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Entrevista.com, 09.06.2015
“O principal desafio está em continuar a melhorar mantendo-se no grupo das melhores.”
UMinho
A licenciatura em Economia da UMinho completa no final deste ano letivo 20 anos de funcionamento. O UMdicas esteve à conversa com a sua diretora, Carla Sá, que destacou o corpo docente, a relação próxima com os estudantes, a qualidade dos alunos e a formação básica sólida como as mais-valias deste curso. Segundo a diretora, os diplomados deste curso "tem conseguido emprego com facilidade" sendo as opções e competências transversais oferecidas ao longo deste, essenciais para que os seus alunos se possam diferenciar num mercado cada vez mais competitivo.

Qual a sua formação e trajeto académico?

Licenciei-me em Economia, na Faculdade de Economia na Universidade do Porto em 1995. Um ano depois fui contratada como assistente estagiária pelo Departamento de Economia da UMinho. Fiz, aqui na UMinho, o Mestrado em Política Económica. Em 2006 doutorei-me em Economia pelo Tinbergen Institute/Vrije Universiteit Amsterdam, na Holanda, sendo, desde essa altura, professora auxiliar. 

Como caracteriza a sua função de diretora de curso?

A licenciatura em Economia completa no final deste ano letivo 20 anos de funcionamento. Ao longo destes anos foram dados importantes passos em termos de funcionamento e organização dos trabalhos ao longo do ano letivo. Algumas das nossas iniciativas têm inclusive servido de exemplo para outros cursos da escola e, por isso, algumas tarefas de planeamento e organização são já coordenados pelo Conselho Pedagógico da EEG. Isto torna possível libertar algum tempo para refletir sobre o curso e fazer algumas propostas de melhoria.

Ainda assim, sinto que há uma componente burocrática e outra de contacto com os estudantes associadas à função do diretor de curso e que me obrigaram a organizar o tempo de trabalho de forma diferente. Não é necessariamente a quantidade de solicitações, mas mais o facto de nos aparecerem de forma contínua, sem interrupção ao longo de todo o ano letivo.

O que a motivou a aceitar "comandar" este curso?

Pareceu-me natural aceitar. Quando cheguei à UMinho, em outubro de 2006, vim lecionar aos alunos do 2º ano da Licenciatura em Economia, precisamente a primeira geração de alunos do curso. Tenho sido regularmente professora do curso desde então, tenho acompanhado de perto a sua evolução, a sua história. Para além disso, era já membro da equipa que anteriormente dirigia a licenciatura.

As experiencias anteriores têm-na ajudado no cumprimento da sua função de diretora de curso?

O facto de ter estudado noutras escolas, mas sobretudo, o facto de ter feito uma parte importante do meu percurso de formação académica fora de Portugal, tem impacto na forma como penso na formação que um licenciado em Economia e tem tradução na forma como dirijo o curso. E, claro, ter pertencido à comissão diretiva anterior, deu-me um conhecimento de partida muito importante.

Quais são as maiores dificuldades no cumprimento da sua função?

Como de certo modo já disse, a maior dificuldade que encontrei foi a gestão do meu tempo. A necessidade de dar resposta às solicitações burocráticas e de contacto com os estudantes do curso em tempo útil, ao longo de todo o ano letivo sem interrupção, obrigou-me a organizar os tempos dedicados ao ensino e à investigação de forma diferente do que fazia anteriormente.

No seu entender, porque é que um futuro universitário deve concorrer à Licenciatura em Economia?

As sociedades são continuamente confrontadas com a necessidade de tirar o melhor partido possível de um conjunto de recursos que são escassos. As necessidades dos indivíduos são infinitas e os recursos limitados, o que obriga a que se façam escolhas. Na verdade, todas as decisões económicas implicam que se escolha entre alternativas concorrentes e a opção por uma dada alternativa impõe a perda dos benefícios associados às alternativas sacrificadas, o chamado custo de oportunidade. Escassez, escolha e custo de oportunidade são assim três ideias centrais da Economia.

