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Entrevista.com, 22.02.2007
Guimarães Rodrigues destaca realizações e fala das dificuldades no 33º Aniversário da UMinho.
UMinho
Com 33 anos a fazer história no ensino em Portugal, a UMinho é actualmente uma das universidades mais prestigiadas a nível nacional e com forte impacto nacional.

A Universidade do Minho é uma Instituição pujante e reconhecida dentro e fora do País, quais os aspectos actuais que mais o preocupam e que o animam na data em que a UMinho celebra o seu 33.º Aniversário?
As questões orçamentais são prementes, na medida em que condicionam o funcionamento e a capacidade de realização da instituição. Esta condicionante é agravada pela absoluta instabilidade orçamental e ausência de garantia do cumprimento de compromissos assumidos, inviabilizando planos de desenvolvimento e contratos-programa.
Apesar da indefinição que ainda permanece sobre legislação e regulamentação que poderá vir a afectar as universidades, a Universidade do Minho tem equacionado e avançado na resolução dos problemas criados pelo severo corte orçamental e pelo aumento de encargos transferidos para as universidades.
Ao longo dos últimos anos, foi possível manter e implementar com sucesso as orientações estratégicas definidas para a Universidade.
Constitui preocupação garantir que a presente situação, e o seu possível prolongamento para o futuro, não se repercute na qualidade do ensino que caracteriza a Universidade do Minho, nem na sua reconhecida afirmação na investigação e na ligação ao exterior.
Neste 33º aniversário constitui particular motivo de satisfação constatar o vasto conjunto de realizações consolidadas, destacando-se a fortíssima internacionalização conseguida na investigação, no desenvolvimento tecnológico e na cooperação pedagógica a todos os níveis, com as mais prestigiadas universidades estrangeiras.
O que é que o Reitor e a sua equipa estão neste momento a equacionar para combater as dificuldades que as Instituições de Ensino Superior enfrentam actualmente com os cortes governamentais. Quais os projectos ou áreas que mais sofrerão as consequências com os cortes no orçamento da Universidade?
O orçamento das instituições de ensino superior tem sido, desde 2002, absolutamente imprevisível, o que dificulta a preparação de planos de desenvolvimento suficientemente fiáveis.
A Universidade prosseguiu nos últimos anos um investimento de mais de 2 milhões de euros para apoio à transição para o modelo de Bolonha. Sem a capacidade para manter ou reforçar este nível de financiamento, este será um percurso com acrescida dificuldade. Esta é, efectivamente, a área de maior preocupação.
A Reitoria, em conjunto com as Escolas, reuniu, a partir dos saldos de receitas próprias, a provisão necessária para proceder à distribuição de um orçamento que garanta a manutenção dos padrões de qualidade de ensino que caracterizam a Universidade do Minho.
A Universidade do Minho não se acomoda por detrás das dificuldades que lhe são impostas, e manterá o seu padrão de exigência de permanente melhoria da sua actividade de ensino, de investigação e de extensão, bem como das condições facultadas aos seus alunos.
Em que medida o Conselho Estratégico, criado há 3 anos, e que agora conta com novos e ilustres membros como o caso de Leonor Beleza, António Carrapatoso e Paquete de Oliveira poderá ajudar ao reforço da afirmação e financiamento da Universidade do Minho?
A Universidade do Minho é reconhecida como uma universidade com uma clara e forte definição estratégica. É também reconhecida a sua competência e espírito de inovação. A reunião no Conselho Estratégico de individualidades de reconhecida e diversificada experiência na definição e gestão de sistemas complexos tem-se traduzido numa mais valia.
A contribuição financeira ou a influência política não são critérios subjacentes à selecção dos membros convidados para o Conselho Estratégico. Este princípio constitui, aliás, marca diferenciadora e valorativa.
A exposição da Universidade e as interrogações que lhe são colocadas têm constituído oportunidades para consolidar a sua definição e para clarificar as suas orientações estratégicas.
Através do membros do Conselho Estratégico tem sido disseminado o reconhecimento do sentido estratégico e do valor da actividade da Universidade. Têm igualmente sido promovidas oportunidades que se têm materializado em realizações concretas e que têm permitido reforçar o potencial de actuação da Universidade.
Fala-se muito na possível criação de uma Escola de Artes na Universidade, este novo projecto de Ensino é possível de implementar?
O Ensino das Artes já existe na Universidade do Minho, e não depende da criação de uma Escola das Artes.
