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Entrevista.com, 01.10.2015
"Os objetivos dos SASUM traduzem-se em proporcionar aos estudantes melhores condições de estudo e de integração académica, mediante a prestação de serviços nas suas áreas de atuação..."
UMinho
Carlos Silva é Administrador dos Serviços de Ação Social da Universidade do Minho (SASUM) há quase 12 anos. Em entrevista ao UMdicas faz um balanço do seu percurso nesta função, da organização que lidera, da política social e ainda das valências que os SASUM disponibilizam à comunidade: alojamento, alimentação, desporto, bolsas de estudo, apoio médico, bem como outras atividades direcionadas para a proteção e bem-estar dos estudantes.

É Administrador dos Serviços de Ação Social da Universidade do Minho (SASUM) há quase 12 anos. Que balanço faz deste trajeto?

Faço necessariamente um balanço positivo. O aspeto essencial é a mudança cultural que os Serviços sofreram durante estes anos. Atualmente é um Serviço onde se cultiva uma filosofia de excelência, uma estrutura que é praticamente a mesma no número trabalhadores, baseado num planeamento sólido e objetivo, alavancado pelos seus recursos humanos, onde a formação/qualificação e a aposta na motivação dos recursos humanos foi, e continua a ser, um vetor vital importante para a mudança de paradigma.

Foi um percurso com muita aprendizagem, construído no princípio do trabalho em equipa. Esta aposta levou a que aprendêssemos a conhecer melhor os pontos fortes e menos fortes da organização e dos processos; a conhecer e a motivar as pessoas a abraçar o projeto; e, em conjunto, levou a uma profunda melhoria da eficácia e eficiência da nossa organização.

Outro aspeto crucial teve a ver com a requalificação/qualidade das infraestruturas, seja na área do alojamento, alimentação ou desportiva, alicerçado atualmente em processos de manutenção contínua. São estes os aspetos mais fortes da instituição neste trajeto de 12 anos.


Atualmente como caracteriza os SASUM enquanto serviço de apoio aos estudantes?

Os SASUM têm como missão, proporcionar aos estudantes as melhores condições de frequência do ensino superior e de integração e vivência social e académica. Os objetivos dos SASUM traduzem-se em proporcionar aos estudantes melhores condições de estudo e de integração académica, mediante a prestação de serviços nas suas áreas de atuação, nomeadamente: atribuição de bolsas de estudo e apoios de emergência aos estudantes de 1º e 2º clico, serviços de alimentação, com serviços diferenciados de apoio social entre outros, serviços desportivos (recreação e competição), serviços de alojamento, em 10 blocos residenciais, serviços de apoio clínico para estudantes que se encontrem deslocados das suas famílias e serviço de apoio psicológico, são estes os serviços que caracterizam a atividade fundamental dos nossos Serviços.


Os SASUM disponibilizam 10 bolcos residenciais para os seus estudantes (Braga e Guimaraes). Como caracteriza a qualidade, o preço, a disponibilidade e a resposta aos alunos que solicitam alojamento?

O alojamento é uma área fundamental, porque é um serviço de baixo custo para a maior parte dos estudantes, em que a relação de oferta/preço é uma relação muito boa.

As residências possuem ainda, salas de estudo, cozinha para aquecerem as suas refeições, dispõem de uma estrutura wireless integrada com a rede da Universidade, grande parte dos espaços têm televisão por cabo nos seus quartos, serviço de lavandaria, algumas têm serviços de bar (Stª Tecla e Azurém), e em S. Tecla existe ainda uma infraestrutura desportiva. Ou seja, temos as residências preparadas para o que é fundamental na vivência de um estudante na universidade, quando comparados estes preços com os do mercado exterior, estes são muitos bons, para atestar isso podemos dizer que as residências têm cerca de 800 alunos bolseiros e 600 que não o são, ou seja, estes procuram as Residência porque estas oferecem um conjunto de serviços importante para o estudante, a baixo custo e com uma boa qualidade.      

