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Entrevista.com, 05.05.2022 às 15:35
“Os grupos culturais, quer nacionais, quer internacionais, estão cada vez mais presentes.”
A Tun’Obebes foi a primeira tuna feminina da Universidade do Minho (UMinho) e primeira tuna de Engenharia. Criada em 1992, a partir do desejo de viver ao máximo a vida académica, fez no final de 2021, 29 anos de existência. A sua estreia aconteceu nas comemorações do Enterro da Gata em 1993 e, atualmente, o seu ponto alto é o seu festival, as “Serenatas ao Berço”.

O UMdicas esteve à conversa com a direção do grupo para saber mais sobre esta Tuna, sobre a sua origem, sobre o seu trajeto, sobre os seus projetos e sobre o seu futuro.

De que é feito este grupo e como se caracterizam?

Somos um grupo cultural da UMinho, criado em 1992, com o apoio do Círculo de Arte e Recreio (CAR), onde tivemos a nossa primeira sala de ensaios. Apenas podem fazer parte dele alunas ou ex-alunas desta Academia, é apenas reservado ao sexo feminino uma vez que somos uma Tuna Feminina. Para além de participarmos nas atividades associadas à Universidade, temos também presenças em espetáculos de tunas, e mesmo outras atividades solidárias ou eventos privados. Caracterizamo-nos principalmente por ser um grupo que faz um espetáculo de música e coreografias de estandartes e pandeiretas.

Fundado em 1992, comemoraram no final de 2021, 29 anos da Tun’Obebes. Como descrevem o vosso trajeto?

É de salientar as diversas edições do Serenatas ao Berço, o nosso festival, que teve este ano a sua 13ª edição! Para além desta quantidade de festivais organizados por nós, estamos a celebrar este ano o 29º aniversário, completando os 30 anos em dezembro. Todas as gerações que compõem este grupo continuam a manter contacto, até como se costuma dizer, “Uma vez tunante, tunante para sempre”.  Em todo este tempo de existência, como é normal, houveram altos e baixos, mas tudo se supera com dedicação e amor a este grande projeto.

Em que se destaca e diferencia a Tun'Obebes dos outros grupos culturais?

Podemos afirmar que a Tun’Obebes é uma explosão de música, festa e amizade! Esta é a fórmula para o nosso sucesso e crescimento ao longo dos nossos quase 30 anos de existência. O nosso carinho e afeto por cada um dos elementos deste projeto e o nosso gosto imparável pela música são a base da nossa tuna. Diferenciamo-nos pela dedicação, pela persistência e amor que colocámos em cada obstáculo que nos surge e pelo, consequente, sabor de cada segundo que partilhámos juntas.

Como caracterizam a vossa música e o que trazem de novo ao panorama musical e cultural da Universidade?

A Tun’Obebes tenta sempre trazer músicas que o público conheça, como o típico “Anel de Rubi”, de Rui Veloso, que tantas vezes levamos a atuações, porque é uma forma de captar e interagir com o público. Para além disto, a nossa tuna tem uma vasta variedade de instrumentos, o que torna qualquer melodia mais rica, e também fica sempre aquele “mistério” das pessoas tentarem perceber que instrumentos são aqueles. 

Por quantos elementos é constituído o grupo atualmente, e quem pode fazer parte dele?

O nosso grupo está divido em duas partes: pessoas ativas e não ativas. Todos os elementos que chegaram ao patamar de tunante ficam eternamente ligados à Tuna. Claro que as peripécias da vida levam a que muitas vezes tenhamos que nos afastar do grupo, e, por isso, a presença não seja tão assídua. Neste momento contamos com cerca de 20 elementos ativos na parte da direção da tuna e 15 caloiras, o que dá um total de 35 elementos. Qualquer aluna da UMinho é bem-vinda para fazer parte desta família, saiba tocar algum instrumento ou não, o mais importante será sempre o espírito de equipa e a vontade de levar a tuna pelos quatro cantos de Portugal.

A nova direção tomou posse em outubro de 2021. Quais os objetivos e ideias para dinamização do grupo, torna-lo mais atrativo… e o que têm a dizer aos interessados em fazer parte do grupo?

O grupo está entusiasmado por termos voltado ao ativo após quase dois anos paradas. Estamos focadas em voltar às atividades que faziam parte do nosso dia a dia enquanto Tuna e em podermos realizar os nossos eventos planeados. Dois deles já ocorreram, um no passado dia 16 de março de 2022, a segunda edição do arraial da mulher, o “FémmeFarra”, e a 22 e 23 de abril o “Serenatas ao Berço” que foi muito bem-sucedido! Além destes dois eventos, temos outros eventos já planeados. Em breve irão surgir novidades. Às interessadas em fazer parte deste grupo, é só aparecerem às segundas e quartas-feiras às 21h30 no 1º. piso do edifício da AAUM em Guimarães. Iremos proporcionar-vos bons momentos de vida boémia.

