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Entrevista.com, 02.02.2009
“A minha vida é viajar e descobrir novos mundos”
UMinho
Conciso e objectivo, Luís Garcia faz nesta entrevista um resumo da sua vida enquanto couch-surfer. Os casos mais insólitos e arriscados, as aventuras mais marcantes e as rotas que ainda faltam traçar não faltaram à conversa. Aos 27 anos, o estudante minhoto correu já mais de meio mundo.
Emirados árabes Unidos, Turquia, Syria, Bahrein, Letónia, Eslováquia e muitos outros países são já locais visitados por este Lisboeta que Braga acolheu no ano de 1999. Ao contrário do que as pessoas pensam em relação aos destinos mais caros e à influência da crise económica no sector, o nosso entrevistado acredita que o mundo das viagens não é atingido pela crise e que é preciso desmistificar a ideia errónea de que países luxuosos são muito caros para se viajar. Luís Garcia, o viajante-estudante em discurso directo ao UMdicas...
UMdicas: O que é o couch-surfing?
Luís Garcia: O couch-surfing é uma prática de poder viajar com baixos custos. Fazer viagens para casas de famílias de acolhimento como forma a poder correr o mundo e gastar pouco dinheiro. É uma comunidade de voluntários.
UMdicas: Como surgiu o couch-surfing na tua vida?
L. G.: Tudo começou na residência universitária. Quando vim estudar para a Uminho fiquei na residência Lloyd. Lá conheci alguns estudantes ERASMUS com os quais fiz boas amizades. Essas amizades aliadas à vontade de viajar fez-me tomar contacto com couch-surfing. Como tinha pouco dinheiro [risos] vi no couch-surfing uma excelente forma de viajar .
UMdicas: Há quanto tempo és um couch-surfer?
L. G.:   Ando nesta vida há dez anos.
UMdicas: O que te falta conhecer?
L. G.:   Ainda me falta percorrer muito. Apesar de já ter passado por vários locais há muito ainda para conhecer.
UMdicas: Como por exemplo?
L. G.:   Ainda não fui à América latina nem à Ásia. Quero ver se vou conhecer esses locais o quanto antes.
UMdicas: Consideras-te um turista?
L. G.:   Não sou um turista. Não faço turismo. Faço viagens.
UMdicas: Podes explicar isso melhor?
L. G.:   Um turista visita monumentos e locais importantes nos múltiplos países. Eu não. Quando chego a um destino quero ser mais um habitante. Gosto de passar despercebido. Por exemplo, se estou na Letónia quero ser um letão, hajo como os nativos. Não faço aquelas rotas típicas dos turistas. Posso dar-vos um exemplo: um turista quando chega à noite é capaz de ir para o hotel. Eu não. Sou capaz de andar a percorrer uma cidade de noite sozinho.
UMdicas: Qual a viagem que mais te marcou?
L. G.: A Turquia sem dúvida. As pessoas, a gastronomia, a riqueza cultural, enfim tudo. Na Turquia as pessoas são tão simpáticas que precisas apenas de dois minutos para arranjares uma boleia.
UMdicas: Caso mais insólito?
L. G.: Na Roménia. Os guardas identificaram-me e depois levaram-me para um local muito estranho. Eram corruptos e queriam que eu lhes desse dinheiro para me libertarem. Foi caricato em todos os sentidos. Desde a comunicação entre nós, já que mal falavam inglês [risos], até ao facto de não toparem que tinha dinheiro na carteira [risos]. Mostrei o bilhete de avião e disse-lhe que não tinha dinheiro nenhum.
UMdicas: Até quando pretendes continuar a viajar?
L. G.: Até aos 50 ou 60 anos. Até me cansar. Viajar é tão bom. Quero continuar a percorrer o mundo.
UMdicas: Como fica o mestrado em Engenharia Biológica no meio disto tudo?
L. G.: O curso vai-se fazendo. Tem anos em que me inscrevo apenas nas cadeiras que quero fazer. Pago as propinas e ninguém me chateia. Um dia fica feito [risos]. Para já aproveito para viajar.
UMdicas: Não pensas no teu futuro?
L. G.: Não gosto de pensar no futuro. Vivo um dia de cada vez. Mas claro que penso na minha vida futura. Posso dizer que quando terminar o curso pretendo trabalhar quatro meses para viajar oito. Talvez quando terminar o curso vou tirar uma especialização em soldador. É um ramo onde se ganha muito dinheiro e como não gasto muito nas viagens dá-me para viver perfeitamente.
UMdicas: Projectos próximos?
L. G.: Talvez lançar um livro onde relate esta vida de viagens, que sirva para que as pessoas percebam melhor o que é ser do couch-surfing, como poder viver sem gastar muito dinheiro em viagens etc. Até já pensei em associar-me à National Geographic. 
UMdicas: Quais os destinos mais caros?
L. G.: Sem dúvida que a Europa e os países pobres são os mais caros. As pessoas enganam-se quando imaginam que os destinos mais luxuosos são caros. O Dubai é um local onde se come e bebe muito barato. Com seis euros comemos até nos fartarmos numa esplanada com vista para lagoas artificiais. O Dubai é sem dúvida um local que convido a visitar. Os arranhas céus, os sheiks, aquelas paisagens maravilhosa, bem o Dubai é fantástico. No Dubai há shoppings só de ouro. Uma espécie de Bragapark só de Ouro [risos]. As pessoas não sabem o que estão a perder . É tão fácil e barato viajar.
?As pessoas enganam-se quando imaginam que os destinos mais luxuosos são caros. É tão fácil e barato viajar.?
UMdicas: Conheces outros casos aqui na Uminho de couch-surfer?
L. G.: No site estão referenciadas umas 20, 30 pessoas. Claro que algumas podem ser ERASMUS.
UMdicas: Sentes saudades de Portugal quando estás fora?
L. G.: Claro que sim. Gosto muito de viajar mas sinto saudades. Até posso dizer que desde que me iniciei nas viagens me tornei mais crítico em relação a Portugal quer positiva quer negativamente.
Texto: José Carlos Bragança
Fotografia: Nuno Gonçalves
Arquivo de 2009