por ser colmatado, as licenciaturas de três anos fornecem esta abertura na formação, mas depois aos nossos alunos têm a possibilidade de se especificarem mais numa ou noutra área na parte do mestrado.

Existem hoje em dia excesso de profissionais em determinadas áreas. O que podem esperar os alunos da Licenciatura em Biologia Aplicada quanto ao mercado de trabalho?

Para variar, dificuldades, tal como acontece em quase todas as áreas, umas mais que outras. Em biologia temos alguma saída a nível de bolsas de investigação na parte da investigação científica e em algumas empresas ligadas à área alimentar e à gestão ambiental. As oportunidades não são muitas e as que há são quase sempre situações um pouco precárias. O curso é muito dirigido para a investigação e bastantes alunos nossos seguem para bolsas de doutoramento. Mas pelo feedback que temos, os índices de empregabilidade são bastante elevados e cobrem estas áreas todas. Pelo contacto que tenho com ex-alunos e outros que estão a terminar o seu mestrado, a grande parte consegue colocação. É difícil fazer uma previsão a 4 ou 5 anos, mas acho que a tendência ainda se vai manter mais alguns anos.  

Quais são os maiores desafios de um recém-licenciado em Biologia Aplicada?

Na minha opinião, atualmente e cada vez mais têm de tomar a iniciativa mais nas suas mãos. Enquanto estão a estudar ainda conseguem, com mais ou menos iniciativa prosseguir o seu trajeto académico, quando este termina é o momento de choque, tem de começar a tomar decisões para arranjar aquilo que deseja. Em termos científicos, acho que damos uma preparação muito boa aos nossos alunos, o que lhe facilita o futuro, mas há sempre uma adaptação muito grande quando ocupa uma posição, não só de conhecimentos mais específicos, mas também na relação com colegas com linguagens um bocadinho diferentes.

Quais são as prioridades para o curso nos próximos tempos?

Em termos de prioridades, eu apostaria na qualidade, é isso que pretendo manter. A média de entrada dos nossos alunos está muito bem posicionada na Universidade mas tem perdido alguma posição, um decréscimo muito ligeiro mas constante, eventualmente isso é o reflexo da diminuição da procura do ensino superior por parte dos estudantes do secundário. Portanto, o grande desafio agora é fazer inverter esta tendência, colocar a média de entrada do curso mais alta para termos alunos ainda melhores. Para além da qualidade dos alunos que entram, a nossa aposta será na internacionalização. Gostava que poder contar com alunos estrangeiros no curso, isto é, já temos alguns mas de países lusófonos e gostava de ter alunos não lusófonos a tentar entrar no curso. O curso de biologia aplicada já teve bastante fama internacional na altura em que tínhamos estágios de seis meses e enviávamos muitos estudantes para a Holanda, nessa altura tínhamos muito boa publicidade por causa das boas performances que os nossos alunos tinham lá. Portanto ficaria muito feliz se tivéssemos estudantes estrangeiros a quer fazer o nosso curso. Isso já está a acontecer um bocadinho com os "ERASMUS" que frequentam algumas das nossas cadeiras, mas gostaria de ter alunos não lusófonos a frequentar o curso na totalidade desde o primeiro ano.

Quais os principais desafios desta licenciatura?

Estou muito satisfeito com a qualidade do nosso curso. Às vezes temos notícias muito boas para os docentes e para a direção de curso, que é frequentemente vermos antigos alunos nossos em lugares de relevo no nosso país mas também no estrangeiro. Em termos de qualidade, isto dá-me uma grande satisfação e leva-me a pensar que não é um grande desafio aumentar a qualidade, mas é um grande desafio mantê-la. 

Texto: Ana Coimbra

Fotografia: Nuno Gonçalves

(Pub. Nov/2015)

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