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Cultura, 27.09.2017
Tun’Obebes, a primeira tuna feminina da UMinho!
Foi a 11 de dezembro de 1992, no "Berço da Nação", que nasceu um dos mais antigos projetos culturais da UMinho, a Tun'Obebes, a primeira tuna feminina da academia. Numa altura em que as engenharias eram completamente "dominadas" pelos homens, um grupo de futuras engenheiras decidiu ousar, decidiu inovar, e passados 25 anos, passados alguns altos e baixos, ai estão elas mais fortes do que nunca!

Como é que nasceu a Tun'Obebes?

A Tun'Obebes nasceu da vontade de viver a vida académica ao máximo, e de um modo que já era uma realidade masculina - fazer parte de uma tuna académica. Apoiadas pelo Círculo de Arte e Recreio (CAR), casa onde tivemos a nossa primeira sala de ensaios, e após alguns meses de ensaios, estreamo-nos em palco no Teatro Jordão (antigo teatro vimaranense) numa atuação inserida no programa das comemorações do Enterro da Gata, 5 meses depois de a tuna ser criada, a maio de 1993. Assim, aliando o gosto pela música à amizade, surgiu a primeira tuna feminina da Universidade do Minho.

Vocês são a Tuna Feminina de Engenharia da Universidade do Minho, mas toda a gente vos conhece por Tun'Obebes. Porquê e como surgiu a designação Tun?Obebes?

A origem do nome Tun'Obebes sempre foi bastante questionada por ser um nome peculiar a quem o ouve pela primeira vez. Em 1992 o CAR era o local para onde muitos caloiros iam, era um ponto de paragem e convívio. Uma das nossas fundadoras costumava dizer a todos os caloiros que via, em tom de brincadeira, "Oh, tu não bebes!". Quando a tuna se estava a formar e chegava a derradeira hora de decidir o nome, essa fundadora entrou no CAR a dirigir-se aos caloiros como sempre o havia feito. Dessa feita, surgiu o nome "Tun'Obebes" que também faz jus à aptidão que temos para beber uns copos entre amigas.

Foi fácil ser a primeira tuna feminina da UMinho, sobretudo no Pólo de Azurém, numa altura em que não haviam tantas mulheres como há hoje nas engenharias?

Não foi, nem continua a ser. Estamos convictas que apenas continuamos a crescer devido ao facto de muitas de nós não serem da Tun'Obebes nos tempos livres, mas sim a tempo inteiro. Vivemos diariamente a tuna, investimos tudo que temos e muitas vezes o que não temos?tempo! As meninas em Guimarães têm estado mais atentas às nossas atividades e divulgação, no entanto, ainda sentimos que há muito trabalho a ser realizado nesse sentido, essencialmente, em Braga, onde poucos nos conhecem como primeira tuna feminina ou pelas alterações características do nosso traje. Temos muitas atividades planeadas para o próximo ano letivo e estamos certas que estas dificuldades e obstáculos nos tornam diariamente mais fortes e como uma agradável surpresa para quem ainda não nos conhece.

Em que é que vocês se diferenciam das outras tunas femininas da academia?

Tentamos acompanhar a atualidade musical sem nunca esquecer aquilo que nos caracteriza - a tradição e a musicalidade tunae. Em todas as nossas músicas há um bocadinho de cada uma de nós também nos arranjos que fazemos e na maneira como a interpretamos. Normalmente os nossos originais e adaptações são sempre alvo de boas críticas e reações. Mais recentemente introduzimos uma versão da "Paixão" do Rui Veloso e a balada "Passou por mim e sorriu" dos Deolinda. Continuamos a valorizar os artistas portugueses e em breve pretendemos lançar uma adaptação de uma música da banda em ascensão "Os Quatro e Meia". Novidades em breve!

A Tun?Obebes completa em dezembro 25 anos de existência. Qual é o segredo para esta longevidade?

