default-header-news
Entrevista.com, 14.11.2005
Papa da Uminho faz balanço da praxe e projecta o futuro.
Braga
António Carneiro, ´´Papa´´ ,da academia defende que a Tradição Académica é o motor de toda a nossa história da academia e faz disso a sua bandeira. Com o objectivo de fomentar e enraizar ainda mais essa tradição propõe-se a realizar o III Congresso Nacional de Tradições Académicas.
Umdicas: Quem é o ´´Papa´´ da Universidade do Minho (UM)?
António Carneiro: O Papa é a entidade que preside o Cabide de Cardeias, é o posto hiérarquico máximo dentro da praxe da Academia do Minho.
UMd: Qual é a função do Papa na UM?
AC: A função do Papa é presidir ás reuniões do Cabido, é ele e através dos outros cardeais que gere a praxe dentro da Academia nomeadamente na UM.
UMd: Também existe o Conselho de Ansiãos?
AC: Exacto. O Conselho de Ansiãos é o organismo que dentro do Cabido de Cardeais acaba por ser o orgão directivo de todas as tradições académicas da UM. Este Conselho tem uma grande proximidade com o Papa e é composto pelos Cardeais Ansiãos e que tem como objectivo ajudar, promever e auxiliar toda a máquina, toda a estrutura da praxe e zelar com que ela funcione bem e dentro da normalidade.
UMd: O Cabido de Cardeais é o orgão ao qual compete zelar pelas tradições académicas. O que nos podes dizer mais sobre o Cabido e a sua organização?
AC: Sim, é verdade. O Cabido de Cardeais é composto por todos os alunos que têm mais uma matrícula que o respectivo curso, em princípio alunos com mais experiência, que já conhecem os meios da UM, conhecem melhor as suas tradições. Esses cardeais têm o dever e o princípio de zelar para que essas tradições sejam transmitidas aos mais novos para que elas não morram e  florescam cada vez mais. É esta nossa tradição que demonstra a nossa identidade em relação ás outras academias, a nossa Tradição Académica é a nossa grande bandeira! É um trabalho contínuo, um trabalho desgastante e duro e que leva o seu tempo, mas sempre com o intuito de fortalecer as nossas raízes.
UMd: Esta trabalho que é feito pelos Cardeais  é actualizado todos os anos como por exemplo o Código da Praxe?
AC: Sim, está a ser constantemente actualizado. O Cabido de Cardeais e todas as estruturas vão mudando ao longo de ano, assim como as pessoas dentro dessas mesmas estruturas por diversas razões, como as comissões de praxe que são organizadas  por Freis (três matriculas) e são eles que terão que presidir ás Comissões de Praxe. Isto vai fazer com que exista sempre uma mutação de pessoas, todos os anos são pessoas diferentes. O que acontece na estrutura do Cabido de Cardeais é que as pessoas ficam mais tempo, o que estabiliza mais a estrutura e a sua organização, visto que somos os que estamos à mais tempo. Mas, a verdade é que mesmo dentro deste Cabido de Cardeais as mudanças vão-se sucedendo porque vão acabando o curso e vão entrando outros Cardeais. Esta mutação, esta mudança, é benéfica porque faz com que as pessoas já tenham experiência e possam de alguma forma através disso mostrar aos mais novos como é que as coisas são feitas e são estruturadas.
UMd: Isso passa não só pela Cabido de Cardeais mas também pela Comissões de Praxe?
AC: Obviamente. As Comissões de Praxe são os ´´braços´´ do Cabido de Cardeais. A nossa organização dentro da Academia é organizada por cursos. Cada Curso tem uma Comissão de Praxe, que como disse, são os ´´braços´´ do Cabido, são essas Comissões que organizam a praxe interna e que depois se podem juntar ao Cabido para organização de uma actividade em conjunto. Esta estrutura faz com que as comissões tenham uma grande proximidade com o Cabido, visto que nós transmitimos as directivas às comissões para que a praxe funcione bem e sem incidentes.
UMd: Como é estabelecida a ponte entre os Campi Gualtar e Azurém e a resolução de eventuais problemas que possam surgir ?
AC: A organização do Cabido está dividida entre os dois pólos. Existem pessoas responsáveis pelo Campus de Gualtar e pessoas responsáveis pelo Campus de Azurém, se existir alguma situação que exiga a actuação dos dois polos, funcionam os dois como um bloco.
UMd: São dependentes um do outro?
AC: São totalmente dependentes, aliás no Conselho de Ansiãos metade são do polo de Gualtar e a outra metade de Azurém, existindo depois uma interligação entre todos.
UMd: Quais são as actividades programadas, a regularizaçao da praxe e a sua dinamização?
AC: No início do ano existe uma actualização de todos os cargos, há pessoas que saem, existe a entrega das Comissões de Praxe com os novos elementos, existe também uma interacção entre a UMinho e a Associação Académica da Universidade do Minho (AAUM) através da Comissão de Acolhimento dos Novos Alunos, também existe uma interacção para com a AAUM para organizar não só a Recepção ao Caloiro mas também as várias actividades ao londo do ano. Dentro do cabido, as actividades que estão programadas neste início começam com o Juramento que decorreu no dia 2 e 3 de Novembro em Guimarães e Gualtar, onde existiu uma grande adesão por parte dos novos estudantes.
UMd: É uma actividade nova?
AC: É uma actividade que teve início no ano passado. Na minha opinião havia um certo vazio, algo que marcasse a entrada do novo estudante na academia, e esse vazio veio ser preenchido pelo Juramento e um Baptismo. Era e é um momento marcante para o caloiro fazer e sentir parte da academia.