O curso de Economia da UMinho foi pensado para dotar os estudantes de uma formação sólida em teoria Económica (Microeconomia e Macroeconomia) e Métodos Quantitativos. No último ano da formação, os estudantes podem diferenciar e ajustar o seu plano de estudos individual aos seus objetivos e preferências, através da escolha de oito unidades curriculares de opção, de uma vasta carteira da qual fazem parte não apenas unidades curriculares de Economia, mas também das restantes áreas científicas da EEG. Nas unidades curriculares da área de Economia os estudantes são expostos a diversas áreas da Economia Aplicada, procurando uma forte aproximação à realidade económica, beneficiando do contacto com docentes que são investigadores ativos e reconhecidos em cada uma das áreas.

Quais são na sua opinião os pontos fortes deste curso? E os pontos fracos?

O corpo docente qualificado do curso de Economia da UMinho é sem dúvida um ponto forte do curso. São na sua maioria docentes que obtiveram o seu doutoramento em prestigiadas universidades estrangeiras e que estão ativos em termos de investigação, o que permite um elevado suporte da investigação ao ensino. São também docentes com uma relação muito próxima com os estudantes. O processo de ensino-aprendizagem é ainda facilitado pelo facto dos nossos estudantes terem boas classificações de acesso.

Apesar disso, o curso deve proporcionar mais oportunidades de desenvolvimento de competências de comunicação oral, em geral, mas também numa língua estrangeira como o inglês. Há já alguns passos dados relativamente à oferta de unidades curriculares em inglês, mas há ainda trabalho a ser feito neste domínio.

O que caracteriza este curso da UMinho relativamente aos cursos da Licenciatura em Economia de outras universidades?

Como já referi, ao mesmo tempo que dá aos estudantes uma formação básica sólida, a Licenciatura em Economia da UMinho dá aos estudantes muita flexibilidade para ajustarem o plano de estudos aos seus interesses e objetivos de formação permitindo-lhes um último ano quase totalmente composto por unidades curriculares de opção.

O inglês é cada vez mais reconhecido como um instrumento de trabalho importante. Os nossos alunos fazem um teste de aferição de conhecimentos de inglês quando cá chegam e sempre que o nível de proficiência não é o mínimo considerado necessário é-lhes oferecido um curso de inglês. Esta foi uma das práticas iniciadas pela licenciatura em Economia, que neste momento já se estendeu a todas as licenciaturas da EEG. A Escola oferece ainda uma panóplia de atividades que se destinam ao desenvolvimento de competências transversais, inseridas no programa EEG Generating Skills, de que os alunos de Economia têm vindo a beneficiar.

Existem hoje em dia excesso de profissionais em determinadas áreas. O que podem esperar os alunos da Licenciatura em Economia quanto ao mercado de trabalho?

Não podemos negar o impacto negativo que a crise que vivemos tem tido na empregabilidade dos diplomados do ensino superior, não constituindo a nossa licenciatura em Economia uma exceção. Ainda assim, a maior parte dos nossos diplomados tem conseguido emprego com facilidade, num mercado de trabalho cada vez mais competitivo e onde cada um tem de encontrar uma forma de se diferenciar.

Quais são os maiores desafios de um recém-licenciado em Economia?

Os licenciados em Economia, como aliás todos os recém-licenciados, vão necessariamente enfrentar um mercado de trabalho muito competitivo, como disse, para o qual devem preparar-se desde o início da sua formação.

Quais são as prioridades para o curso nos próximos tempos?

Neste momento, uma das prioridades estabelecidas para o curso é a consolidação da oferta de unidades curriculares em inglês. O ensino em língua inglesa favorece os nossos alunos por duas vias. Por um lado, prepara-os melhor para um mercado de trabalho que hoje é global. Por outro lado, favorece a internacionalização do curso que assim pode ser frequentado por mais alunos estrangeiros, com todos os benefícios em termos de interação e de partilha de experiências e culturas que daí advêm.

Quais os principais desafios desta licenciatura?

A Licenciatura em Economia da UMinho conseguiu ao longo destes 20 anos de história afirmar-se no contexto nacional como uma das melhores formações do país na área de Economia. O principal desafio está em continuar a melhorar mantendo-se no grupo das melhores. 


Texto: Ana Coimbra

Fotografia: Nuno Gonçalves

(Pub. Jun/2015)

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