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Entrevista.com, 14.11.2005
GRI, o interface entre UMinho e o Estrangeiro
Braga
Entrevista com Adriana Lago de Carvalho, responsável do Gabinete de Relações Internacionais (GRI) A Dr.ª Adriana Lago de Carvalho é a responsável operacional do Gabinete de Relações Internacionais (GRI), tendo como função, a gerência do gabinete e coordenação de toda a actividade que está no âmbito de actuação do GRI. Em termos de categoria é uma funcionária administrativa da carreira técnica superior, ocupando o cargo de chefe de divisão do GRI. Em termos hierárquicos está na dependência do vice-reitor, Prof. Manuel Mota, responsável pelo pelouro da internacionalização, sendo a responsável pela coordenação operacional de todos os processos.
UMdicas- Qual o papel do GRI na UMinho?
Adriana Carvalho - O GRI é um serviço da universidade. É uma estrutura operacional, responsável pela coordenação, apoio e implementação na área da internacionalização do ensino. É o gabinete incumbido de todos os projectos e iniciativas de cooperação e mobilidade académica como, mobilidade de estudantes, docentes e funcionários (que é algo que estamos a desenvolver recentemente). Estamos igualmente envolvidos em projectos de desenvolvimento curricular, redes de cooperação internacional, bem como outras actividades relacionadas. O gabinete é uma estrutura única, encontra-se localizado no Campus de Gualtar e de Azurém, numa lógica de articulação, complementaridade e coerência institucional, e assume uma postura de prestação de serviços à comunidade docente e discente da UM. Esta é uma questão muito importante, na medida que temos obrigatoriamente que estar próximos de quem precisa do nosso apoio e serviço.
O gabinete está enquadrado nos serviços da reitoria, estando dependente do Vice-Reitor, responsável estratégico. É importante salientar que o âmbito de actuação do GRI restringe-se apenas à internacionalização do ensino. A componente relacionada com a investigação depende de outra estrutura (GAP) também na dependência do mesmo Vice-Reitor, que garante uma abordagem holística à internacionalização da UMinho.
O GRI seria incapaz de desenvolver qualquer actividade sem a colaboração imprescindível dos docentes. Ao nível organizacional, temos um elemento de contacto internacional em cada Escola/Instituto, nomeado pelo Presidente da Unidade, e em cada Departamento da Universidade do Minho foi identificado um Coordenador Departamental SOCRATES/Erasmus (em sentido lato).
O GRI teve sempre como preocupação primordial atingir um equilíbrio entre uma coordenação central eficiente e eficaz, e a manutenção do interesse, motivação e empenhamento dos Coordenadores Departamentais/Académicos. A capacidade de trabalho em equipa, o respeito mútuo e a clarificação de papéis são essenciais para o sucesso de qualquer actividade de cooperação e mobilidade académica.
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UMdicas- Quais as suas competências e funcionamento do GRI?
A.C.- O GRI funciona na dependência directa do elemento da Reitoria com funções delegadas para a internacionalização, o Vice-Reitor Prof. Manuel Mota. A responsável operacional por este gabinete sou eu. Actualmente, o GRI/Braga é constituído por duas técnicas superiores,  Beatriz Araújo e Sandra Moreira, e uma assistente administrativa, Susana Gomes. O GRI/Guimarães é constituído por duas técnicas superiores, Carina Oliveira e Regina Vale, e uma técnica, Sílvia Pereira. Contamos ainda com a colaboração pontual de estagiários que admitimos por 6 meses em regime rotativo, normalmente alunos das licenciaturas em Relações Internacionais, Comunicação Social e Línguas.
