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Entrevista.com, 05.11.2013
"É na diversidade, sempre com marca obrigatória, que se encontra o fio condutor da política cultural da Universidade"
UMinho
O Conselho Cultural da Universidade do Minho é o órgão coordenador de todas as Unidades Culturais pertencentes à Universidade, responsável por potenciar a cooperação entre elas. Para além disso, incumbe-lhe o aconselhamento do Reitor em matéria de política cultural da Universidade.


Criado formalmente em 1989, o Conselho Cultural leva já 24 anos a dinamizar a cultura na Universidade do Minho, assegurando a ligação das unidades culturais com a comunidade, bem como, mostrando à comunidade envolvente, toda a dinâmica cultural existente na Academia. O UMdicas esteve à conversa com a sua presidente, Prof. Doutora  Ana Gabriela Macedo, para saber mais sobre este órgão da Universidade, sobre a sua dinâmica, projetos, saber como correu a 4ª Edição do Festival de Outono e sabermos um pouco mais sobre a cultura gerada e vivida na UMinho.

O que é o Conselho Cultural da UMinho, qual o seu âmbito de atuação e objetivos?

O Conselho Cultural é um órgão colegial de aconselhamento/consulta do Reitor e do Conselho Geral em matérias de política cultural da Universidade do Minho. Tem ainda a função de coordenar a atividade das Unidades Culturais que são um património singular e de valor inestimável na Universidade do Minho e cuja grande vitalidade está bem patente nas suas atividades específicas. São elas, o Arquivo Distrital de Braga e a Biblioteca Pública de Braga, instituições que ocupavam o edifício onde foi instalada a Reitoria, tendo constituído as duas primeiras Unidades Culturais. O Museu Nogueira da Silva surgiu de um valioso legado patrimonial, do qual decorreu igualmente o Centro de Estudos Lusíadas, tendo este como objetivo o estudo e a investigação da cultura portuguesa. Os projetos de intervenção urbana, investigação e formação especializada deram origem às Unidades de Arqueologia e de Educação de Adultos. A Casa Museu Monção resultou de um legado, auto sustentado, e tem como missão a dinamização cultural do Alto Minho.

No Conselho Cultural consideramos como objetivos prioritários atingir novos públicos e traze-los à Universidade. Realizar iniciativas inovadoras, como seja exposições em parceria, debates e conferências sobre temas da atualidade, explorando diversas sensibilidades, suscitando a reflexão sobre diversos temas de índole cultural.

A promoção da Cultura com as Unidades Culturais da Universidade, dando relevância ao desenvolvimento de atividades nas cidades onde a Universidade está implementada, é outro dos objetivos, bem como a promoção do diálogo intercultural, com expressão em iniciativas conjuntas da comunidade académica e a envolvente onde está inserida.

Por quem é constituída a sua direção?

O Conselho Cultural é, no presente, dirigido por uma Presidente coadjuvada por um Vice-Presidente e tem uma Comissão Permanente que é constituída pela presidência e pelos responsáveis de todas as Unidades Culturais. Existe ainda um plenário do qual fazem parte além da Comissão Permanente, um estudante e 10 membros externos, integrando personalidades externas à Universidade com intervenção relevante no domínio da cultura.

O que motiva a sua Presidente e restante direção no cumprimento destas funções à frente do Conselho Cultural?

Poder contribuir para dinamizar uma área vocacional da própria Universidade, de uma perspetiva nova, contemporânea, congregando desígnios culturais e cívicos diversificados.

Como se define e desenvolve a política cultural da Universidade e quais os principais fios condutores?

A Universidade é, por definição um lugar de cultura, de culturas, de diversidade. Há uma preocupação transversal às diversas áreas científicas, de elevar a sua intervenção a uma participação cívica que projete a cultura humana, com abordagens diferentes que fazem eco das várias sensibilidades que decorrem também das diferentes áreas do saber, umas de cariz mais humanista, outras de nota mais experimental ou científica.

Assim, é na diversidade, sempre com marca obrigatória de qualidade, que se encontra o fio condutor da política cultural da Universidade.

Há ainda que enfatizar a preservação do património cultural da Universidade. Neste caso às Unidades Culturais, a umas mais que outras, tem competido zelar, preservar, difundir, tornar acessível muitos dos tesouros que integram os seus acervos e os legados de que a Universidade tem sido objeto. Há ainda a preservação do património edificado, este constitui em certos casos, uma autêntica preciosidade.

Para além do Festival de Outono, quais têm sido as iniciativas mais importantes promovidas pelo Conselho Cultural ou nas quais tem participado?

Temos realizado algumas parcerias, nomeadamente com Serralves, e outras instituições e associações culturais nacionais e estrangeiras que se têm revelado muito profícuas. Nesse contexto realizamos exposições, conferências e debates de que são amostra a Exposição sobre Poesia Experimental Portuguesa, a Exposição sobre Os Irmãos Grimm - Vida e Obra, que incluiu conferências e visitas guiadas, ou, mais recentemente, um espetáculo sobre os 150 anos da publicação de Rosalía de Castro - Cantares gallegos, em parceria com o Conselho da Cultura Galega; o evento "Itinerários Irlandeses" com projeção de filme, palestra e debate, espetáculo de música e dança com a presença de aristas irlandeses; a exposição Imagens de Nada - Pintura sobre Macau ou a exposição fotográfica "The Guilty", em parceria com os Encontros da Imagem.

