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Entrevista.com, 27.02.2013
EEGenerating Skills: Uma fórmula para o sucesso?
UMinho
A Escola de Economia e Gestão (EEG) da Universidade do Minho lançou este ano um inovador programa que visa o desenvolvimento de competências transversais nos seus graduados, procurando potenciar ainda mais a sua empregabilidade. Esse programa é o EEGenerating Skills. Ao longo das próximas duas páginas desta entrevista com os responsáveis da EEG, vamos ficar a conhecer um pouco melhor a forma como surgiu o programa, como está estruturado, os seus objetivos e fazer um balanço do que se fez até ao momento.


O que é que é a EEGenerating Skills?

EEGenerating Skills é o programa de desenvolvimento de competências transversais da EEG que se enquadra no âmbito do Gabinete de Apoio a Projetos de Ensino e Saídas Profissionais da EEG (GAPESP)

Este programa pretende ser gerador de competências transversais, que são elas próprias competências geradoras de oportunidades de sucesso individual e profissional, e cuja relevância e utilidade são transversais às várias áreas de especialização e contextos de trabalho, incluindo a comunicação, o trabalho em equipa, a capacidade de liderança, a resolução de problemas, o pensamento crítico e ético, e a criatividade, entre outras. Constituem ainda um elemento de diferenciação crucial no mercado de trabalho, potenciando o talento e a empregabilidade de quem as possui.

Como surgiu a ideia para este programa?

Do contacto que temos com empregadores de referência, e também com os nossos (ex) alunos, sabíamos da importância das competências transversais como elemento diferenciador no mercado de trabalho. Quando a própria Universidade identificou na sua estratégia o desígnio de: "promover o potencial criativo e o pensamento reflexivo e crítico necessário à análise dos problemas contemporâneos" e "desenvolver competências transversais" (RT-78/2010), decidimos que era preciso a Escola de Economia e Gestão (EEG) contribuir de forma mais ativa, e explícita, para o desenvolvimento de competências transversais dos nossos graduados. Não só aproveitámos a reforma curricular para introduzir nos nossos cursos de mestrado esta componente (com créditos ECTS atribuídos), como decidimos lançar este programa.

Qual será a duração do programa?

O programa acompanha o ano letivo. Tem início em Outubro e termina em Junho. Os alunos podem frequentar as atividades durante todo o ano, e durante toda a duração do seu curso.

Este é o primeiro ano letivo em que o estamos a implementar, e esperamos poder mantê-lo e até desenvolvê-lo por muitos anos.

Como é que está estruturado e quais são os seus objetivos?

O objetivo do programa é simples, e traduz-se na contribuição para o desenvolvimento de competências transversais dos graduados da EEG.

O programa é constituído por uma constelação de atividades, incluindo alguns grandes eventos anuais (como o EEG Business Day e o EEG Volunteer Day), ciclos de palestras (como as CEOTalks@eeg, as AlumniTalks@eeg, e as Primavera Sessions) e visitas a empresas, a que chamamos Field Days.

O elemento estruturante do programa são os workshops centrados no desenvolvimento de diferentes competências transversais tais como: a comunicação, a resolução de problemas, o trabalho em equipa, a gestão de conflitos ou a gestão de emoções. As competências relacionadas com a procura de emprego, construção do CV e desempenho em entrevistas de emprego também são especificamente focadas. O programa promove ainda cursos mais orientados para a utilização de ferramentas como o Excel, o STATA, e o SPSS, entre outros.

Cada atividade tem atribuída uma valorização em termos de ECTS, e os alunos escolhem as atividades em que querem participar, acumulando os créditos correspondentes. Não há limite máximo à participação dos alunos, os que frequentam o 1º ano dos cursos de mestrado da EEG têm de cumprir um mínimo de 3 ECTS no programa.

A EEG definiu um conjunto de 10 competências transversais para este programa. Quais são essas competências e o que motivou a escolha particular destas?

