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Entrevista.com, 02.12.2013
“Sem dúvida que o antigo aluno é o melhor embaixador da UM”
UMinho
Engenheiro de formação, Francisco Pimentel Torres é atualmente, e desde o início de 2013, o Presidente da AAEUM. Nascido no Porto em 1958, cedo veio para Braga, onde fez todos os seus estudos, licenciando-se em Engenharia de Produção e Sistemas pela Universidade do Minho. O Empresário, sócio de diversas empresas no ramo da Distribuição, Iluminação Ecológica e Software, é casado e pai de dois filhos, gosta de escrever, (é autor de dois livros), praticou quando jovem andebol no ABC e pratica ainda hoje motociclismo, o seu desporto de sempre, nomeadamente motocross e enduro. O UMdicas esteve à conversa com homem que fundou a rede social "Pioneiros da UMinho" que numa interessante entrevista nos falou de si, do seu trajeto, da AAEUM, da UMinho e do seu futuro, entre muitas outras coisas.

Qual a razão que o levou a candidatar-se à presidência da AAEUM?

Sempre tive a preocupação de construir e manter as amizades e o networking que a Universidade me proporcionou, Para tal, como sabe, fundei, vai para cinco anos, a rede social Pioneiros da UMinho, que hoje se mantem ativa e agrega mais de 4880 ex-estudantes. Talvez por esse facto, foi-me endereçado um convite para formar a Direção da AAEUM que obviamente aceitei, já que o projeto Pioneiros, tem tudo a ver com a Associação.

Tanto anos após ter deixado a UMinho, ainda se sente como parte desta?

Isso é óbvio. Julgo que ninguém que tenha passado pela UM se sinta como "tendo deixado a UMinho", mas sim como "ainda pertencendo" a ela.

Como define, no geral o antigo aluno da UMinho?

A UM tem cada vez mais prestigio e o antigo estudante sente obviamente muito orgulho nela, é na sua generalidade uma pessoa que publicita e fala bem da Universidade como uma coisa "SUA", que guarda memorias inesquecíveis do tempo em que lá andou. Sem dúvida que o antigo aluno é o melhor embaixador da UM. Temos ex-estudantes identificados em 80 países, e estes que estão longe, na diáspora são os que mais orgulho tem na UM, muitos são altos quadros em empresas e contratam preferencialmente pessoas formadas aqui. Os resultados desportivos que a UM atinge são replicados e partilhados por eles nas redes sociais, os feitos científicos e prémios também. Há que valorizar e incrementar isto.       

Está à frente da AAEUM desde o início de 2013.O que está a achar da experiência?

Concretamente desde fevereiro de 2013, portanto há muito pouco tempo. Não consideraria uma experiência, mas sim um desafio. Trouxe no programa de candidatura 20 pontos para cumprir no primeiro mandato, e apesar do pouco tempo ainda decorrido, já risquei, como cumpridos, alguns desses pontos da lista. Obviamente que há dificuldades, mas como deve imaginar as coisas feitas sem dificuldade não têm piada nenhuma. (sempre tive essa perspetiva, talvez por defeito do desporto que praticoJ

É uma função à qual pensa ficar ligado até quando?

Talvez dois mandatos. Acho que quatro anos é o tempo ideal para se fazer alguma coisa significativa.  

Quais foram os objetivos e projetos da sua candidatura e o que foi feito até agora?

Como lhe disse, vinte pontos, onde um dos mais importantes é pôr a AAEUM e os ex-estudantes no "mapa". Para já, está feita a integração dos Pioneiros na AAEUM, tarefa que agradeço ao nosso Vice João Coutinhas. A Integração das bases de dados, que juntas tem mais de 40.000 fichas também já é uma realidade e em breve teremos o portal pronto, inovador, potentíssimo, que permitirá networking e ferramentas de monitorização e seguimento dos Alumni e das suas empresas, que ouso dizer, nenhuma universidade tem. Fizemos também com que a AAEUM ficasse agente direto da Seguradora Generalli, estando assim em condições de proporcionar não só as melhores e mais económicas soluções de seguros para todos; e quando digo todos, é mesmo todos (sócios, funcionários da UM, professores, a própria UM, empresas e familiares de sócios etc..). Por outro lado a formação foi incrementada, responsabilidade da vice Magda Pinheiro que lhe incutiu um ritmo alucinante, com mais de 25 cursos ministrados e mais de 300 horas dadas a 282 formandos dos quais 81 ainda estudantes e sócios da AAEUM. Fecho de protocolos importantíssimos, nomeadamente com a Reitoria e outros que em breve serão anunciados, entre outras pequenas coisas, contudo, nem tudo são rosas, tivemos de adiar a realização da nossa 3ª gala Pioneiros/AAEUM, facto que assumo toda a responsabilidade, e ainda não conseguimos a ansiada Sede condigna, apesar do processo estar a andar a bom ritmo.   