O GRI constitui-se como estrutura de coordenação, acompanhamento e apoio operacional ao desenvolvimento de todas as iniciativas de internacionalização do ensino, nomeadamente no âmbito da cooperação e mobilidade académica. Tem como funções: Coordenar e apoiar as acções de relações e cooperação internacional da Universidade no âmbito da internacionalização do ensino/cooperação e mobilidade académica; Recolher e tratar informação sobre programas/iniciativas de cooperação e mobilidade académica, respectivas linhas de financiamento e procedimentos de candidatura; Divulgar, promover, apoiar, implementar e monitorar internamente todas as iniciativas que se enquadrem no âmbito de acção do GRI; Estabelecer contactos com e desempenhar o papel de interlocutor junto dos vários organismos nacionais e estrangeiros do seu âmbito de acção; Promover, apoiar, implementar e acompanhar a mobilidade de estudantes, docentes e técnicos nacionais e estrangeiros; Prestar informações, que estejam directamente relacionadas com o seu âmbito de actuação, acerca da Universidade do Minho; Estabelecer com os serviços da Universidade do Minho os contactos e a colaboração necessários à prossecução das suas atribuições; Desempenhar o papel de gabinete de informação e ligação da Universidade com as redes internacionais de que é membro; Apresentar-se como centro de informação actualizada com base na documentação recebida de instituições de ensino superior nacionais e estrangeiras e das Comunidades Europeias no que respeita principalmente aos programas comunitários de cooperação e mobilidade académica.
Desde a preparação das candidaturas até à implementação dos projectos aprovados, o GRI procura ter um envolvimento muito directo nos processos, em que se procura através de esforços conjuntos e conjugados atingir um nível de profissionalização fundamental para que as iniciativas tenham sucesso. A comunidade docente deverá encontrar na estrutura os apoios necessários para que só se preocupem com as questões que são da sua competência.
UMdicas- Qual a importância de um gabinete deste tipo numa universidade?
A.C .- Esta é uma estrutura muito importante e é um resultado concreto da visão estratégica por parte da UMinho. Hoje em dia nenhuma instituição de ensino superior pode minimizar a importância da cooperação internacional; a universidade não pode existir apenas no contexto local, regional e nacional, mas ela tem de interagir com o seu meio que é cada vez mais global. A própria designação ?Universidade? traduz o carácter universal de qualquer instituição responsável por gerar e transmitir conhecimento.
Quando se avalia o grau de internacionalização de qualquer instituição de ensino superior, a existência de um Gabinete de Relações Internacionais é um indicador muito importante. Isto demonstra que a UMinho procura verdadeiramente assumir a sua estratégia de internacionalização com a criação de uma estrutura desta natureza.
UMdicas- Qual a função do Conselho Coordenador do Gabinete de Relações Internacionais (CCGRI)?
A.C .- No âmbito da política de internacionalização da UM, foi proposta e aprovada em reunião de Senado de Julho de 1997 a criação do CCGRI - Conselho Coordenador do Gabinete de Relações Internacionais, com competência para assegurar, do ponto de vista institucional, a política de internacionalização da UM, segundo as orientações dos órgãos de governo da Universidade. Este conselho surgiu no momento em que a universidade teve que definir explicitamente uma política de internacionalização.
Este órgão está envolvido no planeamento, monitorização e implementação da Declaração de Estratégia Europeia da UM, procurando-se transformar num efectivo organismo de aconselhamento com funções de coordenação, e num fórum de discussão e estudo de soluções para a problemática da internacionalização, que favoreça a gestão participada.
Desenvolvem-se esforços para que o CCGRI se constitua num steering committee responsável pelo controlo e avaliação integrados da qualidade, no âmbito de todas as actividades internacionais de cooperação e mobilidade académica.
O conselho é um corpo coordenado pelo Vice-Reitor responsável pelo pelouro das Relações Internacionais, e composto por representantes do Gabinete de Relações Internacionais, das Escolas/Institutos, dos Serviços de Acção Social, dos Serviços Académicos e da Associação Académica. Os representantes poderão ser os presidentes das Escolas ou na maior parte dos casos temos um vice-presidente que é responsável pela área da internacionalização. Temos que garantir que as especificidades de cada área estão representadas na política da universidade. Procurou-se que este órgão fosse representativo das várias unidades da Universidade directamente relacionadas com a cooperação e mobilidade académica, para que todos os interlocutores no processo pudessem ter uma intervenção directa e assumirem igualmente o nível de responsabilização correspondente.