As 10 competências transversais que procuramos privilegiar são:

·    Relacionamento interpessoal

·    Trabalho em equipa

·    Liderança

·    Comunicação

·    Inovação e criatividade

·    Consciência ética e pensamento crítico

·    Planeamento e organização

·    Tecnologias e Sistemas de Informação

·    Resolução de problemas

Orientação para os resultados, clientes e mercado

A escolha deste conjunto de competências teve por base a investigação internacional de referência na área, e em estudos que a contextualizam a nível nacional e regional, incluindo um levantamento feito por investigadoras da EEG junto de empregadores de referência.

Das iniciativas já realizadas, no vosso entender os participantes têm conseguido desenvolver essas competências?

A eficácia do programa é, de facto, uma das principais preocupações que temos desde a sua conceção. Tendo em vista a sua avaliação, estamos, desde a primeira atividade, a recolher as perceções dos participantes relativamente ao desenvolvimento de competências transversais. Essa informação será analisada no final do ano, e vai-nos permitir ter uma ideia da utilidade do programa, bem como fazer comparações entre diferentes tipos de atividades. A perspetiva individual dos participantes será também complementada com as perceções dos empregadores.

Qual tem sido o feedback por parte dos alunos?

O feedback por parte dos alunos é muito positivo. Após cada atividade pedimos aos alunos para responderem a um pequeno inquérito de reação, e as respostas têm sido favoráveis. As impressões que os alunos vão transmitindo pessoalmente também são favoráveis e exigentes no sentido de alargarmos a oferta.


Relativamente ao EEG Business Day, como é que as empresas encararam este "desafio"?

Este ano tivemos a segunda edição do EEG Business Day e em ambas a reação das empresas foi muito favorável não só para participar no evento como para estabelecer parcerias futuras. Têm participado cerca de três dezenas de empresas, de sectores de atividade diversificados, que têm encarado este desafio como compensador. As empresas reconhecem a importância e o interesse dos alunos em conhecerem melhor o seu modo de funcionamento, havendo inclusive empresas que se disponibilizam e, para este efeito, fazem até questão de repetir a sessão para assim chegar a um maior número de alunos.


O programa é também uma forma da EEG promover a aproximação às empresas e ao tecido empresarial?

Claro. Toda a génese do programa tem por base o desenvolvimento das competências e atitudes valorizadas pelas próprias empresas enquanto empregadoras, e elas são integradas no programa o mais possível. O EEGenerating Skills conta aliás com o patrocínio explícito de algumas empresas, incluindo: a PwC, a Bosch, a Primavera, a Spark Agency e a Keypeople. E temos empresas envolvidas em várias atividades do programa.


Já existem casos de alunos que participaram no EEG Business Day e que graças a esse contacto foram recrutados pelas empresas presentes?

O principal objetivo do EEG Business Day não é o de funcionar como uma feira de emprego, mas antes pôr os estudantes em contacto com a dinâmica vivida pelas empresas no exercício da sua atividade. As empresas vêm falar-lhes de projetos que desenvolveram, de produtos em que trabalharam, da sua criação e história, sempre na primeira pessoa, referindo os sucessos e insucessos da vida das empresas. Apesar do recrutamento não ser o seu principal objetivo, o contexto de proximidade que se gera em muitas sessões propicia contactos individuais que já têm conduzido ao convite à participação de alguns estudantes em processos de recrutamento.

Em que sentido tem ganho os alunos com este programa e com a aproximação ao tecido empresarial?

Têm ganho consciência do que os espera e do que é esperado deles nas empresas. Têm ganho a oportunidade de contactar, em primeira mão, com os CEOs das empresas, que não só os inspiram a "sonhar mais alto", como lhes respondem diretamente às questões que eles lhes queiram colocar.

Têm tido a oportunidade de testemunhar como funcionam algumas empresas de sucesso e, mais uma vez, de verem respondidas as suas questões.