Como caracteriza a AAEUM?

Até agora caracterizo-a como uma normal associação de ex-estudantes que tem feito o seu papel e que fez sempre bem o seu trabalho, a partir de agora quero caracterizá-la como um "Player" importante para a vida da universidade e do meio onde se insere (Braga e Guimarães)

A AAEUM fez o seu 23º aniversário. Que balanço se pode fazer destes 23 anos de existência?

Não faço balanços, tem sido um caminho percorrido, andando, uma evolução normal, e só agradeço em nome de todos, o trabalho dos meus antecessores e principalmente ao seu fundador, o Dr. Joaquim Guimarães que infelizmente já não se encontra entre nós.

Muito ainda há a fazer pela Associação e sua dinamização. Quais são para si os projetos/ideias mais importantes e a implementar a curto/medio prazo?

Prioritariamente o nosso portal "Alumni UMinho" com vertentes de job board, employment, monotorização de carreiras, lobbying etc.., depois a afirmação do networking, a implementação de ações de fundraising. Numa universidade moderna os ex-estudantes tem um papel vital; felizmente o nosso Reitor sabe dessa crescente importância e está muito atento a este particular, claro que os ex-estudantes poderão sentir mais orgulho, começar a apoiar e contribuir para a sua universidade, aproximarem-se mais, colocarem aqui os seus filhos a estudarem, estudarem também eles ao longo da vida, publicitarem a UM, oferecerem empregos aos seus formandos, organizarem eventos etc, se a própria universidade lhes der também importância e visibilidade. Isto é fundamental, noto que a Universidade através do seu Reitor, vai colocar máxima importância nisto, afinal somos muitos, com muitas empresas, muitos quadros, muitos políticos, profissionais liberais, professores, etc... O ex-estudante terá no futuro de fazer parte ativa da UM e aqui dou-lhe um exemplo, (vamos em breve propor para que se mude): Porque é que nos membros externos do Conselho Geral, só existe 1 ex-estudante da UM, (o colega António Murta). E porque não no mínimo três ex-estudantes... Pelo menos sempre participariam e teriam a satisfação e honra de comparecer à eleição e à cerimónia de tomada de posse do Reitor, (coisa que não acontece com um certo membro, cuja escolha foi certamente um erro de casting! Temos tantos colegas com perfil e prestigio para ocupar estas cadeiras! E que tal também a nossa associação começar a ser ouvida nestas escolhas/nomeações?

Têm tentado chamar/aproximar os antigos estudantes, sendo um dos meios através da rede social ?Pioneiros da UM?. Na sua opinião os objetivos têm sido atingidos?

Sim, em parte, só este ano já se inscreveram centenas na rede e obtivemos mais de 750 novos sócios pagantes (ou seja com direito a usufruir dos descontos e protocolos, por exemplo o ginásio dos SASUM a preço de estudante).

Em que situação se encontra a rede?

Ativa, um pouco menos pujante que no início, mas ativa, e muito útil no que toca por exemplo na oferta de emprego e na organização de atividades (montanhismo etc..).

A AAEUM quer criar uma biblioteca com obras de antigos estudantes desta academia. Qual o objetivo deste projeto?

É uma ideia nova, que não estava no meu programa, mas que achamos interessante. Tem dois objetivos importantes: 1- o de criar uma biblioteca, ficando a AAEUM nas suas futuras e condignas instalações com uma boa sala de leitura, construindo desde o início um espólio exclusivo dos seus escritores 2- divulgar, apoiar os nossos escritores (as), que são muitos e bons. Estamos a pensar abrir a ideia a outras formas de criação artística, pintura, escultura, design e música. Estamos a estudar como...


O que gostaria de ver mudar na AAEUM no seu mandato?

Em primeiro lugar uma parceria a 100% com a Universidade e vice-versa. E ter uma AAEUM com dimensão, visibilidade, estatuto e prestígio, como os seus sócios merecem; lembro que sócios somos já mais de 50.000; Não sei se existe esta perceção mas a AAEUM é atualmente, e de longe, o maior clube/associação do Minho e talvez a única com garantia de crescer todos os anos em número de associados.

A AAEUM já pensou em colaborar de forma ativa com a U.Minho em termos de aumentar o financiamento desta? Como fazem algumas universidades, nomeadamente as de influência anglo-saxónica?