UMdicas- Numa conjuntura em que a internacionalização é cada vez maior, em que a boa imagem no exterior é determinante para o futuro da universidade, em que a globalização é cada vez uma realidade, o que é que a UMinho através do GRI tem feito para reforçar a sua imagem?
A.C .- Perfeitamente consciente desta conjuntura, a Universidade do Minho considera a internacionalização como uma área prioritária, sendo encarada como um dos elementos-chave para obter e manter um alto nível de qualidade do ensino ministrado e para promover a própria instituição num mundo de competitividade académica crescente.
Porque a UM está convencida que a internacionalização do ensino é um dos instrumentos mais eficazes para aumentar a qualidade do ensino ministrado e aprendizagem, tem procurado sistematicamente a criação de enquadramentos adequados para que os seus alunos possam beneficiar das várias oportunidades de mobilidade transnacional e que os seus docentes possam participar, promover e desenvolver actividades relevantes para o seu desenvolvimento pessoal e profissional.
A qualidade das actividades que desenvolvemos e os resultados conquistados só beneficiam a imagem da universidade. Tentamos pautar o nosso trabalho pela qualidade contínua, uma vez que não nos interessam apenas os números, mas o que costumamos designar por Qualidade das Quantidades. Porque não basta termos muitos projectos, se os processos não são bem feitos, se a actividade não é bem implementada; obviamente não estaríamos a cumprir a nossa função, e os números acabariam por não ter grande significado.
Ao nível da mobilidade de estudantes, há uma preocupação constante na satisfação das necessidades/expectativas dos alunos, através de uma preparação, acompanhamento, orientação e apoio extremosos. O GRI tenta minimizar todos os potenciais factores de insucesso para que esta possa ser uma experiência única e inesquecível para os alunos. O feedback que recebemos tanto da avaliação que os estudantes fazem, como aquela que é feita pelos nossos parceiros e pessoas com quem interagimos, tem sido sempre muito positivo; mas obviamente estamos sempre atentos ao que tem de ser melhorado e há sempre uma postura de evolução contínua.
O GRI ajuda a construção de uma imagem positiva da universidade através das nossas actividades, informações, do acolhimento aos estudantes estrangeiros, através da organização dos processos dos nossos estudantes que vão para fora, enfim, em absolutamente tudo o que fazemos. Muitas vezes os nossos alunos comparam os seus processos com os dos outros estudantes de outras universidades, fazendo questão de nos dizer que se sentem privilegiados, pois nós acompanhamos o processo do princípio ao fim, também as universidades estrangeiras mostram-se satisfeitas, sabem que têm um parceiro de confiança ao nível da cooperação internacional, cada vez temos mais estudantes estrangeiros, o que demonstra que os que vêm gostam e que a palavra passa.
Não posso deixar de referir, que nenhum estudante sai para um período de mobilidade no estrangeiro sem garantia a priori de reconhecimento académico, desde que completem com sucesso o programa de estudos proposto na Universidade de destino. Foram definidos procedimentos e canais internos transparentes para que todo este processo possa ser desencadeado com credibilidade e segurança para o estudante.
Há atribuição dos Labels ? ECTS Label e Suplemento ao Diploma Label ? também foram uma conquista, uma vez que apenas 3 instituições a nível europeu possuem estes dois selos de qualidade. Eles têm um valor amplamente reconhecido e demonstram o nível associado ao nosso desempenho.
UMdicas- A UMinho é uma universidade que procura estar sempre à frente. Que projectos têm implementado e pensam desenvolver no futuro para continuarem entre as melhores da Europa?
A.C .- Como já afirmado anteriormente, a postura de monitoração e evolução é permanente.
Temos que obviamente tentar manter aquilo que já conquistámos, como os Label, que não são para o resto da vida. Foram atribuídos por um período de três anos e tentamos fazer um trabalho muito sólido e fundamentado internamente para que os mereçamos e tenhamos hipóteses de renovar esse voto de confiança e responsabilização.
