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Cultura, 26.04.2021 às 16:33
Trinta e dois membros integram o Conselho Cultural da UMinho
O Conselho Cultural (CC) é presidido pela professora catedrática Helena Sousa e junta dez personalidades da cultura e um representante dos estudantes, indicados pelo reitor, para além dos responsáveis das oito unidades culturais e das 12 escolas e institutos da Universidade do Minho (UMinho). A tomada de posse dos membros deste órgão decorreu dia 23 de abril, no Largo do Paço, em Braga e foi presidida pelo reitor da UMinho, Rui Vieira de Castro.

A cerimónia restrita, transmitida para a comunidade em geral através do canal YouTube da UMinho, iniciou-se com a entrega do Prémio Victor de Sá de História Contemporânea 2020, a que se seguiu a apresentação do programa dos 100 anos do nascimento de Victor de Sá, ambos promovidos pelo Conselho Cultural da UMinho. 

Sendo o CC o órgão de consulta sobre as políticas culturais da academia, os membros agora integrados vão ser chamados a dar parecer sobre as linhas gerais de orientação da Universidade no plano cultural. “A nossa aspiração é poder contar com a vossa experiência, com o vosso saber, para que a ação cultural da Universidade seja ainda mais consequente e ainda mais efetiva do que aquilo que tem sido”, afirmou Rui Vieira de Castro, dirigindo-se principalmente aos membros externos. 

Assinalando que “há caminhos a ser percorridos” que requerem aproximações, interligações, constituição de redes ainda mais efetivas de colaboração entre todas as entidades e atores relevantes na cena cultural, o reitor da UMinho indicou que a promoção dos nossos territórios, a formação de cidadãos plenos “carece de intervenção expressiva na área cultural”. Agradecendo a todos os membros, mas sobretudo aos membros externos, considerou que estes “representam muito daquilo que de bom se vai fazendo na região”. 

As figuras externas empossadas foram: Luís Fernandes, diretor artístico do GNRation e do Semibreve; Cláudia Leite, administradora do Theatro Circo; Isabel Silva, diretora dos museus D. Diogo de Sousa e dos Biscainhos; Rui Torrinha, diretor artístico do Centro Cultural Vila Flor e do Guidance; Rui Vítor Costa, presidente da associação Muralha; Rui Ramos, diretor da Bienal de Ilustração de Guimarães; Nuno Soares, diretor da Casa das Artes de Arcos de Valdevez; Álvaro Santos, diretor da Casa das Artes de Famalicão; Paulo Vieira de Castro, presidente da Sociedade Martins Sarmento; Teresa Andresen, arquiteta paisagista e professora catedrática. 

Em ano de comemoração do centenário do nascimento de Victor de Sá, o prémio anual de História Contemporânea foi entregue à historiadora Cátia Tuna. 

Esta foi a 29.ª edição do Prémio Victor de Sá de História Contemporânea, o principal galardão nacional para jovens investigadores da área. As comemorações do centenário vão prolongar-se até 2023, por altura dos 20 anos sobre o falecimento do seu patrono. 

Cátia Tuna foi a grande vencedora deste ano, com a obra “Não sei se canto se rezo: ambivalências culturais e religiosas do fado (1926-45)”. Foram ainda entregues duas menções honrosas a Bruno Madeira e Júlia Korobtchenko, com as obras “«Homens entre ruínas»? Ideias, narrativas, mundividências e representações das Direitas radicais portuguesas (1974-1985)” e “O Ministério dos Negócios Estrangeiros. A reforma administrativa e o corpo social (1834-1910)”, respetivamente. 

No âmbito das comemorações do centenário do nascimento do professor e historiador, patrono do mais importante prémio anual de História Contemporânea no nosso país, criado pelo Conselho Cultural da UMinho com base numa sua doação, a academia minhota vai disponibilizar todo o espólio documental de Victor de Sá, anunciou a Vice-reitora para a Cultura e Sociedade, Manuela Martins, durante a cerimónia de entrega do prémio. De acordo com esta, a obra está a ser tratada a digitalizada no Arquivo Distrital de Braga. "A Universidade do Minho vai procurar a melhor forma de valorizar o espólio, abrindo-o à consulta de todos os interessados em explorá-lo no âmbito da investigação da história contemporânea portuguesa", prevendo-se que esteja disponível em 2023. 

Manuela Martins revelou ainda que será reeditada a tese de doutoramento de Victor de Sá, “Crise do Liberalismo e as primeiras manifestações socialistas em Portugal 1820-1852", apontando que obra será apresentada este ano, no mês de outubro (mês do nascimento de Victor de Sá), "caso as circunstâncias sanitárias o permitam". Sairá também uma nova edição de “O Mundo Continuará a Girar”, publicação que assinalará os 30 anos do Prémio Victor de Sá, depois da primeira edição que saiu em 2011, altura do 20.º aniversário do Prémio, a sua apresentação está prevista para dezembro deste ano, altura em que está prevista a realização da 30.ª edição do Prémio Victor de Sá de História Contemporânea. Está ainda a ser preparada para 2022 uma coletânea de textos do autor, selecionados por José Viriato Capela e Henrique Barreto Nunes. 

Na apresentação do programa do centenário, Rui Vieira de Castro, classificou o espólio à guarda da UMinho como “um repositório importante para a historiografia contemporânea em Portugal”. O reitor revelou ainda “mais um gesto nobre” da família de Victor de Sá, que em fevereiro deste ano doou à Universidade a moradia onde Victor de Sá viveu em Rio de Mouro (Sintra), “para benefício do Prémio de História Contemporânea”, o que assegura ser “a reafirmação do compromisso da família com as intenções do professor Victor de Sá", e que vem reforçar as condições para que o Prémio “prossiga o seu objetivo essencial de estimular a atividade de novos investigadores na área da história contemporânea".

Texto: Ana Marques 

Foto: Nuno Gonçalves 

 

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