Como correu a 4ª edição do Festival de Outono?

Foi uma edição fantástica! Este ano, com um orçamento ainda mais reduzido, conseguimos fazer autênticos milagres, já que crescemos em nº de espetáculos e diversidade, internacionalizámos o Festival, com a colaboração do Conselho da Cultura Galega, o público aderiu como nunca e a qualidade da oferta foi topo de gama.

A motivação das Unidades Culturais para o evento é grande e a colaboração obtida junto dos agentes culturais de Braga e Guimarães é insuperável.

A adesão do público foi muito boa e a da comunidade académica também. Os alunos Erasmus e estrangeiros em geral aderiram massivamente e os alunos de 2º e 3º ciclos de estudo são os primeiros a fazer inscrições nos Workshops e nas visitas programadas.

O feedback é muito positivo, pedem-nos que realizemos mais eventos. As pessoas gostam dos concertos e dos espetáculos que ficam completamente lotados. Perguntam recorrentemente se não têm de pagar ingressos. A este propósito, é conveniente dizer que a participação no Festival de Outono é totalmente gratuita. Trata-se de uma oferta da Universidade a toda a comunidade e isso é muito bem recebido.

Este ano crescemos também nas parcerias com os Encontros de Imagem. A colaboração muito diversificada de instituições neste Festival traz contributos muito positivos. A este propósito vale a pena referir os parceiros da edição deste ano: Biblioteca Lúcio Craveiro da Silva, Instituto Confúcio, Associação Académica da Universidade do Minho, Rádio Universitária do Minho (RUM), Orquestra da Universidade do Minho, Museu Alberto Sampaio (Guimarães), Paço dos Duques de Bragança (Guimarães),Museu D. Diogo de Sousa (Braga), Museu dos Biscainhos (Braga) Museu de Tibães (Braga), Arte Total - Centro de Educação pela Arte, Sociedade Martins Sarmento (Guimarães), Museu da Imagem (Braga) e Encontros de Imagem, Academia de Música de Viana do Castelo, Consello da Cultura Galega, Embaixada Lomografica Portuguesa, Santa Casa da Misericórdia de Braga, Grupo de Teatro Thiasos - Teatro Clássico da Universidade de Coimbra, Direção do Curso da Licenciatura em Teatro da UM.

Qual é o principal objetivo deste festival e quais as sinergias que se criam com os diversos públicos?

O mote é poder contribuir para a integração dos novos alunos da Universidade do Minho, nas cidades de Braga e Guimarães, e dar-lhes a conhecer uma outra face da sua Universidade, não necessariamente a pedagógica, mas cultural num sentido mais lato.

A verdade é que o Festival de Outono se torna mais que isso, já que a adesão de segmentos de público muito diverso tem sido uma constante.

Já existem novas ideias para a próxima edição?

Estamos sempre a inovar. Haverá necessidade de melhorar alguns aspetos e de renovar outros.

Sente que a cultura é uma área valorizada na UMinho?

Estamos numa Universidade, como não valorizar a cultura? Não é sequer questionável. O que é discutível são as abordagens, as prioridades. Nós, preferencialmente, gostaríamos de fazer essa valorização da cultura de uma forma contemporânea, e é isso que temos procurado. Trazemos também a necessidade de nos relacionarmos com os agentes culturais locais. As sinergias geradas nas colaborações estabelecidas com aqueles têm trazido uma lufada de ar fresco e a confirmação de que vale a pena trabalhar em rede. Todos temos a ganhar.

Outro sinal positivo desta gestão do Conselho Cultural é o apelo direto à colaboração das Escolas e Institutos, através dos seus Departamentos. Tem sido muito positiva essa interligação e as realizações conseguidas até agora. Trata-se de algo que julgamos pertinente continuar a explorar. Realizar exposições, fazer conferências ou outras atividades a partir de um mote dado por áreas científicas específicas e diversificadas foi uma experiência gratificante.

De resto, temos vindo a dar continuidade a atividades que estavam já consolidadas como estruturais ao Conselho Cultural, como seja a Revista FORUM e o Prémio Victor Sá de História Contemporânea, totalmente sustentado pelo mecenato, considerado o mais prestigiado Prémio nacional, destinado a jovens investigadores daquele período da História. Estas são referências já consagradas da Universidade do Minho que nos compete honrar e dar continuidade. Na Revista FORUM temos procurado criar áreas novas, introduzindo artigos de opinião, com o tal caracter contemporâneo que perpassa a nossa intervenção.

Texto: Ana Coimbra

Fotografia: Nuno Gonçalves

(Pub. Nov/2013)

Arquivo de 2013