No vosso percurso, quais os momentos e participações que destacam?

Sem dúvida que o nosso festival – Serenatas ao Berço – e o nosso aniversário são os pontos altos de cada ano que tem passado. São momentos muito especiais para nós, que acabam por juntar todas as gerações que contribuíram para este projeto. Também a nossa ida a outros locais, sejam em Portugal Continental, ilhas, Espanha ou outro país, marcam sempre o nosso percurso e cada uma de nós, em particular. Por fim, as nossas contribuições nas Cerimónias de Finalistas da nossa academia e com instituições/eventos solidários, também são momentos que acabam por ter um impacto muito positivo e especial em nós.

Quais os projetos do grupo mais importantes a curto/médio prazo?

Tal como já referimos anteriormente, estamos focadas em poder voltar a realizar os nossos eventos planeados e fazer crescer ainda mais a nossa Tuna, não só em quantidade como em qualidade. A nível de projetos, temos apontados na nossa agenda eventos com várias finalidades. O mais importante neste momento é que o futuro que se aproxima nos permita crescer, mostrar a nossa dedicação e empenho e levar o nome da Tun’Obebes a todas as pessoas e locais! A incerteza presente na atualidade tem a sua implicação na nossa timeline, mas estamos confiantes que aos poucos poderemos voltar à normalidade tão especial e eufórica que é a Tun’Obebes.

Qual é maior sonho da Tun'Obebes?

Manter a tradição e o espírito boémio no nosso grupo por muitos mais anos e que consigamos sempre manter a união entre as diferentes gerações, criando novos e inesquecíveis momentos para mais tarde recordar.

Estes dois anos transatos foram particularmente difíceis para a cultura, mas a pandemia parece agora querer dar tréguas. Como viveram este período atípico? 

Inicialmente, houve um bocado de desmotivação, até porque estávamos já nos preparativos para o nosso festival, o Serenatas ao Berço, e de repente tudo parou. No entanto, não podíamos parar, então arranjamos outras maneiras de ensaiar e estar ativas. Temos o exemplo de ter gravado um vídeo do nosso original “Capas Negras”, que acabou por ter bastante sucesso. Mal pudemos, voltamos a reunir, até porque numa tuna, o convívio e o estar ali presente é sempre importante.

Que iniciativas têm sido levadas a cabo pela Tun'Obebes, no sentido de, nestes tempos complicados, continuarem a estar próximos dos vossos públicos?

As redes sociais têm sido o nosso escape para ultrapassarmos esse obstáculo imprevisível. Apesar de não conseguirmos estar com as pessoas e fazermo-nos ouvir através da nossa música tanto quanto gostaríamos, através delas, fazemos publicações e interagimos constantemente com o nosso público de maneira a não perdermos essa ligação que tanto nos diz. Nos últimos tempos, felizmente, já temos retomado ensaios, atuações e até festivais. Ainda não deu para recuperar todo o tempo “perdido” e matar todas as saudades, mas estamos a trabalhar nesse sentido, de voltarmos à normalidade.

Como vêm o panorama dos grupos culturais universitários em Portugal e a nível internacional?

Os grupos culturais, quer nacionais, quer internacionais, estão cada vez mais presentes. Estamos a conseguir gradualmente fazer-nos notar e a mobilizar mais pessoas às salas de espetáculos para assistir a festivais e às restantes atividades realizadas ao longo do ano.

Como analisam o contexto dos grupos culturais na vida da Universidade e de um universitário?

Um grupo cultural é sempre um sítio onde se ganha ou pratica as softskills de cada um, bem como o saber trabalhar em equipa, mas, para além disto, é uma forma de viver a vida académica de outra maneira, visitar novos sítios (dentro e fora do país), criar novas amizades neste no grupo mas também nos convívios que existem entre os grupos culturais. Tudo isto também promove, mesmo quem não faça parte de um grupo cultural, a que a academia consiga ter momentos mais lúdicos também para distrair um pouco de todo o stress da parte mais séria da vida académica.

Uma mensagem à comunidade académica?

O apelo que queremos fazer é: venham experimentar, venham deixar a vossa marca na UMinho e venham criar memórias que ficarão eternas no vosso percurso académico. Mais do que uma tuna, somos um grupo de amigas que a Universidade juntou.

Fonte: SASUM

 

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