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Entrevista.com, 14.02.2010
ARCUM, sonhos, projectos e vivências
UMinho
Nuno Pinto, actual presidente da direcção da ARCUM, membro da TUM desde 2000, falou-nos um pouco da fundação da associação, do momento actual e das suas ideias para o futuro. Tentou também deixar uma mensagem que convide todos os alunos a procurarem ingressar num dos grupos da associação.
A Universidade do Minho, para além da excelência no ensino, tem também, à disposição dos seus alunos, todo um conjunto de actividades extra-curriculares. Dentro desse conjunto, a cultura assume um papel de relevo, existindo vários grupos que têm como objectivo divulgar a cultura e as tradições da região.
Falar nessa divulgação é falar na Associação Recreativa e Cultural Universitária do Minho (ARCUM). Esta associação foi fundada em 1991, pelos membros do Grupo de Música Popular (GMP), do Grupo Folclórico (GF) e da Tuna Universitária do Minho (TUM), que sentiram necessidade de unir estes três grupos culturais dentro de uma mesma associação.
Como se deu a formação da ARCUM?
Primeiro apareceram os grupos e depois a associação. Já existiam o GMP e o GF. A TUM apareceu, em 1990. Como as pessoas eram comuns a vários grupos, formaram a ARCUM, em 1991. Entretanto surgiram novos grupos, como os Bomboémia, o Grupo de Fados, e o Grupo de Poesia e Flauta.
Os membros mais antigos da associação ainda mantêm contacto?
As pessoas vão passando o testemunho, deixam de comandar os destinos da associação, mas sentem-se sempre motivadas a vir cá e participam em algumas actividades. No GF ou na TUM, os membros ficam sempre vinculados ao grupo. Noutras tunas, para dar um exemplo, há cerimónia de desvinculação. Na nossa tuna isso não acontece. Já tivemos 90 tunos em cima do palco.
Quantas pessoas são representadas por esta associação?
Esta associação já teve, ao longo da sua existência, mais de 400 membros. Actualmente, representará à volta de 100 pessoas.
Que momentos da história da ARCUM é capaz de recordar?
Já estou há dez anos nesta associação, ou seja, metade da sua existência. Sou capaz de recordar vários momentos. Digressões ao estrangeiro, onde fomos sempre bem recebidos, tanto pela Europa como à América do Sul. São momentos marcantes, que contribuem para o fortalecimento da união entre os membros dos grupos. Os festivais também são momentos para recordar. Temos, todos os anos, o Festival Universitário de Tunas Universitárias (FITU) e o Festival Universitário de Música Popular (FUMP), que marcam não só a Universidade do Minho como também a cidade. Existem ainda momentos como aquele que referi há pouco, em que colocámos 90 tunos em palco, no Porto. Nunca tinha sido feito por nenhuma tuna. Estes são alguns marcos importantes das actividades que gostamos de realizar.
Como é que vocês são recebidos no estrangeiro?
Somos muito bem recebidos. As pessoas acham piada ao nosso traje, que é diferente dos outros trajes portugueses, e bastam duas ou três pessoas trajadas para que as pessoas nos façam perguntas e queiram saber de onde vimos e que tipo de música tocamos. Gera-se logo muita simpatia. Para além disso, há sempre curiosidade de ouvir música em Português, conhecer alguns instrumentos que são tipicamente nossos, como o cavaquinho ou a viola braguesa. Não só levamos o nome da Universidade do Minho, como a própria cultura da nossa região e do nosso país.
A procura dos estudantes pela participação nestes grupos tem-se alterado com os anos?
Quando a ARCUM foi fundada, tinha propostas de actividades muito atractivas, que hoje concorrem com muitas outras. Na altura, esta actividade era um escape para muitos estudantes, uma vez que não havia muito mais. Hoje concorremos com muitas actividades, das mais simples ate às mais elaboradas. As tunas não passam tanto por isto, têm outra visibilidade e acabam sempre por ter procura. Para dar um exemplo, os Bomboémia, antigamente, chamavam-se ?Grupo de Gigantones e Zés Pereiras?, tinha dois bombos e duas tarolas e os típicos cabeçudos. Era um grupo com pouca actividade. Houve uma reformulação, deu-se ênfase à percussão e acabou por surgir muita mais procura. Foi um grupo que renasceu dentro da ARCUM, tem tanta ou mais actividade do que a TUM, que era o grupo com mais actividade. Temos que inovar, constantemente. O GMP e o GF podem ter menos procura, mas também há muitos jovens, hoje em dia, que já se deixam de satisfazer apenas com o lado material da vida e procuram as raízes e os movimentos culturais, para terem outro tipo de experiências.
E as alterações relacionadas com o processo de Bolonha?