O facto de termos recebido esses dois Labels, concedeu-nos acesso ao projecto-piloto ELITE?LLL, que nos possibilita oportunidade de maior preparação para aplicação de Bolonha e dos novos conceitos associados à mudança do paradigma formativo.
A promoção da mobilidade continuará certamente a ser um vector prioritário. Outro aspecto que importa referir, no âmbito da nossa política de internacionalização, é que não queremos limitar a nossa intervenção em projectos europeus ao papel de parceiro, mas também promover iniciativas coordenadas por nós. Neste contexto, a UMinho é a universidade portuguesa que coordena um maior número de projectos no âmbito do programa ALFA, ou seja, redes de mobilidade de estudantes de graduação e pós-graduação com a América Latina; além disso , somos a única universidade portuguesa que coordena um projecto União Europeia ? Índia, entre outros. Refiro-me apenas a alguns dos indicadores que traduzem esse reconhecimento internacional. A UMinho quer sempre mais, rejubilamo-nos com as conquistas, mas procuramos sempre evoluir.
UMdicas- A Uminho possui o ?label? para o ECTS e Suplemento ao Diploma. Qual a sua importância?
A.C.- A Comissão Europeia quis distinguir as instituições do ensino superior que implementavam de uma forma sistemática e correcta instrumentos/ferramentas de importância para a construção do espaço europeu de ensino superior. Assim, criou essas duas iniciativas que se inserem nos objectivos de Bolonha. O ECTS já ultrapassou as fronteiras do GRI, não sendo utilizado apenas para os intercâmbios e mobilidade académica. O ECTS foi atribuído apenas a 14 instituições a nível Europeu e a apenas duas em Portugal. Quanto ao suplemento, foi uma iniciativa que a UMinho desenvolveu desde o início, tendo feito parte do projecto-piloto no final da década de 90. O Suplemento pode ser utilizado de diversas formas, em Portugal ou no estrangeiro. Se quiserem fazer um curso de pós-graduação nos EUA ou Europa, é um valor acrescentado, é uma ferramenta que faz com que sejam mais competitivos no mercado global, daí o esforço da universidade para oferecer esta mais valia aos seus licenciados. Neste momento, a Universidade do Minho já atribui Suplementos ao Diploma ao nível dos Mestrados e estamos a trabalhar para emissão dos doutoramentos, dado que são os graus atribuídos pela universidade. Ao nível do Suplemento, há um grupo de trabalho institucional que é coordenado pela pró-reitora, Profª Irene Montenegro, designado por GTS.
UMdicas- Em que consiste o Suplemento ao Diploma?
A.C. - O Suplemento ao Diploma tem em vista promover a transparência e o reconhecimento das qualificações quer para fins académicos quer profissionais. O Suplemento ao Diploma enquadra-se nas recomendações da Declaração de Bolonha, é um dos instrumentos primordiais para facilitar a mobilidade e a empregabilidade dos diplomados. A finalidade do Suplemento é fornecer dados independentes suficientes para promover a "transparência" internacional e um reconhecimento justo, académico e profissional, das qualificações (diplomas, graus, certificados, etc.). O Suplemento foi concebido para proporcionar uma descrição da natureza, nível, contexto, conteúdo e estatuto dos estudos efectuados e devidamente concluídos pelo indivíduo mencionado no diploma ou certificado original, ao qual o Suplemento é apenso.
A Universidade do Minho, reconhecendo a importância e valor acrescentado desta ferramenta para o aumento da competitividade global dos seus licenciados, foi a primeira instituição de ensino superior em Portugal a emitir o Suplemento ao Diploma. No ano lectivo 2002/2003, a Universidade do Minho alargou a fase experimental deste exercício a todos os seus cursos de licenciatura, permitindo que todos os seus estudantes recebam gratuitamente o Suplemento ao Diploma, emitido em duas línguas, português e inglês, apenso à respectiva Carta de Curso.

