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Entrevista.com, 02.03.2009
"Em causa está a efectiva capacidade das Universidades desenvolverem acção segundo orientações estratégicas"
UMinho
O UMdicas esteve à conversa com o Reitor da Universidade do Minho (UMinho), Prof. Dr. António Guimarães Rodrigues para fazer o balanço de 2008, e sabermos a sua opinião sobre alguns temas que afectam o ensino superior em geral e o dia-a-dia da Academia Minhota em particular.
No início de mais um ano e com a Universidade a fazer o seu 35º aniversário, que balanço se pode fazer do ano que passou?
Em 2008 foram ultrapassados todos os resultados de produção científica obtidos em anos anteriores. Contabilizam-se 920 artigos SCI, 1.224 Actas de Congressos Internacionais, 243 Capítulos de Livros Internacionais, 65 Livros Nacionais e 81 Capítulos de Livros Nacionais
Os resultados da avaliação internacional das Unidades de investigação, realizada em 2008, foram extremamente relevantes, tendo a Universidade do Minho obtido 7 unidades com classificação Excelente e 8 com classificação Muito Bom, o que, em termos relativos, e tendo em conta o número de investigadores doutorados da Universidade do Minho, a coloca em primeiro lugar a nível nacional.
A percentagem de docentes de carreira doutorados atingiu em 2008 os 85,5%, representando um acréscimo de 28,5% desde 2002.
Inúmeros congressos e encontros traduziram a intensa actividade científica da Universidade. Realizaram-se cerca de 200 eventos científicos, entre Congressos, Conferências, Colóquios, Seminários, Ciclos de Seminários e Workshops, e 30 Conferências de grande vulto, das quais 20 internacionais.
Foram publicados no passado dia 5 de Dezembro, em Diário da República, os novos Estatutos da Universidade do Minho. Quais foram as principais alterações à estrutura da UMinho?
O modelo de governação definido pela Lei n.º 62/2007 estabeleceu o enquadramento para a formulação dos estatutos das instituições de ensino superior.
A redução no número e dimensão dos órgãos de governo e consulta é um aspecto visível. Mas é também a forma de constituição destes órgãos.
Com os novos estatutos, foram criados o Instituto de Educação e a Escola de Psicologia, sendo extintos o Instituto de Educação e Psicologia e o Instituto de Estudos da Criança.
Que processos vêm implicar estas alterações?
Tem que ser desenvolvida a constituição dos novos órgãos e elaborados estatutos e regulamentos. Tem que ser definidos "novos" circuitos e assimilada uma nova forma de funcionamento.
Neste momento assiste-se á campanha para eleição do Conselho Geral da UMinho. Qual a sua opinião sobre o desenvolvimento desta?
A campanha decorre normalmente, acompanhada pela Comissão Eleitoral, no cumprimento do regulamento e calendário eleitoral.
A reitoria da Universidade do Minho encerrou durante 15 dias, nas semanas do Natal e do Ano Novo. Contas feitas, qual foi a poupança conseguida? Valeu a pena?
A reitoria garantiu, nesse período de tempo, o funcionamento mínimo em "regime de fim-de-semana" para todas as instalações. Considerando os fins-de-semana e tolerâncias concedidos pelo governo, verificou-se um adicional de quatro dias de tolerância, em períodos de reduzido acesso às instalações.
A poupança vale sempre a pena, quando representa a racionalização na utilização de recursos e a possibilidade de a redireccionar para outras aplicações.
Como classificaria a actual situação financeira da UMinho?
Estamos perante um desinvestimento no ensino superior. O que está a ser posto em causa?
A Universidade tem vindo a consolidar a sua situação financeira, com base no incremento de receitas e redução de encargos. Mas não é possível é acompanhar os aumentos de encargos associados ao desconto para a caixa geral de aposentações, ao aumento de vencimentos da função pública e dos encargos com a progressão na carreira.
Basta referir que o nível de financiamento em 2008 foi idêntico ao de 2001.
Em causa está a efectiva capacidade de as Universidades desenvolverem acção segundo orientações estratégicas.
Em causa está a autonomia das Universidades.
Como está a UMinho a responder ao desafio do Governo de conseguir mais receitas próprias?
Não existe qualquer incentivo ou desafio do Governo para a geração de receitas próprias por parte da Universidade.
Que avaliação faz da actuação do ministro Mariano Gago?
Devem dissociar-se a apreciação das políticas, da forma da sua implementação e dos agentes envolvidos. A crítica que tenho feito é uma crítica institucional, do conhecimento público, e dirigida particularmente à forma de implementação.
Saiu recentemente o Relatório sobre o progresso na concretização do Processo de Bolonha na UMinho. Na sua opinião Bolonha foi uma oportunidade para melhorar?
A mudança não garante necessariamente melhoria, mas é sempre uma oportunidade para melhorar. É importante que existam condições de investimento para a implementação dos aspectos realmente importantes do Processo de Bolonha.
Texto: Ana Coimbra
Fotografia: Nuno Gonçalves
Arquivo de 2009