O segredo para esta longevidade são o respeito e a motivação. Respeito pelas tradições académicas e portuguesas, respeito de todos os membros que constituem o grupo cultural e a vontade de querer ser sempre mais para chegarmos mais longe. É um orgulho enorme sabermos que estamos a dar continuidade a um projeto de um quarto de século. Pertencer a esta família criada há mais de duas décadas ainda é algo inexplicável, ou por lágrimas e sorrisos de nostalgia de quem já a vivenciou ou pela energia e brilho no olhar de quem ainda luta por este projeto.

Como é que tem sido esse percurso e quais os marcos mais importantes?

Neste nosso percurso é de ressaltar as dez edições que realizámos do nosso festival de tunas femininas, o Serenatas ao Berço. É um prestígio organizar um evento de cariz musical, tanto para partilhar o património musical e cultural de Guimarães, como para divulgar a cultura musical de outras tunas do país. Um dos grandes marcos será, no entanto, a celebração desta data que se avizinha - o nosso aniversário. Pretendemos dar à Tun'Obebes tudo aquilo que ela nos deu ao longo destes 25 anos, um ano de celebrações em grande. Podemos adiantar que outra edição do Serenatas ao Berço se avizinha e que esta será marcada com uma música original da tuna. Acompanhem-nos porque muitas surpresas se avizinham!

Há alguma coisa que vocês ainda não fizeram e gostassem de fazer?

Ao longo destes últimos 3 anos tem havido um grande investimento em termos musicais, desde a readaptação de algumas músicas que já integravam o nosso repertório, à introdução de outras tantas. Por isso, gostaríamos de ver este esforço culminar na gravação de um CD.

A Opum Dei é o vosso grupo Padrinho. Como surgiu e como está essa ligação com os "Profetas de Roxo?"

A ligação com os "Profetas de Roxo" surgiu de algo que, provavelmente, é aquilo que mais os distingue (e a nós também) - irreverência. Assim, e sendo o único grupo cultural feminino na altura, eles foram os primeiros a acreditar no nosso potencial e a apoiar a nossa existência. O elo de ligação com a Opum DEI ainda persiste, após todos estes anos, sendo as nossas meninas carinhosamente tratadas por "afilhadinhas" ou "opum'bebes".

Vocês este ano conquistaram inúmeros prémios em festivais a nível nacional. Qual foi a chave para esse sucesso?

Nenhuma equipa conquista grandes feitos sem uma boa liderança e este ano sentimos que a nossa evolução foi realmente substancial. Este crescimento é fruto do trabalho de todo o grupo aliado as aptidões da nossa ensaiadora, que nos coordenou em termos musicais, e da nossa magíster, que liderou o grupo de uma forma exímia. A vontade de querermos ser o melhor que podemos, de modo a representarmos aquilo que o Minho tem de melhor, foi a chave para o trabalho árduo que resultou em várias conquistas pelo território nacional.

O vosso festival ao longo dos anos tem vindo a ganhar dimensão nacional e saltou de um anfiteatro da UMinho para o Centro de Artes e Espetáculos de Guimarães, o São Mamede. Para a edição comemorativa dos 25 anos vamos ter alguma surpresa?

É verdade, a última edição do Serenatas ao Berço foi grandiosa e a XI edição, na qual comemoraremos os 25 anos, não ficará atrás! As informações para já não podem ser reveladas, mas podemos confirmar que as surpresas serão muitas, por isso fiquem atentos!

Se uma aluna quiser entrar para a Tun'Obebes o que é que tem de fazer?

Se uma aluna da Academia Minhota quiser pertencer a esta família, apenas deve deixar a vergonha de lado e aparecer num dos nossos ensaios: segundas e quartas, às 21h30, no 1º piso do Bar Académico de Guimarães (Rua da Veiga). Deve trazer nada mais que boa disposição e vontade de viver a vida académica ao máximo. Da experiência de quem ainda está na tuna e de quem a deixou, podemos afirmar que pertencer a uma tuna não é só cantar e tocar instrumentos, é partilhar novas experiências, conhecer novos locais, adquirir competências e acima de tudo, ganhar uma nova família.

Texto e Fotografia: Nuno Gonçalves


(Pub. Set/2017)

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