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Cultura, 17.03.2017
"O futuro da Tuna será sempre evoluir musicalmente"
UMinho
O UMdicas esteve à conversa João Barbosa, responsável da TUM, onde ficamos a saber um pouco mais acerca do passado, do presente e do futuro do grupo cultural que levará a cabo, já entre os dias 29 de março e 2 de abril mais uma edição do FITU Bracara Avgvsta.


Nascida há 28 anos, aTuna Universitária do Minho, mais conhecida por "TUM" tem feito um trajeto de sucesso no panorama cultural e musical. Com atuações aquém e além-fronteiras e organizando anualmente o seu festival, oFITU Bracara Avgvsta, que este ano terá a sua 27ª edição, os tunos pretendem para o grupo, um futuro de evolução musical, sempre com o foco na preservação e difusão da tradição e cultura minhota.

A Tuna Universitária do Minho foi a primeira Tuna da academia minhota. Podem-nos falar um pouco do vosso processo de formação, das motivações e de como foram aqueles primeiros tempos?

Nos finais dos anos 80, quando a Universidade do Minho e as tradições académicas enfrentavam um processo de mudança, entre eles a inauguração do Campus de Gualtar e a rotura com o traje coimbrão e adoção do traje académico como o conhecemos hoje, alguns estudantes que já tinham estado na origem de outros grupos, como grupos de fado e de recolha de música popular, alimentavam a ideia de fundar uma tuna. Um desses grupos, o Grupo de Música Popular, já tinha, inclusive, participado como grupo convidado em vários festivais de tunas pelo país. Da ideia à fundação da Tuna, o processo foi muito natural. Juntaram-se amigos e conhecidos entusiastas, alunos envolvidos na atividade cultural estudantil e já com contactos com as poucas tunas universitárias existentes em Portugal como também algumas tunas espanholas. A decisão final de fundar a Tuna Universitária do Minho foi tomada em novembro de 1989, numa ceia no Restaurante Mini Sport, após um espetáculo do GMP, e ainda nesse ano foram realizados os primeiros ensaios. Já depois de realizado um retiro espiritual, de onde surgiu o primeiro original da Tuna, o Gerês Tónico , a antestreia decorreu no início de maio de 1990, no Pub John Lennon, num espetáculo para um público só com convidados, e a estreia oficial ocorreu a 10 de maio de 1990 nas festas do Enterro da Gata.

Porquê o uso do vermelho e qual é o significado do «bico»?

A utilização do vermelho como cor base deve-se ao facto de esta ser cor oficial da Universidade do Minho. O ?Bico? é um elemento identificador dos tunos e que simboliza a Tuna em si.

Vocês estão irmanados com a Tuna de Derecho de Oviedo e a Tuna de Medicina do Porto e são os padrinhos de cinco tunas. Qual é a importância destes laços, destas relações?

Manter os laços com estas tunas é, para nós, bastante importante. Os "irmanamentos" com a Tuna de Derecho de Oviedo e a Tuna de Medicina do Porto surgiram em alturas em que a Tuna quase se fundia com estes, na partilha de momentos, ideais e convivências. Estes sentimentos e partilha continuam preservados e bem vincados até aos dias de hoje, pelo que um tuno de uma destas tunas é considerado como um tuno nosso. Os apadrinhamentos à Azeituna, à Afonsina, à Tuna Académica da Universidade Fernando Pessoa e à Tuna Académica do Externato Infante D. Henrique são fruto da partilha e apoio a estas tunas na sua fundação e primeiros anos. Mais recentemente, em 2016, tivemos também a honra de apadrinhar a Tun?ao Minho. Estas relações são muito importantes para nós, pois são também o reconhecimento por parte destas tunas, o que nos honra muito e nos diz que o nosso trabalho em prol do universo cultural estudantil continua no rumo certo, o que muito nos satisfaz.

Da vossa formação original, ainda têm tunos que vão mantendo contacto e aparecendo nos ensaios?

Temos o privilégio de poder contar com a presença de tunos de todas as gerações, fundadores incluídos, em (pelo menos) duas ocasiões muito importantes do ano: o FITU Bracara Avgvsta e o VITaR (o nosso "jantar de gala"). São os dois eventos mais esperados do calendário tunae e a presença destes elementos é bastante importante para a transmissão de ideais aos mais novos, discussão de ideias e enriquecimento e fortalecimento do grupo.

Os retiros que vocês fazem no Gerês são muito importantes para a vossa coesão e para manter esta ligação com o "passado"?

