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Entrevista.com, 06.10.2011
“O processo de formação não pode parar na licenciatura ou numa idade qualquer. Tem que ser contínuo.”
UMinho
Carlos Lucas, licenciado em Relações Internacionais, ex-atleta de basquetebol da UMinho e atualmente Diretor de Competições e Eventos da Liga Portuguesa de Futebol Profissional, é um dos muitos exemplos de sucesso profissional, para quem o desporto e as atividades extracurriculares tiveram um papel fundamental no seu desenvolvimento enquanto indivíduo. Vamos agora conhecer um pouco melhor aquele que foi o primeiro português a trabalhar na UEFA e para quem a formação ao longo da vida é algo de fundamental.

O que é que te levou em 1995 a escolher a UMinho e o curso de Relações Internacionais?


Sempre tive como objetivo ter uma carreira internacional, e o curso de Relações Internacionais proporcionava o cumprimento desse objetivo. Além disso o currículo do curso era abrangente e multidisciplinar o que me agradava e cumpria os meus desejos.

De que forma é que a tua escolha moldou o teu futuro profissional?


Foi decisiva! Sem ter as bases sólidas que o curso e a Universidade do Minho me proporcionaram não teria os conhecimentos nem as capacidades necessárias para ser aceite num Mestrado Internacional de Gestão de Desporto, que acabou por ser fulcral para a carreira que tenho.

Como é que foram esses anos na academia minhota?


Os melhores da minha vida!!! A estrutura do curso de Relações Internacionais e a competência da larga maioria do corpo docente, completado com todas as atividades extracurriculares (desde o Bar da Associação, Insólito e Club 84, até as atividades que me envolvi na Associação Académica) foram decisivas para ter a formação que necessitava e moldar a minha formação como pessoa e cidadão.

A tua entrada para a equipa de basquetebol da AAUMinho como é que se deu?


Naturalmente, visto que já jogava basquetebol no Braga Basquete Club (BBC). Muitos dos colegas do BBC jogaram na equipa da AAUMinho o que foi um bónus.

Que recordações guardas do desporto universitário?


Maravilhosas. Todos tínhamos a noção que estávamos a representar a Academia, enquanto jogávamos num fórum que sendo de um nível elevado, não era extremamente competitivo.


Achas que foi importante no teu desenvolvimento enquanto indivíduo?


Muito importante. Conhecer pessoas de diversos pontos do país, com formações diferentes num espaço desportivo é sempre importante. Aprender a ganhar e a perder é uma experiência que todos devem ter.

Após o término da licenciatura o que te levou a ingressar numa pós-graduação no ISCTE?


Quando terminei a licenciatura apercebi-me que nunca seria um grande jogador de basquete e por isso, querendo manter-me ligado ao desporto o caminho foi ingressar numa pós-graduação em Gestão Desportiva.

O teu trajeto académico terminou por ai?


Depois da pós-graduação ingressei num Mestrado Internacional em Gestão de Desporto organizado pela FIFA e pelo CIES (Centro Internacional do Estudo de Desportos). Este Mestrado foi lecionado em três diferentes Universidades em Itália, Inglaterra e Suiça. Foi de uma exigência enorme, mas uma experiência inesquecível - a turma era composta por 23 pessoas de 15 diferentes nacionalidades!!!

A entrada no mundo profissional, como é que aconteceu?


Depois do Mestrado completado, tive diversas propostas para começar a carreira internacional, mas o meu objetivo era estar envolvido no Euro 2004. Sabendo que o recrutamento para a Euro 2004 SA só começaria em setembro de 2002 tive durante um ano a lecionar no ISMAI ? na licenciatura de Gestão de Desporto ? e a trabalhar como diretor de marketing da marca BOSE. Com o Mestrado, tinha já as portas abertas no Euro 2004, só tive que ter paciência.


Foi difícil essa passagem do mundo académico para a realidade do mundo do trabalho?


Foi gradual. O Mestrado e o Curso de RI deram-me as ferramentas necessárias. A motivação e dedicação trataram do resto.

E a UEFA, como é que surgiu essa oportunidade?


Depois do Euro 2004 o convite apareceu e foi impossível dizer que não.

Foi o realizar de um sonho?


Foi um sonho, sem dúvida. Fui o primeiro Português na UEFA e depois alguns se seguiram. Foi uma escola impecável.

Em que consistiam as tuas funções na entidade que regula o futebol europeu?


O principal projeto foi o EURO 2008, como diretor de operações. Mas nas épocas desportivas anteriores a 2007-2008 tive envolvido em diversos outros eventos: alguns exemplos que posso referir - responsável de Marketing da Final da Taça UEFA em Alvalade, responsável de promoção e comunicação da Final da Champions League de Paris e responsável global (project manager) da final da Champions League em Istanbul ou do Euro de Futsal em Ostrava.

Atualmente já regressaste a Portugal e estás a trabalhar para a Liga Portuguesa de Futebol Profissional. Queres-nos contar o que te levou a voltar a trabalhar no pais natal, bem como que tipo de trabalho estás a realizar?


O meu objetivo foi sempre voltar a Portugal. Aconselho a todos os que estão a ler esta publicação que devem aproveitar uma experiência no estrangeiro. E depois aperceberem-se que Portugal é um país que não fica nada a dever aos restantes países da Europa em muitas áreas. Irrita-me profundamente ouvir a frase "Só neste país" porque quem anda lá fora sabe que não é assim. Mas estando na UEFA sabia que seria difícil encontrar um projeto em Portugal que fosse interessante e que me satisfizesse profissionalmente. Tive a sorte de ter esta oportunidade na Liga Portuguesa de Futebol Profissional, onde como Diretor de Competições e Eventos posso aplicar muitos dos conhecimentos que adquiri contribuindo para um produto cada vez melhor, que é o NOSSO FUTEBOL.

Qual é a próxima meta agora?


A próxima meta é fazer crescer o Nosso Futebol cada vez mais. Fomos considerados a 6ª melhor Liga do Mundo, o que é impressionante tendo em conta o nosso mercado. Queremos mais, e temos condições para isso.

Que conselho deixas aos milhares de estudantes da UMinho que procuram um futuro mais risonho através de um curso superior?


O principal conselho é DECIDIR. Tenho a sensação que muitas vezes se escolhem cursos e universidades através de critérios que não são os mais corretos: perspetiva de carreira profissional, crescimento pessoal e envolvência.


O segundo conselho é FORMAÇÃO. O processo de formação não pode parar na licenciatura ou numa idade qualquer. Tem que ser contínuo.


Por último, MOTIVAÇÃO. "Enough Said"


Texto: Nuno Gonçalves



(Pub. Out/2011) 

Arquivo de 2011