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Entrevista.com, 21.10.2010
“Não sei ainda se sou candidato”
UMinho
Luís Rodrigues assumiu a presidência da AAUM a15 de Janeiro de 2010. A três meses do término do seu mandato, o estudante de Ciências da Comunicação ainda não sabe se voltará a ser candidato ao cargo. No entanto o balanço é "francamente positivo" refere o dirigente. Devo-o a uma Direcção composta por 35 estudantes voluntários, mas que têm vindo a desempenhar um trabalho quase profissional, rigoroso, responsável e, acima de tudo, com um sentido de compromisso muito forte para com a AAUM, UMinho e para com todos os estudantes que os elegeram.



Quais os desafios que lhe pareciam, há um ano atrás, mais complicados de ultrapassar e porquê
?

A fasquia elevada pelas anteriores direcções, e o legado deixado pelo Pedro Soares até ao Vasco Leão, foram por si só, o maior desafio que esta direcção poderia ter tido. Funcionando como uma pressão positiva, essa responsabilidade acabou por nos impor uma exigência e uma intensidade muito fortes que, naturalmente, se vieram a reflectir na eficácia que cada actividade/projecto trouxeram consigo.


Sente que este cargo o obrigou a um grande crescimento, como pessoa? Houve muita aprendizagem, ou o anterior contacto com o mundo associativo já tinha dado essa "estaleca"?

Naturalmente que sim. Ainda que tendo feito parte das três direcções do Pedro Soares, inicialmente no Departamento de Comunicação e Imagem e depois enquanto Tesoureiro, liderar este projecto obrigou a um empenhamento e a uma dedicação exclusiva à Associação Académica.

Certamente que no início, durante e no final deste percurso, a primeira palavra será sempre para os meus pais que me proporcionaram as condições para tal.

Desafio todos os estudantes a procurarem participar nas mais diversas formas de associativismo que têm ao seu dispor na Universidade do Minho. Nos grupos culturais, no desporto, nos seus núcleos de curso, na AAUM e em todas as suas actividades. Acredito que este contacto, estas experiências extra-curriculares, vão muito além daquilo que se aprende nas salas de aula e cultivam valores cada vez mais raros na sociedade.


Quais as actividades que mais o entusiasmaram, pelo desafio que constituíram?

É muito difícil destacar actividades porque as áreas em que a AAUM actua são extremamente vastas? O acolhimento aos novos alunos é um dos grandes desafios que a Associação Académica pode ter. O seu papel na integração e enquanto primeiro interlocutor com estes estudantes tem que ser preparado com objectivos e em moldes muito bem delineados. O trabalho que 30 colaboradores fizeram ao longo das suas últimas semanas de férias - antes do começo do ano lectivo - é prova do companheirismo e da solidariedade que os estudantes têm entre si. Claro que tenho que destacar duas ou três outras actividades que, pela elevada participação que têm, constituem sempre um desafio suplementar.

O Enterro da Gata que, uma vez mais, se afirmou no panorama nacional como uma das festas académicas de referência. Num espaço de três anos, reunirmos nomes como James, Gabriel o Pensador, Guano Apes, Orishas, Daniela Mercury e Emir Kusturika no Gatódromo e registarmos assistências médias crescentes, que rondam já as 12.000 pessoas/noite, tem obrigatoriamente que ser uma uma actividade que desperta um entusiasmo particular em toda a equipa.

Também a Gata na Praia - que este ano mudou de ares e renovou espírito - ou a recentemente terminada Recepção ao Caloiro, com a maior participação de sempre, são outras actividades, que pelo seu carácter lúdico despertam outro tipo de sentimentos.


Sente que muito ainda está por fazer? Se sim, o quê?