UMd: Essas actividades ajudam a cimentar essa tradição da academia para o futuro?
AC: Exactamente, para as pessoas sentirem mais a UM, sentir que estão numa casa que é de todos nós e a que todos pertence. Existe também o Julgamento do Caloiro, o Enterro da Gata onde também damos o nosso apoio, a Imposição de Insígnias, Serenatas, temos também o torneio de sueca que já deve estar quase pronto, temos também várias reuniões com as Comissões de Praxe e também vamos tentar reunir com os transferidos de modo a integra-los da melhor forma possível na UMinho.
Este ano vamos apostar também numa actividade já no âmbito nacional, que vai ser o III Congresso de Tradições Académicas. Neste momento estamos a fazer todas as diligências para conseguir arranjar os apoios necessários para que possamos transmitir as nossa tradições ao resto do país. Este é um congresso em que vamos tentar convidar pessoas no âmbito da tradição académica nacional, para que as pessoas tenham conhecimento e percebam que a tradição cresceu e porquê. É uma actividade que ainda está a emergir, mas estamos neste momento a trabalhar nos moldes concretos de como é que a vamos organizar. Este III Congresso Nacional de Tradições Académicas está previsto em princípio para Março.
UMd: O vosso grande objectivo é fomentar todo este espírito à volta das tradições académicas?
AC: O nosso motor é a tradição e esse motor tem que ser alimentado.
UMd: Como achas que correu este ano a Recepção as novos estudantes?
AC: Correu bem, dentro dos parâmetros normais dos anos anteriores. Acho que tem vindo a melhorar cada vez mais, existem sempre alguns problemas, como em qualquer outra organização, mas que foram prontamente resolvidos.
UMd: Há muita oposição à praxe?
AC: Para se compreender a praxe é preciso vive-la. Quem nunca a viveu e a vê de fora tem dificuldades em entender certas atitudes que são tomadas., agora compreendemos que por vezes fazemos umas praxes mais vistosas, digamos assim, mas todas as praxes fazem parte de um todo e não se pode ver um filme só por alguns excertos, tem que se ver o filme todo, e a praxe também é assim. O que se passa muitas vezes é que as pessoas só vêm pequenos excertos, e como a praxe é visível e ainda bem que o é, porque facilita mais o próprio controlo, muitas vezes é mal interpretada. A verdade é que a praxe é um dos motores da nossa academia e creio que os alunos se sentem muito gratos por isso.
UMd: Qual o teu papel na organização da Recepção aos novos estudantes?
AC: O meu papel dentro da organização é simplesmente primar e promover as tradições académicas para que elas se cumpram.
UMd: Existe uma interligação entre o Papa e a AAUM?
AC: O Cabido de Cardeais e a AAUM trabalham em linhas paralelas com o mesmo fim e com o mesmo objectivo. A AAUM no campo mais político e nós no campo mais de tradição.
UMd: Tradição acima de tudo..
AC: Sempre. Com a ajuda da AAUM e de outras entidades, com a ajuda de todos pois todos juntos é que somos a força motora da Academia.
UMd: A praxe como meio de integração. Concordas?
AC: Concordo plenamente. A praxe é para mim um meio de integração.
UMd: Na praxe existem aspectos negativos que possam surgir?
AC: Todos os aspectos negativos que possam surgir são imediatamente sancionados e solucionados. Como é obvio, estamos aqui para isso. Como já referi a praxe é contínua e evolutiva e nós estamos sempre a trabalhar para que as coisas melhorem. Queremos que as coisas sejam feitas de uma forma organizada. Este ano por exemplo, achamos que os alunos não deveriam faltar ás aulas, o que a meu ver era algo negativo, acho que isto é uma postura que devemos tomar.
UMd: Que mensagem gostarias de deixar para quem praxa?
AC. Para que praxem com responsabilidade e com a ideia de que quando se está a praxar, não se pode estar só a executar um movimento físico, tem que se pensar que se está a transmitir uma mensagem, uma cultura, as  tradições da nossa academia. Tem que se ter a consciência de que se faz parte de um todo e que esse todo tem que remar para o mesmo lado para que a praxe seja mais forte e que nos valorize cada vez mais.
UMd: E aos novos Estudantes?
AC: Espero que gostem da praxe, espero que quando passarem pela varanda do Reitor sintam que a vossa praxe foi enriquecedora.
Se eu mandasse no mundo?isso é muito complicado, são muitos problemas!
Gostava de ter tempo para...   mais tempo para mim próprio.
Um defeito que tenho é...   ser teimoso.
A minha maior qualidade é...   não gosto de fazer elogios a mim próprio.
A maior alegria é...   quando acabar o curso.
Ainda não aprendi a...  jogar a bola.
Sempre que saio á noite...  tento divertir-me.
Tenho-me esquecido de...   ás vezes estudar o sificiente!
Tenho que ter mais cuidado com...   as pessoas que me querem mal.
Gostava de ser como...   não me revejo em nenhuma figura.
O que mais me irrita é...   são tantas coisas..hipócrisia!
Um livro a que não resisto...  gostava de ter tempo para ler o ´´Equador´´ de Miguel Sousa Tavares.
Não me canso de ouvir...   já foi tempo que era Pearl Jam.
O filme da minha Vida é...   ´´Memento´´.
Já não há paciência para...  Hipócrisia.
Se eu mandasse no mundo...  isso é muito complicado, são muitos problemas!
Michael Varela
Arquivo de 2005