Ganham igualmente a oportunidade de começar a construir uma rede de contactos que pode ser determinante para conseguirem um emprego e mesmo para o seu desempenho profissional.

E, esperamos, têm ganho ou melhorado algumas das competências transversais que focamos no programa.

O Volunteer Day pretende promover o trabalho voluntário em instituições sem fim lucrativo. Como é que a EEG vê o cada vez maior aproveitamento por parte das empresas relativamente ao trabalho "gratuito" dos estagiários? Os alunos aderiram a esta iniciativa?

O EEG Volunteer Day só vai ocorrer em Maio, e não tem ainda inscrições abertas. A nossa expectativa é a de que haja uma grande adesão por parte dos alunos. O trabalho voluntário assume cada vez maior importância na sociedade, e os benefícios não são só para as instituições que o acolhem e respetivos utentes. Os próprios indivíduos têm muito a ganhar com a experiência de voluntariado, quer em termos pessoais quer em termos de desenvolvimento profissional.

O trabalho no âmbito dos estágios não é o mesmo que trabalho voluntário, mas partilha alguns dos seus benefícios, nomeadamente na oportunidade que constitui de aprender algo de novo, desenvolver competências profissionais e construir redes de contactos. Os estagiários nem sempre são compensados monetariamente pelo seu trabalho, mas não se deve minimizar aquelas compensações, que têm grande valor.


Relativamente ao Alumni Talks@eeg, tem sido fácil trazer de regresso a casa os "filhos pródigos"para falarem do seu sucesso?

Sim, tem sido fácil. A maioria dos nossos ex-alunos guarda boa recordação do tempo de estudantes, e são muito disponíveis para apoiar os colegas mais novos. Por vezes é mais difícil conciliar as suas agendas, mas nunca a vontade de participarem.


Como é que eles (os Alumni) encaram esta nova realidade social e profissional que estamos atravessar?

Um aspeto comum às várias conversas que os alumni nos têm proporcionado tem sido o facto de este contexto que vivemos ser efetivamente diferente daquele que viveram. Têm acentuado que essa diferença não é ao nível das decisões e opções que os alunos têm de fazer hoje para serem bem-sucedidos no mercado de trabalho, mas sobretudo no facto de sermos agora forçados a pensar num mercado de trabalho global. Têm passado uma mensagem muito positiva das competências técnicas que a EEG fornece aos seus alunos, apontando-a como um ponto forte dos nossos diplomados.

Acha que os recém-licenciados poderão vir a ter o mesmo sucesso que a maior parte dos Alumni?

Achamos que sim. Todos os anos temos colocado bem os diplomados dos cursos da EEG. Os melhores alunos continuam a ser recrutados pelas melhores empresas e organizações, que fazem questão de que participem nos seus processos de recrutamento.

O Field Days e o Out of the Box permitem um maior aproximar à realidade do mercado de trabalho. Já houve alguma organização que implementou uma das ideias apresentadas pelos alunos?

Como estas iniciativas estão ainda a decorrer, não temos ainda esse tipo de resultado para mostrar. No entanto, noutros projetos da EEG que envolvem parcerias com as empresas (como por exemplo, no Caso de Gestão), temos muitos casos de ideias desenvolvidas e trabalhadas pelos alunos da EEG e implementadas pelas empresas. O post no blog do programa (http://eegeneratingskills.wordpress.com), sobre a visita à Bosch, mostra um desses exemplos.

Como é que os alunos têm reagido a esta interação mais próxima com a realidade do mundo de trabalho?

Bem. Os alunos têm, naturalmente, muita vontade de interagir com as empresas. E estes projetos proporcionam-lhes oportunidades selecionadas e mais protegidas de interação.


Destas iniciativas têm resultado algumas estratégias de crescimento empresarial ou projetos de cooperação entre a Universidade e as empresas?