Os retiros são bastante importantes pois são um regresso às origens da tuna e, como no primeiro retiro, temos a oportunidade de trabalhar em prol do enriquecimento do nosso reportório ao mesmo tempo que partilhamos experiências e fortalecemos a nossa coesão

Em 1995 vocês foram finalistas do Eferreá, um programa na RTP acerca de tunas. Como foi essa experiência?

A participação no Eferreá foi bastante importante para a tuna, não só como projeção, pois ainda eramos uma tuna relativamente nova, mas também como motor para criarmos reportório novo e original. Termos ficado em segundo lugar foi uma motivação enorme para continuarmos o nosso trabalho e um grande reconhecimento de que a Tuna estava no rumo certo.


As tunas na década de noventa estavam mais na moda?

Na década de noventa as tunas em Portugal eram novidade e a novidade prende sempre um pouco mais os estudantes e o público. Houve um "boom" enorme no panorama das tunas nesse período e, infelizmente, a imagem geral das tunas foi degradada um pouco devido a alguns maus exemplos. Ainda assim, creio que a qualidade e postura atual das tunas está a conseguir ganhar novos impulsos e (re)conquistar o público.

O processo de entrada para a Tuna hoje em dia é muito diferente de há 20 anos atrás?

A entrada para a Tuna não se alterou significativamente ao longo dos anos. Os nossos ensaios são abertos a todos os alunos, entusiastas e interessados, pelo que não impomos qualquer restrição para estes pertencerem à tuna (apenas têm de ser estudantes e do sexo masculino, claro!)

Organizar o primeiro FITU Bracara Avgvsta... como foi?

O FITU Bracara Avgvsta surgiu em maio de 1991 com o objetivo de celebrar o primeiro aniversário da Tuna e divulgar junto da cidade de Braga o fenómeno emergente das tunas universitárias. Desde a primeira hora que se traçaram objetivos que distinguissem o FITU Bracara Avgvsta de outras organizações congéneres, procurando que a saudável competição não se sobrepusesse ao convívio das tunas participantes. Procurou-se também retirar as tunas dos espaços fechados, com a convicção que o palco natural das tunas eram as ruas e levou-se as tunas ao encontro da cidade. Exemplos destes desejos são o desfile das tunas, o ?Passa-calles? e a serenata à cidade na abertura do festival, momentos que se preservaram inviolados até às edições atuais.

Nos dias 31 de março e 1 de abril vocês vão apresentar o XXVII FITU Bracara Avgvsta. Como estão a decorrer os preparativos?

A organização desta vigésima sétima edição do FITU Bracara Avgvsta já começou em junho do ano passado. Neste momento os preparativos já estão bem adiantados e as novidades vão começar a aparecer muito, muito brevemente.

Vamos ter alguma daquelas "super tunas" oriundas da América do Sul?

Todos os anos tentamos trazer tunas do outro lado do Atlântico. No entanto, os encargos para viagens deste tipo são um obstáculo enorme. O ano passado tivemos o prazer de contar com a presença da Tuna de Derecho de la UNAM (México). Já este ano, infelizmente, a participação de uma dessas tunas não será possível, mas já temos contactos e tunas interessadas em participar na edição do próximo ano do FITU Bracara Avgvsta.

E digressão internacional? Estão a pensar fazer alguma em breve?

Uma digressão internacional é sempre um grande objetivo anual da tuna. Felizmente o ano passado tivemos a oportunidade de viajar pela Europa Central e visitar vários países e cidades, como Amesterdão, Bruxelas, Clermont-Ferrand, Antuérpia e Paris. Nesta última, tivemos a felicidade de estar presentes junto da comunidade portuguesa aquando da Final do Campeonato da Europa e viver, de maneira singular, a festa e euforia de termos sido campeões. Para os próximos tempos, temos intenção e já alguns planos a começarem a ganhar forma.

Como veem o futuro da Tuna e o vosso próximo grande objetivo?

O futuro da Tuna será sempre evoluir musicalmente, mantendo a qualidade, postura e trabalho em prol dos nossos ideais de preservação e difusão da tradição e cultura minhota. Juntamente com isto, pretendemos elevar cada vez mais o FITU Bracara Avgvsta, não só como marco da cultura bracarense, mas como o melhor festival de tunas do país e um evento que seja um ponto de encontro de gerações, tradição e que proporcione aos seus espectadores e participantes a melhor experiência possível. A curto prazo, queremos voltar a organizar uma digressão além Europa e a médio prazo, as celebrações do 30.º aniversário da Tuna também já começam a surgir no nosso horizonte.

Texto e Fotografia: Nuno Gonçalves

(Pub. Mar/2017)

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