A Licenciatura em Música, já registada na Direcção Geral do Ensino Superior, foi possível pela existência de competências e experiência nesta área, sem que fosse necessária a criação de uma Escola. A Universidade nomeou uma Comissão para analisar a área dos Estudos Artísticos face às competências já reunidas na Universidade do Minho em diversas Escolas.
Com a diminuição geral da procura de alunos no acesso ao Ensino Superior quais as estratégias para captar novos públicos e rentabilizar os Recursos Físicos e Humanos da Universidade do Minho?
A redução de alunos associada ao factor demográfico tem-se mantido, embora mais atenuada do que há uns anos atrás. É previsível que esta evolução ainda se mantenha por mais uns anos.
A atractividade da oferta de formação da Universidade do Minho deverá ser um factor para contrariar a tendência demográfica, cativando mais alunos de outras regiões. Nesta vertente, a qualidade da investigação e do ensino-formação, as condições de apoio social facultadas e a qualidade de vida dos estudantes são importantes. Também o é o prestígio da instituição, que é reconhecido pelos alunos que ingressam como o factor mais importante da sua opção.
A Universidade tem desenvolvido uma acção bem sucedida na configuração e oferta de formação dirigida aos "novos públicos". Contudo, a relevância e qualidade da oferta facultada não são por si garante de que esta via providencie o complemento de receita que se aproxime dos níveis de desorçamentação praticados.
O Campus de Gualtar tem ainda uma ilha chamada "Bairro do Sol" e uma possibilidade de expansão chamada "Quinta do Peões", como é que a Universidade está ou pensa abordar uma possível alteração geográfica do desenho do Campus?
A geografia do campus de Gualtar não se irá alterar nos seus contornos actuais. O chamado "Bairro do Sol" corresponde a número elevado de pequenas propriedades que já se localizavam nos terrenos quando a Universidade os adquiriu em tempo passado. A sua expropriação, nas actuais condições, está fora de consideração.
Para a Quinta dos Peões, está traçado um modelo que permitiria garantir não uma zona de expansão do campus , mas um espaço de respiração. Constituindo propriedade privada, depende do seu proprietário a viabilização do desenvolvimento do referido modelo.
O Instituto Ibérico de Investigação e Desenvolvimento é uma oportunidade para a Região e também para a Universidade do Minho, em jeito de antecipação e na sua opinião o que poderá mudar com a entrada em funcionamento desta estrutura?
O Instituto Ibérico é uma entidade externa, autónoma e de âmbito internacional.
A actividade científica e pedagógica da UM é muitíssimo mais vasta que a actividade a desenvolver no Instituto Ibérico. O Instituto Ibérico terá, entre investigadores seniores e pós-doutorados, 200 investigadores ao todo, dos quais apenas cerca de 70 serão portugueses. A UM tem 720 doutorados do quadro e mais cerca de 100 pós-doutorados bolseiros. Ou seja, a UM tem um potencial de investigação 10 vezes maior que o Instituto Ibérico. Apenas não dispõe da mesma proporção de financiamento.
Com as competências que a Universidade do Minho reúne e com a qualidade reconhecida da investigação que desenvolve na área a que se dedicará o Instituto Ibérico, esta entidade seria sempre importante para a Universidade, qualquer que fosse a sua localização. A sua localização na Região constitui importante factor para a concentração e articulação da actividade de investigação desenvolvida na Universidade e, de preferência, para o estabelecimento de parcerias.
A Universidade do Minho assinou recentemente protocolos com instituições universitárias e de investigação de reconhecido prestígio, quais as próximas etapas de internacionalização da Universidade do Minho?
A internacionalização atravessa todas as áreas de actuação da Universidade, seja no ensino ou na investigação. A participação e cooperação internacionais são objectivos permanentes.
As participações que recentemente se verificaram são o resultado de um grande esforço de consolidação e afirmação desenvolvido durante vários anos.
Este trabalho prossegue em várias frentes que traduzem opções estratégicas da Universidade, e que apenas serão anunciadas quando for segura a sua efectivação.
Como vê a Universidade do Minho nas cidades e região onde está implementada, no país e a nível internacional?
Importa considerar a opinião externa sobre a Universidade. A Universidade do Minho é um agente incontornável no plano local e regional. É uma referência no plano nacional. Constitui um parceiro interessante no plano internacional.
Vejo a Universidade como uma "Universidade numa Região" e não como uma "Universidade Regional". Uma Universidade para se constituir como referência e como efectivo agente de desenvolvimento tem que se abrir ao Mundo. É neste sentido que a Reitoria tem desenvolvido a sua acção.
Texto: Ana Coimbra
Fotografia: Nuno Gonçalves
Arquivo de 2007