Voltando a recorrer ao exemplo do Caso de Gestão (que é uma unidade de projeto do 3º ano da Licenciatura em Gestão), as empresas têm sempre implementado algumas das soluções e recomendações que resultam dos trabalhos dos alunos, com impacto importante para a empresa em muitos casos. Não nasceu ainda nenhuma nova empresa destas parcerias. Mas veremos o que o futuro trará...


Os Workshops e as Palestras, como funcionam e como são definidos os seus temas?

Os temas dos workshops têm sido definidos com base nas 10 competências que elegemos privilegiar no programa. Procuramos repetir aqueles que registam maior número de inscrições. São dinamizados por formadores profissionais, que combinam a exposição de conteúdos com a sua aplicação prática em exercícios e atividades desenvolvidas com e pelos participantes. Tipicamente, os workshops admitem entre 15 e 28 pessoas.

As palestras dependem mais das oportunidades que vão surgindo, e do que interessa aos nossos convidados abordar. A nossa escolha aí é mais das pessoas que convidamos do que dos temas em si. Em regra, as palestras são para um máximo de 120 pessoas, mas já tivemos de mudar de espaço para acomodar 150 inscrições.

As iniciativas são apenas para os alunos da EEG ou qualquer aluno da Universidade se pode inscrever?

A maioria das atividades do EEGenerating Skills é apenas para os alunos da EEG. Alguns recém-graduados também têm participado. As palestras e o EEG Business Day são abertos a toda a comunidade académica. Efetivamente, tem havido a participação de alunos de outras escolas da UM nesses eventos.

Existem dados relativamente aos indicies de participação dos alunos de cada uma das oito licenciaturas da EEG neste programa?

Sim. No seu conjunto, os alunos de licenciatura representam cerca de 30% das inscrições nas atividades do programa, e 34% das participações efetivas. As licenciaturas em que mais alunos têm participado são as de Gestão, Economia e Relações Internacionais, por essa ordem. Estas também são as licenciaturas da EEG com mais alunos, pelo que isto é natural.

Os alunos ERASMUS têm participado? Qual tem sido o feedback deles?

Sobre isto não temos ainda informação.

No seu entender este programa resultará em alunos mais empreendedores?

Temos a expectativa de que venham a ser mais empreendedores, não necessariamente criando a sua própria empresa, mas, sobretudo, que sejam empreendedores no seu local de trabalho. Ter uma atitude empreendedora é importante mas, mais do que isso, queremos que estejam sempre dispostos a aprender coisas novas, e de que sejam capazes de o fazer fora da Universidade. Queremos que sintam confiança nas suas próprias capacidades, e que desenvolvam uma atitude profissional e arrojada, sempre assente na solidez das suas competências técnicas e transversais.

O EEGenerating Skills é para continuar?

No que depender de nós, sim. É para continuar e alargar.

Que novidades estão a ser preparadas para o programa do próximo ano?

Ainda é muito cedo para divulgar. O que é certo é que, há já atividades agendadas para o próximo ano letivo e está presente a vontade de alargar o programa para garantirmos que chega a todos os alunos de 1º e de 2º ciclo da EEG.

Que balanço fazem do programa até ao momento?

Muito positivo! A adesão dos alunos tem sido muito para além do inicialmente esperado, e em termos operacionais tudo tem corrido dentro do planeado.

Nesta altura, contamos com 5695 inscrições por parte de 972 estudantes da EEG. Tendo decorrido apenas o primeiro semestre, já houve 864 alunos a participar em diversas atividades , num total de 2349 participações efetivas. Os alunos vão dando sinais da sua satisfação nas próprias sessões onde, não raramente, fazem elogios públicos ao orador/formador fazendo questão de referir que a mensagem que lhes passou fez mudar a sua forma de pensar, fez mudar, de alguma forma, o curso da sua vida.

Texto e Fotografia: Nuno Gonçalves


(Pub. Fev/2013)

Arquivo de 2013