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Entrevista.com, 17.06.2008
"É bom sentir a pressão e tornar-me cada vez melhor."
UMinho
Entrevista a Fernando Ribeiro, aluno de Enfermagem da UMinho e atleta TUTORUM. Este jovem atleta vimaranense apresenta-se como uma das maiores promessas do voleibol nacional.

Produto das escolas de formação do Vitória de Guimarães, Fernando é um dos atletas presentes em todas as convocatórias da equipa da Cidade Berço, tendo se sagrado nos últimos dois anos Vice-Campeão Nacional. Em termos internacionais, as suas 46 internacionalizações - 6 ("A"), 3 (Sub-20), 14 (Sub-19), e 23 (Sub-17) - falam por si. De quinas ao peito há a destacar a sua presença em 2005 (com apenas 18 anos) no lote dos convocados para a qualificação para o Campeonato do Mundo e a medalha de ouro nos Jogos da Lusofonia em 2006.
UMDicas: Com que idade é que iniciaste a prática competitiva do voleibol e onde?
Fernando Ribeiro: Comecei a jogar aos 9 anos e iniciei no clube Esc Sec. Francisco de Holanda. Dois anos depois mudei para o Vitoria S.C. e até hoje jogo lá.
UMDicas: Achas que o voleibol ajudou no teu desenvolvimento enquanto indivíduo?
F.R.: O voleibol fez-me crescer muito enquanto pessoa pois ajudou-me a saber ter capacidade de interagir em grupo, a ser responsável, a saber lidar com todo o tipo de pessoas, a saber liderar, e com as viagens ajudou-me a perceber a diversidade cultural que existe. Cresci muito e fez de mim muito da pessoa que sou hoje.
UMDicas: Qual foi o papel da tua família no teu percurso enquanto atleta de alta competição?
F.R.: De inicio fui por acaso para o voleibol e era um passatempo, pois era muito novo. A partir do momento em que rapidamente começou a tornar-se mais sério, tive sempre o apoio de toda a família, principalmente o apoio da minha mãe e irmã, que sempre estiveram lá. Foram as pessoas que me apoiaram desde sempre, nos bons e nos maus momentos. Devo-lhes muito esse apoio.
UMDicas: Quantas vezes treinas por semana, e quanto tempo?
F.R.: Treino 6 a 7 vezes por semana, por vezes treinos bidiários, normalmente um total de 20 horas semanais.
UMDicas: A maneira como tu lidas com a pressão e a ansiedade antes dos jogos é algo que tu consegues trabalhar e treinar, ou simplesmente é algo com que apenas lidas na hora em que entras em campo?
F.R.: Normalmente treinar bem durante a semana significa que fizemos um bom trabalho, ou seja, tranquiliza-nos para o jogo. A ansiedade existe mas se for excessiva, torna-se o nosso pior inimigo. A diferença entre fazer um grande jogo e de fazer um jogo mau é muito pequena.
Quanto à pressão é grande e vem de todos os lados pois a responsabilidade é enorme, mas também me motiva para me superar. A pressão e alta competição são indissociáveis, sendo que, se não conseguirmos lidar com ela, não temos as condições para jogar a alto nível. É bom sentir a pressão e tornar-me cada vez melhor.
UMDicas: Quando foi a tua primeira vez de quinas ao peito e contra quem? Qual foi a sensação?
F.R.: A primeira vez que joguei de quinas ao peito, foi na Bélgica, num jogo contra a Eslováquia. Tinha 17 anos. A sensação? É única e com muita emoção à mistura. Foi fantástico saber que estava a representar o meu país, e então ouvir o Hino nacional foi de me deixar com lágrimas nos olhos. Só passando por esses momentos é que se consegue perceber o sentimento. São momentos para recordar toda a vida.
UMDicas: A Selecção A é um objectivo a curto, médio ou longo prazo?
F.R.: Vejo isso como um objectivo a médio prazo. Apesar de ainda ser novo, já representei por 6 vezes a selecção A. Em 2005, na 2ª Gala Africana em Marrocos, e em 2006, nos 1ºs Jogos da Lusofonia em Macau. Neste momento quero pensar apenas no meu clube e o objectivo principal é cimentar o meu lugar, o que já está a acontecer. A partir daí, se continuar com um bom nível, aí sim pensarei que poderei voltar a ser chamado. 
UMDicas: Qual é para ti a grande diferença entre a competição federada e a competição universitária?
F.R.: A grande diferença que vejo é o nível técnico. É um desporto que exige muita técnica e controlo de bola, e aí nota-se muito a escassez de jogadores que dominem isso. Ao nível de pressão também se sente diferença. Os jogadores sentem pouca pressão, apenas em alguns jogos, o que na competição federada não acontece. Existe pressão jogo a jogo, em que não há espaço para facilitar.    
UMDicas: O facto de competires pelo teu actual clube condicionou a tua escolha de Universidades quando concorreste? Porque?
F.R.: Sim foi determinante o facto de jogar no Vitoria S.C. para escolher a Universidade do Minho. O facto de ser perto, permite-me deslocar rapidamente para Guimarães, evitando assim perder o mínimo de aulas. Sabia também das boas condições do curso e então não foi difícil escolher.
UMDicas: Para muitos atletas de alta competição torna-se difícil conciliar os estudos com a prática desportiva. Como é que tu consegues gerir esta nem sempre fácil "relação"?
F.R.: Esta relação é mesmo muito difícil de conciliar. Tenho que faltar a bastantes aulas. Depois chegar a casa, recuperar a matéria perdida e ter que estudar, sendo que venho cansado do treino, não é fácil. É preciso querer muito e ter bastante força de vontade senão torna-se uma relação impossível.
UMDicas: A UMinho iniciou em Portugal um programa pioneiro no que diz respeito ao apoio aos atletas de alta competição, o TUTORUM. O que pensas desta iniciativa e do programa em si?
F.R.: Penso que é um programa muito bom que nos permite ser acompanhados na nossa evolução escolar, em que o apoio é muito importante mesmo. É uma segurança extra para nós atletas.
UMDicas: Em que áreas já recebeste apoio através do TUTORUM?
F.R.: Tenho um professor que é o meu tutor, e sempre que tenho dificuldades ao nível de aulas, de faltas? é a ele que recorro, o que facilita muito.
UMDicas: Os teus objectivos pessoais passam por uma carreira profissional voleibol ou os estudos vêm em primeiro lugar?
F.R.: Até hoje consegui conciliar as duas coisas. Tirar o curso é muito importante para mim, e continuar a carreira profissional de voleibol também o é. Não consigo por uma à frente da outra. Espero fazer uma carreira de sucesso no voleibol, pois passa a correr, e ser um bom enfermeiro também. Iria sentir-me realizado e farei tudo para que isso aconteça!
Texto e Fotografia: Nuno Gonçalves
Arquivo de 2008