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Cultura, 23.11.2018 às 12:51
Prémio Victor de Sá de História Contemporânea 2018 atribuído a Emanuel Cameira e José Avelãs Nunes
O Conselho Cultural da Universidade do Minho acaba de distinguir José Avelãs Nunes e Emanuel Cameira com o Prémio Victor de Sá de História Contemporânea 2018, o maior galardão do país para jovens investigadores desta área. Os historiadores dedicaram-se ao estudo da arquitetura dos sanatórios em Portugal e da singularidade da edição literária nacional, respetivamente. A entrega dos prémios e a apresentação dos trabalhos vencedores realiza-se a 12 de dezembro, às 15h00, no salão nobre da UMinho, em Braga.

No trabalho de José Avelãs Nunes foi estudada a arquitetura dos sanatórios construídos para curar doentes com tuberculose em Portugal de 1850 a 1970. “Estes equipamentos constituem uma presença marcante no universo da arquitetura daquele período, sendo um espelho de mudanças científicas e programáticas no combate a esta doença, que dependeu, em grande parte, das suas estruturas”, explica o investigador da Universidade de Coimbra. Os dados recolhidos em arquivos nacionais permitiram o estudo das primeiras experiências sanatoriais empíricas em Portugal, bem como a análise comparativa daqueles espaços, da sua arquitetura, dos arquitetos, dos médicos e da esfera de poder que os circundou, desde o financiamento, o planeamento, a aprovação e a execução. “Sinto-me muito lisonjeado em fazer parte desta lista de vencedores, já consolidada e muito importante. Espero estar à altura do Prémio”, realça o autor.
 
Já a tese de doutoramento de Emanuel Cameira procurou compreender, através de um modo artesanal de fazer sociologia, e privilegiando a vertente de um “individualismo situado”, como foi construída a singularidade da edição literária em Portugal. O investigador do Instituto de História Contemporânea da Universidade Nova de Lisboa (UNL) escolheu para estudo de caso a editora independente &Etc, lançada por Vitor Silva Tavares nas vésperas do 25 de Abril de 1974.

Nesta 27ª edição foram ainda distinguidos com uma menção honrosa Gonçalo Antunes, pela obra “Políticas sociais de habitação (1820-2015): Espaço e tempo no concelho de Lisboa”, e Tânia Alves, com o tema “1961 - Sob o viés da imprensa. Os jornais portugueses, britânicos e franceses na conjuntura da eclosão da guerra no império português”.

O júri do Prémio Victor de Sá foi presidido por Viriato Capela, professor catedrático da UMinho, tendo como vogais os docentes Jorge Alves, da Universidade do Porto, e Raquel Henriques, da UNL. O concurso foi bastante participado, o que revela o prestígio alcançado e a vitalidade da historiografia portuguesa contemporânea. Este galardão nasceu em 1991 pelo humanista Victor de Sá, foi reconhecido como sendo de manifesto interesse cultural pela Secretaria de Estado da Cultura e é também apoiado por mecenas públicos e privados.

Fonte: GCII

Arquivo de 2018