Os SASUM disponibilizam benefícios na área do apoio clínico, clínica geral, psicologia e enfermagem. De que forma se processam estes apoios?

São serviços que têm uma procura interessante, há estudantes que têm alguns problemas de saúde e estando deslocados da sua família, procuram na nossa oferta de medicina preventiva e apoio clinico, a resposta para os seus problemas. Temos consultas, por marcação prévia, uma vez por semana, em Braga e Guimarães, e no caso do apoio psicológico temos praticamente consultas diárias, pois a procura é mais elevada.

Também temos um protocolo com a Escola de Psicologia que ajuda a dar resposta à procura de apoio psicológico aqui na Universidade. Grande parte dos nossos serviços não tem custos para os estudantes carenciados, o que é um dos aspetos fundamentais na nossa atividade social. Quando são alunos que têm outro estatuto financeiro/social acabam por pagar um custo que é apenas de comparticipação da consulta, pois o serviço tem um custo superior para a instituição. 

Quantas candidaturas a bolsas de estudo receberam no ano passado? Como tem sido a evolução dos apoios pedidos e concedidos nos últimos anos?

Ao longo dos últimos tem havido uma variação, quer no número de pedidos, seja no número final de bolseiros. Esta variação está intimamente ligada às alterações do regulamento de atribuição de bolsas de estudo que definido e aprovado pelo Secretário de Estado do Ensino Superior, sendo que estas alterações têm forte influência nos resultados, ou seja, dependendo dos anos e do regulamento em vigor, o número de bolseiros sobe ou desce, o que acaba por causar algum desequilíbrio na atribuição de bolsas aos estudantes

No entanto, na Universidade do Minho, nos últimos anos o número tem vindo a subir, quer no número de bolseiros, quer no número de candidatos. No ano anterior tivemos 5261 bolseiros em 6556 candidatos, ou seja, há aqui uma relação de cerca de 80% entre bolseiros/candidatos. No passado este número já foi superior, para termos uma ideia, em 2010/2011 o número de candidatos chegou perto dos 7300, sendo que o maior número de bolseiros foi em 2009/2010 onde atingimos os 5513. No entanto estas variações dependem das alterações ao regulamento.

Este ano espera-se que o número de candidatos aumente, bem como o número de bolseiros, sendo que o valor da bolsa média deve rondar os 200 euros como se tem vindo a verificar nos últimos anos, e que é também a média de bolsa do País.

Em relação a esta vertente de apoio social, temos também o fundo de apoio social que foi criado na UMinho, que é o Fundo Social de Emergência que apoia estudantes em situações de emergência. Este ano, este apoio teve uma procura particularmente elevada, foram mais de 150 processos e em que grande parte dos alunos foram apoiados com bolsas que pagam a propina ao estudante.


Os Serviços dispõem ainda de cerca de 22 unidades alimentares, entre cantinas, restaurante e vários bares. No que diz respeito a serviços de alimentação, come-se bem, com qualidade e a bom preço na UMinho?

Pelos valores dos níveis de satisfação dos nossos clientes e em particular pelos nossos estudantes, podemos dizer que o nível de satisfação é elevado, com mais de 80% de satisfação nestas estruturas, o que para nós é um indicador muito interessante. Ou seja, as pessoas valorizam os serviços que são prestados na área alimentar, seja nas cantinas ou noutras unidades. É algo que tem vindo a merecer a nossa atenção, no sentido de uma melhoria continua e que tem vindo a crescer nos últimos anos. Neste momento servimos mais de 550.000 refeições subsidiadas, sendo uma área que tem vindo a crescer nos últimos anos e mais de 100.000 refeições servidas nas outras unidades, mesmo o atendimento nos bares tem-se mantido estável, num ano fazemos mais de 1.400.000 atendimentos, o que para nós é muito importante. A nível de satisfação global no Departamento alimentar, ronda os 85%, o que traduz a qualidade que é oferecida nos nossos serviços alimentares, onde tentamos sempre incluir melhorias, serviços novos, novas unidades, etc.    

