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Entrevista.com, 27.05.2010
“Humanismo da Escola de Arquitectura permite fazer mais e melhor”
UMinho
Paulo Cruz é docente da Universidade do Minho há 21 anos. Licenciado em Engenharia Civil pela Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, o actual presidente da Escola da Arquitectura considera que olhares diferenciados sobre uma mesma área pode ser uma fonte de progresso.



Defende também que a Arquitectura é uma área multidisciplinar, e apesar de ser formado numa área concorrente da Arquitectura, admite a urgência de um esforço de aproximação.  Em 2004 foi convidado a presidir o então Departamento Autónomo de Arquitectura e acompanhou o processo de implementação da Escola de Arquitectura, sendo agora um dos responsáveis pela sua fase de valorização e consolidação.  

Como caracteriza a função do Presidente de Escola?

Este é um cargo que exige total disponibilidade e dedicação. São muitas as tarefas a fazer. Há sempre relatórios para preparar, júris para nomear e concursos para presidir. No dia-a-dia é necessário resolver pequenos problemas e criar condições para que a Escola possa progredir nesse esforço de crescimento, de afirmação. São várias as frentes que exigem a actuação do presidente. Além disso, toda uma programação estratégica no sentido de perspectivar o futuro e encontrar novos projectos e novas parcerias. Alguns desses projectos vão concentrar a atenção deste mandato, que é a aposta da UM em cursos de Artes Plásticas e Visuais e mesmo no Design.

É um desafio ser presidente da Escola de arquitectura?


Representa seguramente um desafio. É preciso conhecer, aproximar e perceber. Qualquer colectivo é um conjunto de pessoas com características distintas, formas diferentes de ver. Eu julgo que a principal virtude de um líder é tentar tirar partido das pessoas, dinamizar, motivar, perceber as limitações. Ser um agente positivo de mudança. Os tempos não são os mais fáceis, mas é nestas alturas que são mais importantes as decisões tomadas.

Quais são na sua opinião os pontos fortes da Escola de Arquitectura?


Os pontos fortes são vários. É uma Escola jovem, com um corpo docente também jovem e motivado; os cursos registam uma grande procura por parte da população estudantil. As médias são muito altas mas há uma grande receptividade por parte dos alunos; as suas instalações têm boa qualidade e são recentes. Os alunos podem aceder às instalações 24 horas por dia; Acho que a UM tem condições favoráveis para o desenvolvimento de projectos multidisciplinares. Para a afirmação da arquitectura é importante que convirjam aspectos das Ciências Sociais, da Psicologia e Sociologia, da Engenharia, da Construção, de muitas áreas; temos também elevados níveis de mobilidade estudantil; e também um alto nível de empregabilidade dos licenciados.

Se tivesse de escolher um destes pontos fortes como o mais importante, aquele que melhor projecta a Escola, qual seria?

Eu acho que são os recursos humanos. Docentes e funcionários. È a motivação destes dois corpos que permitirá a renovação da Escola. É este humanismo que eu destaco como aspecto mais importante, que permite ultrapassar as vicissitudes e procurar fazer mais e melhor.




A comemorar 14 anos, como tem sido a evolução da Escola de Arquitectura?


Os primeiros anos foram de instalação, a Escola foi crescendo a conta gotas. Essa primeira fase foi superada. A segunda foi de formação do corpo docente, isto também já está lançado. Agora estamos a apostar muito nos doutoramentos. Depois tivemos de reunir todos os requisitos para sermos uma Escola e deixarmos de ser um Departamento Autónomo. Agora os desafios não param, e a exigência é cada vez maior. Temos de ser capazes de atrair novos financiamentos e projectos de investigação, no fundo fazer para que a Escola seja reconhecida. Vivemos agora uma fase de internacionalização, de valorização e de prestação de serviço, para que também a comunidade mais próxima reconheça o papel que a Escola pode ter.

O que a caracteriza relativamente às outras escolas do país?

Na adequação a Bolonha introduzimos três perfis na formação de um arquitecto: cidade e território, construção e tecnologia e cultura arquitectónica. Gradualmente isto começa a dar frutos e permite que o arquitecto tenha uma formação mais genérica, e no 3º ciclo tenha uma formação mais segmentada. Julgo que esta é uma oportunidade, pois outras universidades mais antigas são mais ortodoxas e não abraçam tão facilmente projectos inovadores em áreas emergentes. São estas predisposições que, a par do dinamismo do corpo docente, permitam que a Escola possa ser diferente.


O que podem esperar os estudantes de Arquitectura, em termos de qualidade de ensino e inserção no mercado de trabalho?

A Escola sempre deu muita importância à qualidade do ensino. Os alunos podem esperar que a Escola continue a promover a educação superior assumindo a criatividade e a inovação como factores cruciais. Podem esperar uma oferta educativa diversificada, na adequação a Bolonha foram introduzidas disciplinas de opção que abrem perspectivas para muitas áreas.Podem esperar que a sua formação continue a assegurar o equilíbrio entre os aspectos teóricos e práticos da formação em arquitectura e a permitir a aquisição de um vasto leque de conhecimentos ecompetências. Podem esperar que a Escola continue a promover inúmeras actividades extracurriculares, tais como visitas de estudo, ciclos de conferências, exposições, seminários, workshops e debates.


Qual a Estratégia da Escola de Arquitectura para os próximos anos?


O futuro vai-se construindo e são várias as linhas estratégicas a curto prazo que pretendemos perseguir: Aprofundar a ligação entre o ensino e a investigação, nomeadamente ao nível do 2º e 3º ciclo. Promover um ensino de qualidade e valorizar a produção de elementos de apoio pedagógico. Aumentar a internacionalização e a captação de alunos de 3º ciclo de países estrangeiros. Promover o lançamento de projectos de ensino e investigação em áreas afins, tais como: artes visuais, design e paisagismo, tendo em conta as semelhanças metodológicas e instrumentais de projecto e experimentação. Criar as condições para o reconhecimento e avaliação positiva do Centro de Investigação, terá de ser submetido à FTC para ser acreditado. E ainda reforçar os mecanismos de interacção com a sociedade, valorizando e promovendo o papel do Centro de Estudos.

Texto:Luciana Silva

Fotografia: Nuno Gonçalves
nunog@sas.uminho.pt

(Pub. Mai/2010)

Arquivo de 2010