Haverá sempre muito mais para fazer. Ainda ao longo dos três meses que restam deste mandato, teremos o lançamento do Liftoff - Gabinete do Empreendedor da AAUM - que procurará promover uma cultura empreendedora, divulgando e apoiando novas ideias e projectos empresariais, ao mesmo tempo que trabalhará no sentido de formar e informar a comunidade académica sobre temas relacionados com oportunidades de negócio, com a criação, gestão e internacionalização de empresas.

Teremos a implementação do passe no serviço de transportes entre os campi, que permitirá uma racionalização dos meios, e do qual se espera um aumento da eficácia, com proveitos para os estudantes.

Implementaremos o sistema de garantia da qualidade na Associação Académica, processo que está, nesta fase, a avaliar e a reestruturar os procedimentos de todos os departamentos da AAUM.

E teremos, ainda, dezenas de actividades/iniciativas de âmbito social, cultural, desportivo, pedagógico?


Muitas vezes encaram-se certas actividades, como o Enterro ou a Gata na Praia, como, de certa forma, um pouco paralelos à actividade académica. O que tem a dizer sobre essas críticas?

O Enterro da Gata é o culminar de uma tradição que a AAUM se orgulha de preservar. Trata-se de simbolicamente enterrar o chumbo académico. A Gata na Praia é uma actividade relativamente recente, com carácter desportivo e social, que visa a promoção e intensificação de elos de camaradagem, trabalho em grupo, solidariedade, através da prática de actividades desportivas. Em comum terão os momentos muito próprios e por conseguinte diferentes de natureza lúdica.

Como encara o actual panorama universitário português, com especial incidência na academia minhota?

A mobilização dos estudantes à volta de causas justas como seja a questão do atraso no pagamento das bolsas e das respectivas regras técnicas, os aumentos brutais nos preços de alguns serviços que se vão, certamente, acentuar... Paralelamente, o clima económico que se prevê para os próximos anos não é nada favorável nem mesmo para a camada da sociedade  com mais saber e conhecimento. A região do Minho sendo uma das mais pobres do país irá seguramente sofrer mais do que outras no País. Daí eu pensar que urge criar sentimentos de solidariedade fortes no seio do associativismo universitário Português na sua globalidade.



A Acção social é um assunto ao qual é impossível ficar indiferente neste início de ano. O que tem feito a AAUM relativamente a isto e como prevê o seu desfecho?

A AAUM já demonstrou toda a sua indignação para com um processo que teima em não ficar concluído e não nos iremos coadunar com as "meias verdades" publicitadas pela tutela. É inadmissível que em meados de Outubro o novo Regulamento de Atribuição de Bolsas de Estudo, cuja discussão foi iniciada em Fevereiro - é bom relembrar - não esteja ainda concretizado nas respectivas normas técnicas.

Desde 3 de Setembro, altura em que foi publicado o Regulamento, que o MCTES e a Direcção-Geral do Ensino Superior não se entendem relativamente à definição das regras técnicas. Naturalmente, que os únicos prejudicados neste processo são os estudantes. E os estudantes carenciados, aqueles que precisam da bolsa de estudo para frequentar o Ensino Superior.

Portanto, não aceitamos que o Ministério delibere, começar agora a pagar uma bolsa mínima de 98 euros e sessenta cêntimos, quando a bolsa média em Portugal é superior a 200€. E até quando se arrastará esta indefinição? Por isso mesmo, levamos a cabo uma acção de protesto no passado dia 13 de Outubro - com cerca de 500 estudantes - no Governo Civil de Braga, entregando uma proposta de normas técnicas, redigida pelos estudantes no último Encontro Nacional de Direcções Associativas, e um cheque simbólico no mesmo valor de 98 euros e sessenta cêntimos como incentivo para o Sr. Ministro e o Sr. Director-Geral fazerem algumas horas extraordinárias que lhes permitam finalizar o regulamento de atribuição de bolsas.

Que desafios se deparam no caminho de um estudante, no contexto de 2010? Esses desafios obrigam as associações a constantes mudanças na sua estratégia?