A Universidade do Minho garantiu, ainda, que o ponto 6.1 do Suplemento - Informações Complementares incluísse um conjunto considerável de actividades paralelas academicamente validadas, incutindo uma maior abrangência e reconhecimento formal/institucional do percurso académico do licenciado. A UMinho inovou em relação às actividades paralelas, a universidade acredita que a competência que o aluno adquire enquanto estudante da universidade, não se restringe apenas às aulas; as actividades paralelas são fundamentais em termos de reconhecimento formal e transmitem algum valor acrescentado ao estudante, ser dirigente associativo, ter efectuado um programa de mobilidade no estrangeiro, fazer parte do teatro da universidade, ser um desportista de competição. Estou certa que esta foi uma aposta bem feita da universidade, por exemplo, a prática desportiva vem dar ao estudante outro tipo de competências como, maior capacidade de concentração, capacidade de iniciativa, liderança, trabalho em equipa. Há todo um conjunto de competências transversais que hoje em dia são cada vez mais valorizadas no contexto do trabalho.
UMdicas- Quais as vantagens que vem trazer aos estudantes o Suplemento ao Diploma?
A.C .- Como já afirmado anteriormente, este documento vai trazer informações adicionais em relação ao percurso académico, em relação à prestação que tiveram na universidade. Como é emitido em português e inglês, o contexto possível em termos de utilização é ilimitado. Como é um documento oficial, com credibilidade, é complementar à carta de curso em termos de formalização da informação. Gostaríamos de acreditar que o aluno se torna mais competitivo a nível nacional e internacional.
UMdicas- O que trás de novo, que dinâmica vem implementar no ensino superior estes dois instrumentos?
A.C .- É uma grande ?dor de cabeça? para as instituições emiti-los, não é qualquer universidade que se consegue organizar para emitir um documento desta natureza. Neste momento, há três universidades portuguesas que emitem o suplemento ao diploma, a UMinho foi a pioneira. Este processo implica que haja uma interacção muito grande entre os serviços, que haja um sistema de informação sustentado e capaz de dar resposta, implica que os serviços académicos tenham consciência do seu papel na emissão deste documento, e implica uma capacidade de organização e interacção que nem todas as universidades são capazes de ter. Outro aspecto é a visão estratégica, a forma como a universidade se organizou para emiti-lo e sustentá-lo, a preocupação com a qualidade e melhoria contínua também é fundamental. Actualmente o suplemento é uma obrigatoriedade em Portugal, todos os alunos que se licenciem a partir deste ano têm direito ao Suplemento ao Diploma. Até 2006 todas as universidades da Europa têm de estar aptas a emitir este documento.
UMdicas- Em relação ao programa Sócrates e Leonardo da Vinci, vão sofrer alterações com a aplicação das novas directivas da Declaração de Bolonha?
A.C .- Os programas sofrerão certamente alterações. Prevê-se a criação de um programa-quadro ao nível da aprendizagem ao longo da vida, que integrará estas duas iniciativas comunitárias.
Relativamente ao impacto de Bolonha nos processos de mobilidade, com a alteração no panorama do ensino superior e consequente modificação da duração dos ciclos, deparar-nos-emos com uma nova modalidade ao nível da mobilidade, que deixa de ser principalmente horizontal (baseada no intercâmbio académico), para também se tornar vertical (baseada na competitividade e preocupação de atracção de alunos internacionais).
UMdicas- Que tipo de acolhimento, quais as actividades efectuadas com os alunos Erasmus?
A.C .- Nós tratamos os alunos Erasmus como gostaríamos que os nossos parceiros tratassem os nossos alunos e tentamos dar o melhor acolhimento possível.
Os sistemas administrativos, processos de comunicação e serviços de apoio de uma instituição de acolhimento afectam sem sombra de dúvida a qualidade da experiência de um estudante internacional. Tendo isto em consideração, o GRI tenta seguir constantemente exemplos de ?boas práticas? nestas áreas, de forma a oferecer um serviço de alto nível aos estudantes que acolhe e promover o seu sucesso social e académico. Não podemos esquecer-nos que quanto mais um estudante souber sobre o que esperar, menos ansioso e mais seguro estará.