Nunca teremos um nível de fundraising igual a universidades de topo americanas, com esporádicas dotações super-milionárias, a cultura é diferente, mas podemos ser uma fonte, um meio e um bom veículo de angariação e canalização de fundos para a UM a um nível mais de base, isto é, angariação de milhares de apoios de baixo valor.Por exemplo, uma grande percentagem das comissões de mediação de seguros reverterá para bolsas ou fundo de emergência de apoio a alunos e isto sem encarecer os prémios de seguro, mas sim fruto da parceria com a Generalli.  

Quais têm sido as maiores dificuldades nesta sua nova experiencia?

Algumas, por exemplo, não é fácil fazermo-nos ouvir, por isso agradeço e muito esta entrevista, e ainda há uma grande maioria de ex-estudantes que não liga nada a estas coisas, claro que a esses temos de fazer ver que só têm a perder, se não fizerem nada pelo prestígio da instituição que os fez, terão também dificuldades em usufruir desse mesmo prestígio ou de fatores positivos de distinção. Isto funciona em espiral, quanto maior o prestigio do sujeito formado pela UM maior o prestigio da UM, e quanto maior o prestigio da UM maior o prestigio do seu formado. Tão simples não é?  

Perante a conjuntura atual, que futuro adivinha para o ensino superior em Portugal?

Em Portugal não é fácil, e todos deveremos admirar o esforço, dedicação e coragem desta equipa reitoral e de todos os professores e funcionários, e de tudo o que têm feito pela UM. Note apesar destas políticas sem tino dos últimos 10 anos de governos, que lamentavelmente tem políticos básicos que nada percebem do que fazem, a UM tem crescido. Mas não deve limitar geograficamente a pergunta com um "...em Portugal"; hoje vivemos no mundo, teremos de pensar em termos globais, e aí não vejo nenhum problema, os melhores ganharão, obviamente a UM ganhará. Aqueles que conseguirem pelo seu prestígio e qualidade atrair mais alunos portugueses e estrangeiros, aqueles que adequarem melhor os seus cursos à procura e os que trabalharem melhor esta vertente nunca deixarão de crescer, temos Africa inteira, Angola, Moçambique, Brasil, Asia etc... mercados emergentes ávidos de bons técnicos, engenheiros, médicos, professores. Claro que internamente terá de haver uma reestruturação da oferta e da rede, e fundamentalmente uma definição do "ensino politécnico", que como o nome indica deveria ser de nível médio e não "superior" (repare se o ensino politécnico é "ensino superior", então o que é o ensino universitário?) o politécnico deve ser um ensino vocacionado para tal, com cursos com um máximo de um ou dois anos, de nível técnico e bem direcionados, (ao nível do antigo bacharelato) onde nem sequer fosse preciso o 12º ano para entrar. Claro que a Universidade não deve fazer concorrência aqui, a universidade tem outros objetivos

É um empreendedor. Como vê a questão do empreendedorismo em Portugal e em específico dos alunos formados na UMinho?

É um campo onde a UM tem posto atenção e que está a ser drasticamente melhorado, através do Vice José Mendes. A impressão que tenho é, que os alunos não têm qualquer vocação nem treino ou formação para serem empreendedores, nem qualquer apoio ao risco. Há no entanto algumas spinoff's, umas ideias de topo, uns quantos projetos... Poucos empresários apostam em apoiar projetos com jovens e as mentalidades neste particular ainda não mudaram, poucos arriscam, todos querem, mas na hora de arriscar ninguém o faz. A AAEUM pode ter também um papel importante a desempenhar neste campo, aproximando empresas e alunos, comunicando ideias e projetos e formando empresários. Não há empreendedorismo por falta de ideias, existem milhares, só que os portugueses em geral não foram educados para o risco. Dou-lhe um exemplo, a Hysee, uma das minhas empresas, tem anunciado nas redes sociais e em cartazes a oferta de sociedade a dois jovens engenheiros informáticos, temos este programa há meses publicitado, enviamos e-mails para professores, afixamos cartazes na UM, facebook etc... sabe quantos jovens enviaram os seus curricula... pois eu digo-lhe, nenhum!!! Se fosse um anúncio para funcionário público, concorreriam milhares, não? 

Que mensagem gostaria de deixar à Academia nesta altura?

União e coragem... e obrigado. Agradeço com orgulho ter aqui estudado.

Texto: Ana Coimbra

Fotografia: Nuno Gonçalves

(Pub. Dez/2013)

Arquivo de 2013