O desporto é uma das áreas de maior visibilidade. Que tipo de serviços dispõe e quem pode aceder a ele?

Todas as pessoas da comunidade académica podem aceder aos nossos serviços, a preços diferenciados. No desporto passa-se exatamente a mesma coisa, temos áreas de serviço para todos os segmentos, em que estão englobadas as salas de musculação e cardio fitness, bem como atividades dirigidas a toda a comunidade, inclusive à comunidade externa. Oferecemos atividades desportivas mais direcionadas para estudantes, quer na vertente da recreação quer na competição. Para termos uma ideia, mais de 7.000 pessoas, numa comunidade de mais de 10.000 utentes dos serviços desportivos são estudantes da UMinho, entre estes existem aqueles que são selecionados para representar a academia, através do nosso Clube que é a Associação Académica da Universidade do Minho nas competições nacionais da Federação Académica de Desporto Universitário.

Os Serviços de Acção Social oferecem serviços para todos, temos cerca de 70 atividades, na área do Fitness, atividades aquáticas, desportos individuais, treino funcional, desportos coletivos, artes marciais e de combate, as quais vão de encontro ao gosto e à procura dos nossos utentes, de modo a conseguirmos a satisfação de quem nos procura.

No último ano, ao nível do serviço desportivo tivemos uma ligeira quebra, mas também já está sinalizada, refletindo-se principalmente a nível dos clientes externos, motivada pela criação de uma serie de infraestruturas nesta área e na cidade de Braga, o que acaba por levar pessoas que praticavam desporto na Universidade, para fora. Mas isto também é importante pois estamos a criar um produto para a própria sociedade, estamos a levar as pessoas a praticar desporto de forma regular e quando acabam a Universidade continuam a prática desportiva nas instalações da cidade, o que é bom, pois somos uma alavanca para a criação de hábitos desportivos e logo saudáveis.

Sendo os SASUM financiados em grande parte pelas suas próprias receitas. Quais as áreas que mais tem sofrido com a crise?

Temos tido cortes ao nível do Orçamento de Estado (OE) que tentamos colmatar com as receitas que são geradas pela atividade do Serviço. À medida que vamos perdendo OE vamos ajustando a nossa atividade de modo a que não haja uma perda na qualidade do serviço, ou seja, não é pelo facto de termos menos dinheiro que vamos servir com menos qualidade ou ter produtos de menor qualidade. A gestão tem que ser feita de forma a que não condicione os resultados, ou seja, se temos menos dinheiro vamos cortar em áreas que não tenham implicação direta com o serviço que estamos a prestar.

Só para termos uma ideia, o nosso orçamento chegou a rondar os 2,5 milhões de euros, ao nível do OE, e atualmente varia entre 1.900.000 e 2.000.000 de euros, ou seja, 400.000 por ano ao longo dos últimos anos é muito dinheiro, verba que era aplicada a maioria em melhoria da qualidade de infraestruturas para os estudantes.

Portanto, quando planeamos uma nova infraestrutura, temos de o fazer em mais tempo, ou seja, planeamos o investimento ao longo do tempo de modo a conseguir responder aquilo que é a nossa procura e nunca cortar em áreas que são fundamentais. Essa tem sido a nossa estratégia face à perda de orçamento.

Pontualmente perdemos receita em relação a alguns serviços, pois as pessoas não têm a capacidade de compra que tinham no passado, e por isso o que temos feito é, ajustar o preço dos nossos serviços, há preços que não são aumentados há 10 anos! Aquilo que nós consideramos um pequeno-almoço ou lanche típico, nunca aumentou, pois temos que dar capacidade aos nossos estudantes para fazerem estas refeições a preços que são realmente muito bons. Esta tem sido a estratégia, pois é este o nosso papel social e que temos vindo a cumprir ao longo dos últimos anos.