As Universidades vão concerteza sofrer cortes orçamentais que se poderão vir a reflectir na qualidade dos seus projectos ensino - a nível pedagógico mas também na investigação que alimenta esses mesmos projectos. Os estudantes  irão cumulativamente sofrer limitações económicas que irão por sua vez afectar os seus desempenhos académicos. Há que estar atento a estes desenvolvimentos e a AAUM fá-lo-á concerteza.  

Tem sido difícil adaptar a AAUM a esses novos paradigmas?

Não. A AAUM possui uma estrutura organizativa e recursos humanos que lhe permite dar respostas imediatas a todas as mudanças. Mantemo-nos próximos dos estudantes e dos seus problemas. Por conseguinte, possuímos soluções pensadas e planeadas.


Ser dirigente de um órgão como a AAUM é mais fácil ou mais difícil do que há dez anos? Porquê?

Por um lado, mais fácil. Caminhou-se para um modelo de gestão rigoroso, o que confere às direcções que vão passando pela AAUM uma estabilidade essencial, quando perante a possibilidade de integrar um novo projecto, ou de serem mais arrojadas em outros. Por outro, e por toda a responsabilidade de que já falei, mais difícil, certamente.

Considera o seu cargo político?

É um cargo mais ou menos político consoante o contexto económico-social de que estivermos a falar. Neste contexto, claramente. Mas, ao mesmo tempo, genuíno. Aquilo que, genericamente, rareia entre a classe política.E é, por isso, que tenho alguma dificuldade em conotar o lugar de um dirigente associativo - estudantil - voluntário como um cargo político.

Consegue elencar-me quais poderão ser as "bandeiras" da AAUM para um futuro mandato?

Não sei ainda se sou candidato. Tem havido uma série de acontecimentos urgentes que não me deixaram parar um pouco para pensar nessa hipótese. Mas, tal como as coisas estão a evoluir, não faltarão bandeiras para mobilizar os estudantes. Uma coisa posso garantir aos estudantes da UMinho no que diz respeito aos seus interesses, estaremos sempre onde não seremos bem-vindos.

Tem sido notório o crescimento, em actividade e estatuto, da AAUM na região. Ainda há muito para crescer?

A AAUM vai ter em 2012 uma oportunidade única de afirmação nas sociedades das duas maiores cidades da região. As capitais europeias da Cultura e da Juventude. Estou certo que Braga e Guimarães saberão potenciar a Universidade, a AAUM e os estudantes na dinamização destes projectos.

É vital que a AAUM continue a trabalhar em projectos voltados para as cidades que acolhem mais de 17.000 estudantes, muitos dos quais deslocados. É essencial criar condições para a sua fixação. É urgente colocar os estudantes na agenda política das cidades. 2011 será um bom ano para os agentes competentes desenvolverem este trabalho. Estou certo que, seja a nível cultural ? e aqui é bom ter presente o trabalho de excelência que é feito pelos Grupos Culturais da Universidade do Minho ? desportivo, com a organização de eventos nacionais e internacionais, ou social, há, certamente, muito por onde trabalhar e crescer.

Nota-se uma grande continuidade nos corpos sociais da AAUM. Esse é o segredo do vosso sucesso?

Tem sido muito importante assegurar a continuidade de alguns elementos de ano para ano. No entanto, tão importante quanto esse capital de confiança adquirido, é assegurar a renovação. Parece-me que o sucesso do crescimento e da afirmação da Associação Académica reside nesse equilíbrio.

A nova sede da AAUM será uma realidade? Para quando?

A nova sede é um objectivo muito bem afirmado e reafirmado pelas várias direcções e pelos últimos presidentes que a AAUM conheceu. Mais do que um objectivo, será uma realidade acurto/médio prazo.


Texto: Ana Coimbra
anac@sas.uminho.pt

Fotografia: Nuno Gonçalves
nunog@sas.uminho.pt


(Pub. Out/2010)

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