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Entrevista.com, 18.06.2008
"A medicina foi a vida que eu escolhi."
UMinho
O Conselho Regional do Norte da Ordem dos Médicos atribui o Prémio «Daniel Serrão» destinado a galardoar o médico licenciado pela Faculdade de Medicina do Porto, pelo Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar ou pela Escola de Ciências da Saúde da UMinho que, no ano anterior ao da atribuição do Prémio, tenha obtido a mais elevada classificação de licenciatura.

Em 2007, coube a Cristina Silva da UMinho, com uma média ponderada de 18.27, a honra de receber este prestigiado prémio. Fique agora conhecer um pouco desta jovem médica bracarense.
Quais são as consequências deste prémio na sua vida profissional?
Não há nenhuma consequência. Sinto sim que este é um reconhecimento pelo trabalho e dedicação ao longo dos últimos seis anos e, por isso, fico sem dúvida muito feliz. Todos ficamos felizes quando vemos o nosso trabalho reconhecido! Foram anos de muita entrega, em que abdiquei de certeza de muitos possíveis momentos de diversão, mas sinceramente fi-lo por paixão e por acreditar que a medicina foi a vida que eu escolhi. Ao longo do meu percurso académico recebi alguns prémios de mérito na Universidade do Minho e sempre vi esses prémios por um lado como uma recompensa pelo meu trabalho e por outro como um factor motivante para continuar a dar mais e o melhor de mim. Tenho ainda um longo percurso a percorrer na minha vida como médica, tenho tanto ainda para aprender! Por isso, é assim que encaro o prémio Daniel Serrão!
Sempre quis ser médica?
Sim, desde muito cedo que sempre que me colocavam aquela tradicional questão ?o que queres ser quando fores grande? ?, eu respondia médica. Na verdade, não me recordo de alguma outra vez ter desejado outra profissão, nem mesmo na fase das indecisões da adolescência eu o questionei.
 Porquê a ECS/ICVS?
O ano em que se iniciou a Licenciatura em Medicina na Universidade do Minho coincidiu com o ano em que conclui o 12º ano e me preparava para ingressar no Ensino Superior. Como sou natural de Braga e sempre aí residi, desde muito nova ouvi falar da Universidade do Minho e dos seus cursos inovadores. Por isso, decidi investigar o plano de estudos e modelo do curso que se preparava para abrir, nomeadamente na internet, e gostei do que encontrei. Juntei, também, o facto de com essa escolha poder permanecer na minha cidade natal e coloquei a ECS como a minha primeira opção.
O que apreciou mais durante o curso?
Primeiro de tudo sendo um curso de Medicina encontrei o que procurava: as ciências básicas detalhando o funcionamento do organismo, depois a clínica e os doentes, ou seja, encontrei o que sempre procurei conhecer e que sempre me fascinou e fascina. E depois, na ECS, encontrei um modelo de ensino integrado dividido em módulos, ou seja, a abordagem de um determinado tema, em simultâneo, pelas diferentes ?ciências?.
Explique um pouco melhor essa integração.
Dou um exemplo da Área Curricular Sistemas Orgânicos e Funcionais. Se estamos, por exemplo, no módulo Cardiovascular abordamos a fisiologia, a anatomia, a histologia e a bioquímica do sistema cardiovascular em simultâneo, o que nos obriga a perceber o sistema cardiovascular num todo e a integrar os diferentes conhecimentos. E eu acho isto muito positivo, porque é um exercício mental que desde o início aprendemos a fazer (mesmo sendo complicado no início) e nos ajuda mais tarde a ver o doente como um todo.
Mais alguma?
Uma outra característica do nosso curso, e que considero muito positiva e enriquecedora na nossa formação, é a existência, em todos os anos curriculares, de uma Área Curricular denominada "Projectos de Opção". Nesta, cada aluno tem oportunidade de escolher um projecto, que pode ser de investigação laboratorial, clínica, de vivência por exemplo num lar, numa associação de apoio social, um revisão teórica sobre algum tema, o que quiser. Não há uma lista pré-definida de projectos que temos de escolher. Cada aluno tem liberdade para realizar a sua escolha, e assim ir ao encontro de interesses que sempre tivemos e que não há oportunidade de serem desenvolvidos num curriculum normal. Considero que este tipo de oportunidades nos enriquece quer cientificamente, quer humanamente.
O que apreciou menos?
Não é uma questão de apreciar ou não, é uma exigência do curso (e certamente de todos os outros cursos de Medicina. Só não o afirmo porque não vivenciei outra realidade): o desgaste físico. É um curso extremamente exigente e permanentemente exigente. Estamos constantemente ocupados, porque somos permanentemente avaliados, não existem épocas de exame individualizados. Contudo, reconheço agora, que esta exigência durante o curso me ensinou desde cedo a coordenar melhor o tempo, a organizar melhor os meus dias.
Aconselha os jovens que querem ser médicos a frequentar a ECS?
Antes de mais aconselho os jovens que querem mesmo ser médicos a lutarem arduamente por esse objectivo, a não se deixarem derrubar pelas adversidades e a sê-lo! A Medicina proporciona-nos momentos de muita realização profissional, mas também pessoal. Todos os dias sinto que posso ser útil, que posso ajudar cada doente e nem que seja apenas por o ouvir como merece ser ouvido, por lhe sorrir. Quem partilha esta paixão pela Medicina certamente compreende o que digo.
Quanto à opção pela ECS posso apenas dizer que gostei muito de me formar na ECS. Não somos melhores nem piores do que ninguém (e eu não posso sequer fazer esse tipo de comparações porque não vivi as outras realidades), temos sim um modelo de ensino e um plano de estudos exigente, mas muito motivador e, que posso garantir, que nos forma (obviamente desde que nós trabalhemos e façamos a nossa parte) como bons profissionais, preparados para os desafios da prática clínica. Por isso, quem se sentir entusiasmado com o nosso modelo de ensino e curriculum tem na ECS uma casa na qual, certamente, gostará muito de se licenciar.
Texto e Fotos: Carlos Brito
Arquivo de 2008