Tendo em conta o atual contexto económico e social, no seu entender, a função dos Serviços de Ação Social é cada vez mais importante?

O papel da Ação Social é importante em todas as universidades deste país, a Ação Social tem de ser inclusiva, é um mecanismo criado para ajudar o estudante na sua vivencia na universidade, ou seja, temos de ter serviços de baixo custo e de qualidade elevada, seja na área alimentar, na área desportiva, no alojamento, na área clinica, de forma a que o estudante consiga na universidade usufruir de serviços de qualidade, ter todas as condições para ter sucesso académico. Se o estudante não tiver condições, vão-lhe ser criados obstáculos que certamente vão por em causa o seu sucesso académico.

Portanto, a Ação Social é dos mecanismos mais importantes das universidades, pois é uma das estruturas que cria as condições básicas para que os estudantes possam ter sucesso académico.

A área da Ação Social tem sido uma área estratégica das universidades porque as que oferecem melhores serviços acabam por ter melhores resultados. Por exemplo, na área desportiva, a competição é usada de forma assumida para divulgar a imagem da Universidade do Minho e do clube, que neste caso é a Associação Académica.

Também nesta área o papel da Ação Social é importante para que os alunos do alto rendimento possam conciliar a sua atividade académica com o desporto de competição. Se não existissem estas estruturas nas Universidade seria muito difícil um estudante conseguir conciliar as atividades. Na UMinho fomos mais longe e temos um programa dirigido para os estudantes/atletas de alto rendimento, de forma a que consigam fazer as duas coisas, estudar e praticar desporto ao mais alto nível, isto só é conseguido quando esta visão está integrada na Universidade e na Ação Social.  

Para além das bolsas, que outros mecanismos dispõem a Universidade e os Serviços de Ação Social para ajudar os alunos em dificuldades?

Temos vários mecanismos de apoio social direto para além da bolsa de estudo que está enquadrada no regulamento de atribuição de bolsas de estudo do ensino superior, tais como:

Um dos sistemas de apoio direto é o Fundo Social de Emergência que tem nos últimos anos um plafond anual de 150.000.00 ou superior. De salientar que este fundo tem tido um apoio muito grande da sociedade, a título de exemplo, os Lions Clube de Braga é uma instituição que tem ajudado a Universidade a cumprir esta missão, os Lions têm dado aos alunos bolseiros 50.000 euros por ano, apoiando 50 estudantes por ano em situação de emergência e por isso é de louvar o esforço da sociedade nesta matéria.

Outro sistema de apoio é concretizado através da colaboração de estudantes nas atividades da Universidade do Minho, em quase todas as suas estruturas, serviços académicos, bibliotecas, serviços informáticos, atividades desportivas, na área da alimentação, alojamento, nas Escolas, Departamentos e laboratórios. Também existem programas específicos em algumas Escolas de apoio a estudantes carenciados.

Apenas para termos ideia, são pagos quase meio milhão de euros pela universidade e serviços só para o programa de colaboração, estamos realmente a falar de muito dinheiro e de muitos estudantes que são apoiados de forma direta através da instituição. São mecanismos de apoio social que foram desenvolvidos na universidade e que acabam por ajudar os estudantes a cumprir os seus objetivos que é ter sucesso académico. Este tem sido um dos caminhos mais interessantes de ver concretizado na UMinho nos últimos anos.

Como vê a política de Ação Social Escolar em Portugal e no seu entender para onde deveria evoluir?

A política de Ação Social tem de ser uma política concretizada/desenvolvida na Universidade, desenvolvida com autonomia administrativa e financeira, porque é única a forma de se executar rápido e de as colocar muito rapidamente no terreno.

Em Portugal têm-se experimentado modelos diferentes nas universidades, mas o modelo que tem os melhores resultados, sendo o da maioria dos Serviços em Portugal, é o modelo de proximidade dos Serviços de Ação Social à Universidade, desenvolvido sempre com autonomia, em que os Serviços têm autonomia para concretizar as políticas definidas na Universidade, pelo Reitor e pelo próprio Conselho Geral.