 Podemos, assim, assumir que o processo de integração dos alunos estrangeiros começa mesmo antes da chegada à UM através da preparação/informação ?pre-arrival: Guia do estudante Estrangeiro, pacote informativo , site do GRI, Catálogo de Cursos ECTS, brochuras e mapas das cidades, informação sobre o alojamento, curso de português, sistema Padrinho/Madrinha Erasmus, etc.
Normalmente, no primeiro dia de aulas, organizamos o Orientation Day . Este encontro, dirigido aos alunos estrangeiros que se encontram na UM a efectuar um período de estudos, no âmbito do Programa SOCRATES/Erasmus e de protocolos de cooperação, tem como objectivo principal dar a conhecer a Universidade, fornecendo-lhes toda a informação relevante de forma a facilitar a sua estada entre nós e a auxiliar o processo de integração na nova comunidade. Apesar de a UM consagrar um Guia ao Estudante Estrangeiro, que lhes envia antes da chegada, sentiu-se a necessidade, em muito acentuada pelo número crescente de alunos estrangeiros que acolhe, de lhes dedicar um dia para esclarecimento, orientação e informação sobre todas as questões inerentes à realização desse período de mobilidade.
Todos os participantes (devidamente identificados através de crachás com nome e país de origem) recebem informação escrita sobre vários aspectos: o Curso Intensivo de Português para Estrangeiros, oferecido gratuitamente pela UM, através de financiamento SOCRATES/Erasmus; os procedimentos de formalização da inscrição na UM, incluindo o acesso às bibliotecas e aos laboratórios de informática; a inscrição nos exames; os horários dos autocarros; o Serviço de Consulta Psicológica oferecido pelo Departamento de Psicologia; entre outras. Ao longo da manhã, fazemos ainda alguns jogos interactivos para que ?quebrem o gelo inicial?.
O programa deste Dia de Orientação conta igualmente com uma visita às instalações do Pavilhão Desportivo da UM, seguida de um almoço na Cantina Universitária de Gualtar oferecido pelo GRI, terminando com uma visita guiada ao Campus universitário e à cidade de Braga.
Além do propósito informativo, esta iniciativa produziu surpreendentes efeitos ao nível do convívio e de estabelecimento de laços de afinidade e cumplicidade entre os alunos, aspectos tão importantes no início de um processo de integração.
A Recepção Oficial é presidida pelo Reitor da UM e pelo Vice-Reitor para as Relações Internacionais, e conta, normalmente, com a presença de Coordenadores Departamentais Socrates, os padrinhos Erasmus,  assim como  personalidades académicas (Vice-Presidente do Conselho Académico e equipa reitoral), representantes de outras entidades da UM que colaboram com o GRI no acolhimento de alunos de intercâmbio, nomeadamente os Serviços de Acção Social (SASUM), os Serviços Académicos e a Associação Académica. Consiste num jantar, com a presença da Tuna Universitária da UM, que presenteia todos os participantes com uma animada actuação. Esta festa proporciona, sem dúvida, importantes momentos de convívio aos novos alunos, para além do reconhecimento formal e institucional da sua importância.
Não posso deixar de referir a iniciativa Padrinho/Madrinha Erasmus. Após a chegada à Universidade do Minho é alocado ao aluno estrangeiro um Padrinho ou Madrinha Erasmus. Trata-se de um aluno da Universidade do Minho que o auxiliará na integração social e académica na comunidade minhota.
UMdicas- Em termos de trabalho como é que o GRI se percepciona?
A.C .- Tentamos ter uma postura de serviço e tratar tanto estudante, docentes ou funcionários da melhor forma possível, para que as experiências sejam frutíferas e enriquecedoras. Há uma preocupação de ouvir a pessoa e não despachá-la, tentamos pautar-nos pela qualidade do nosso trabalho e profissionalização do serviço para marcar pela diferença.
Ana Marques
Arquivo de 2005