No meu entender, falar no processo de Bolonha como algo directamente ligado à diminuição da procura dos estudantes pelos grupos culturais é uma falácia. Ao longo da vida da ARCUM, tivemos alunos que fizeram o curso no tempo estipulado, sem atrasos. Aqui é como em todas as associações, há quem passa e quem reprova, cada um tem que organizar o seu tempo da melhor forma. Se assim o fizer, há tempo para tudo. A ARCUM e os seus grupos não concorrem para um mau aproveitamento escolar. Pelo contrário, desenvolvem-se, aqui, valências que serão úteis na estrutura curricular. Existe também uma certa orientação por parte dos membros mais velhos dos grupos. Eu já passei muitas tardes, aqui na associação, a estudar com colegas meus de outros cursos.
Como é a vossa relação institucional com a Universidade do Minho?
A Universidade apoia-nos e reconhece o nosso trabalho. Tanto a Reitoria como os Serviços de Acção Social nos dão muito apoio. Na parte financeira, por vezes é complicado, mas conversando acabamos por conseguir chegar a bom porto.
Qual o vosso plano de actividades para 2010?
Vamos organizar o FITU, em Abril, e o FUMP, talvez em Novembro. Para além disso, temos a actividade normal dos grupos, como as actuações, festivais e encontros de tunas. Há hipótese de realizarmos uma digressão pela Europa, com vários grupos da ARCUM. Pretendemos ainda realizar um sarau ARCUM, no qual faremos um espectáculo com todos os grupos da associação. Noutros anos, editámos álbuns dos nossos grupos, talvez este ano possamos editar um álbum dos Bomboémia. Vamos tentar.
Como encara o futuro da associação?
A ARCUM será o que as pessoas quiserem fazer dela. Esta associação não continua ou acaba por decreto. Se acabar é porque a vontade dos seus membros foi essa. As pessoas entram cá porque estão a estudar, depois os ciclos académicos acabam, mas a associação pode ser um bom escape ao stress do quotidiano, ajuda a libertar a tensão. A actividade cultural pode ser um bom escape. Sinceramente, penso que vamos continuar por muitos anos.
Há espaço para novos grupos, dentro da ARCUM?
Sim. Temos vontade que isso aconteça e temos instalações que o permitem. Se surgirem novos grupos, será bom para dinamizar e haver mais interacção entre pessoas de diferentes grupos. As pessoas podem entrar num grupo e depois pertencer a vários. Eu faço parte da TUM, mas já pertenci a vários grupos.
Existe espaço para projectos individuais, dentro da ARCUM?
Existe sempre espaço, pois os grupos não se medem pelo número de elementos. O Grupo de Poesia e Flauta pode actuar com dois ou três elementos. Qualquer pessoa que tenha um projecto cultural, pode procurar o nosso apoio. Uma pessoa é um projecto. A ARCUM está aberta a apoiar qualquer pessoa que queria produzir um produto cultural.
Que mensagem quer deixar aos nossos alunos?
A cultura não e um apêndice, é uma parte integrante da nossa vida. Um povo sem cultura não é um povo. Aquilo que aqui fazemos é uma introdução no associativismo, o que traz muitas valências às pessoas que por aqui passam. São valências de organização e trabalho em equipa. Quando entrei aqui, o único dinheiro com que estava habituado a lidar era o que os meus pais me davam. Agora há outra responsabilidade, lidamos com um orçamento. É uma mais-valia enorme fazer parte de uma associação. O suplemento ao diploma é muito valorizado, a nível europeu, e em Portugal também começa a ser, é uma tendência. Já não se olha só para o currículo no aspecto da formação académica, mas também para as valências de organização e trabalho em equipa. A ARCUM e outros grupos académicos são uma escola, para além da própria diversão e da actividade recreativa que realizamos. A título de exemplo, vamos organizar um torneio de futebol para os grupos culturais da academia. Criam-se também laços muito fortes que ficam para além do curso. Muitas pessoas que conheci aqui dentro podem dizer que a sua vida ganhou algo melhor depois de entrarem na ARCUM. Pode dizer-se que a ARCUM acrescenta sempre qualquer coisa boa à vida das pessoas. Estamos juntos em várias alegrias e problemas, pelo que passamos por muitas coisas juntos. Nas digressões, passamos 24 horas por dia juntos, o que implica um espírito de grupo e de entreajuda muito fortes. Temos também uma escola de música. Algumas classes propomos nos, outras propõem os alunos. Há para o nível básico ou intermediário. Normalmente, às aulas de guitarra vêm pessoas que nunca tinham tocado. Pagam um preço simbólico, apensas para despesas de manutenção, fazemos aulas para vários níveis. Para os novos alunos, digo que se quiserem estar envolvidos numa actividade cultural e entrar numa associação, a ARCUM é uma boa aposta.  
Texto: João Dias
Fotografia: Nuno Gonçalves
(Pub. Fev/2010)
Arquivo de 2010