Nós temos de ser acima de tudo uma estrutura de resposta direta ao estudante, ele chega-nos com o seu problema e muitas vezes não pode sequer esperar pelo outro dia para o resolver, por isso tentamos compreender o problema e tentámos dar resposta no imediato, e isto só se faz se realmente os serviços tiverem capacidade de decisão.

Esta Universidade definiu um caminho que é interessante para os Serviços de Acção Social, que foi o que seguiram a maior parte das instituições de ensino superior, mas não tenho dúvida que na UMinho conseguimos atingir um patamar elevado na concretização das políticas de ação social, que deve ser continuado e melhorado, sempre que possível.

Como já referiu em anteriores entrevistas, este foi o seu "maior desafio profissional". Quais são os seus projetos e como perspetiva o seu futuro?

Posso dizer que planeio o futuro mas vivo o presente, é a minha filosofia de vida. Para mim é difícil dizer o que vou fazer daqui a 2 ou 4 anos, logicamente sempre perspetivei o futuro, tenho algumas metas que têm a ver o desenvolvimento pessoal e outras que têm a ver com a nossa atividade aqui nos Serviços.

Costumo dizer que faço parte de uma equipa, sou membro ativo dessa equipa, trabalho com pessoas, para as pessoas, para dar as melhores condições de trabalho, quer sejam condições físicas, quer seja formação essencial para o desenvolvimento das suas funções.

As pessoas para a nossa função são de escolha do Reitor, fui escolhido com objetivos e metas claras e quando este ciclo acabar continuarei a ser membro de uma equipa que ajudei a construir. Tenho objetivos claros do que quero fazer dentro de alguns anos, uns passam pela organização, outros não, mas realmente não estou muito preocupado com isso, nunca estive (risos).

Na nossa função, "estamos Administradores". É uma função definida temporalmente, e o meu objetivo é fazer o melhor possível dentro da organização. Sinto-me bem dentro da organização, foi algo que construímos, é algo que conheço bem, tenho uma excelente equipa de pessoas a todos os níveis, as pessoas vestem a camisola da organização e por isso o que mais me motiva é estar dentro da organização.

Quais são as grandes linhas estratégias dos SASUM para o futuro?

Uma das grandes linhas estratégicas passam por reforçar a sustentabilidade financeira dos SASUM, e para isso temos que aumentar as nossas receitas próprias, criando novos serviços/atividades, consolidando o processo de modernização administrativa, incrementando a economia, a eficiência e a eficácia. Estando no patamar que estamos, como vamos fazer isto?

Temos uma candidatura QREN que visa a excelência, para os próximos 2 anos, para os SAS do Norte, onde estão a UPorto, a UTAD e a UMinho, e onde queremos criar infraestruturas de gestão que sejam transversais aos três Serviços, de modo a consolidar as melhores práticas, de modo a que nos próximos anos sejamos serviços de referência em Portugal, em todas as áreas.

A estratégia para os próximos anos passará por aqui, usarmos as nossas estruturas de Ação Social de forma partilhada ao nível das universidades do Norte e que o nível de funcionamento dos processos e serviços sejam muito idênticos entre as três instituições.

A outra vertente estratégica tem a ver com o desenvolvimento de novas infraestruturas na Universidade. Para o próximo ano vamos concretizar o projeto do Restaurante Panorâmico em Azurém. Vamos passar para a fase de concurso público, pois queremos que os dois campi tenham o mesmo nível de oferta de serviços na área de alimentação, ou seja, visa colmatar a assimetria na área alimentar.

Estes são os projetos mais marcantes para 2016/17, temos outros mais pequenos mas estes são os principais de forma a consolidar os referenciais de excelência.

Há alguns projetos que ainda gostaria de realizados até final do seu mandato?

Claro que sim, mas sei que devido ao enquadramento político, à crise que temos estado a atravessar e à forma como têm sido geridos os dinheiros públicos ao nível do financiamento comunitário, será muito complicado.

Há realmente um que é estruturante e que nós gostávamos de fazer que é o centro aquático aqui no campus de Gualtar, o qual não temos capacidade financeira de o desenvolver, a não ser que seja apoiado por algum programa comunitário.

Este seria um projeto estruturante pois ao longo do tempo iria permitir aumentar a nossa disponibilidade financeira. É um projeto que visa a atividade aquática na UMinho, mas ao mesmo tempo permitiria oferecer serviços à comunidade envolvente, e que possibilitaria ter uma rentabilidade financeira diferente da que temos, na área desportiva. Este é realmente um sonho para qualquer SAS, digo sonho porque, à medida que vamos perdendo orçamento de estado temos que criar infraestruturas para que possamos gerar receita.

Se olharmos por exemplo para o alojamento, não é uma área em que possamos prever crescimento, a não ser se criasse uma infraestrutura para o 3º ciclo ou para professores, e estaria a falar em algo mais relacionado com um hotel ou residência aqui no campus, que pudesse oferecer serviços de alojamento para participantes em conferências, eventos internacionais das várias escolas e da universidade, a preços baixos.

O estado tem investido cada vez menos na Ação Social, o que faz com que os serviços fiquem estagnados e sem capacidade de se expandir. Pois, se nós para atingir a autossustentabilidade aumentássemos os preços, perdíamos claramente o rumo daquilo que é a nossa missão. Mas penso que havendo uma ligação das três universidades do Norte, havendo objetivos comuns, este caminho será um caminho mais natural, mas aqui e como costumo dizer, só Deus sabe. 

Qual a sua opinião sobre a passagem da UMinho a Fundação?

Está a acontecer, é um processo que já não é de hoje, mas um processo que tem anos. Está aí, vai acontecer até dezembro, é um facto, só espero que traga resultados positivos.

Há visões diferentes na Universidade do que deve ser a Universidade e do que será o regime fundacional. Uma coisa é clara, as Fundações têm vindo a perder o seu grau de autonomia conforme o que estava definido inicialmente. Há claramente aspetos positivos nesta vertente, agora tudo vai depender da forma como forem implementados, ou seja, da forma como for implementada a mudança. Qualquer mudança é sempre complexa e depende dos seus atores, tudo vai depender de como se implementam as mudanças no terreno.

As universidades já passaram por muitos altos e baixos nos últimos anos e por isso será difícil dizer se a passagem ao regime fundacional é ponderadamente boa ou má. Apenas digo que um processo de mudança depende sempre, e em muito, da fase de implementação, para ser boa ou má dependerá dos seus atores. 

Gostaria de deixar alguma mensagem para os novos estudantes e restante comunidade académica?

Para os estudantes, digo que enquanto cá estiverem aproveitem ao máximo a organização, façam o vosso curso superior e tornem-se melhores elementos da sociedade, adquiram competências que não tiveram oportunidade até agora. Aproveitem as estruturas que estão cá dentro, seja a nível desportivo, alimentação e alojamento, experimentem novas atividades nas mais variadas áreas.

À restante comunidade, que aproveitem a nossa infraestrutura desportiva para se libertarem dos problemas do dia-a-dia, usem ao máximo os nossos serviços e ajudem-nos a sermos melhores.

Façam sugestões, a crítica desde que seja construtiva é positiva pois ajuda-nos a melhorar e a crescer, sejam sugestões ou reclamações, pois é uma forma de percebermos onde estamos e onde andamos. No objetivo de excelência que temos, a opinião das pessoas é importante, e se as pessoas fizerem isso, é um contributo fundamental para desenvolvermos o nosso serviço.  


Texto: Ana Coimbra

Fotografia: Nuno Gonçalves


(Pub. Out/2015)

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