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Cultura, 18.03.2016
“Tal como qualquer poeta, o Grupo de Poesia nasceu, vai renascendo, mas nunca morrerá.”
UMinho
O Grupo de Poesia da Universidade do Minho (UMinho) é um dos mais antigos da academia minhota, tendo a sua génese na década de oitenta, quando a Universidade ainda dava os seus primeiros passos rumo à grandeza. Também na senda da grandeza e da imortalidade das palavras dos poetas nacionais, o Grupo de Poesia tem vindo a renascer ao longo da sua história, misturando música e palavras numa catarse emocional.


Quando e como nasceu o Grupo de Poesia?

O Grupo de Poesia surgiu primeiramente como Grupo de Poesia, Guitarra e Flauta , fundado em 1984. Integrado na ARCUM - Associação Recreativa e Cultural Universitária do Minho desde 1991, em 2006 sofreu uma remodelação denominando-se desde então com o nome actual, tendo o leque de instrumentos utilizados sido alargado desde então.

Qual é a razão da existência do Grupo?

Este grupo sempre procurou explorar as potencialidades da fusão entre a música e a declamação de poesia e trechos da lírica portuguesa. Por vezes com diferentes aceitações por parte do público, sempre foi fiel à sua irreverência, procurando "incutir" uma espécie de desconforto e provocação na audiência, sendo que o reflexo desta incute de igual forma essas sensações no Grupo. 

Dos membros fundadores, ainda há algum, ou alguns, que estejam no ativo?

A passagem pelo Grupo de Poesia leva a que, quem por cá passa, jamais deixe de estar activo no Grupo. Decerto não comparece a todas as actividades, no entanto tem sempre voz activa quer no reportório quer na crítica à performance do Grupo, marcando desta forma presença. 

Vocês têm alguma preferência especial por um determinado poeta?

Uma das políticas do Grupo é não dar preferências especiais. Claro está que o declamador tem de sentir-se confortável com o poeta e "consciente" dos poemas que declama. Porém, surgem sempre desafios mesmo a este nível, os membros que declamam sujeitam-se a desconfortos proporcionados pelos membros do grupos aquando de sugestões de poemas, sugestões estas que depois têm resultados muito interessantes.

Vocês declamam poemas da vossa autoria?

Já aconteceu, de facto. Não temos por norma fazê-lo, apesar de surgirem por vezes poemas escritos quer pelos membros do Grupo quer por pessoas que têm apreço pelo mesmo e gostariam de ver os seus poemas recitados. No entanto, na maioria, declamamos poetas e poemas mais conhecidos, precisamente para criar o tal desconforto no conforto do domínio público.

A música dá mais força à poesia?

Bem, dizer que a música dá mais força à poesia seria, de certo modo, balancear ambas com pesos diferentes. Não olhamos para elas dessa forma. Olhando para nós, membros do Grupo, todos podemos ser vistos como músicos e/ou poetas. Ambas as artes estão tão intimamente ligadas que parecem complementar-se, não num sentido de "dar força à outra", mais no de partilha de dimensões. Portanto, a força neste caso está na resultante da junção da música e da poesia.

O vosso percurso teve altos e baixos. Como tem sido esse trajeto ao longo destes últimos 21 anos?

O nosso percurso ter altos e baixos, pode dizer-se que é relativo. Sempre aconteceu sermos convidados com frequência e actuarmos em eventos de foro privado (os quais não fazemos divulgação), dando assim a noção de, na esfera mediática, parecer que estamos inactivos. Claro, houve anos com mais e outros com menos actividades, mas o Grupo também procurou não sofrer com essas oscilações, consoante as actividades apareciam os membros juntavam-se e preparavam a actuação.

Para além do 1º de Dezembro, quais são os outros momentos/récitas/festivais onde vocês costumam atuar?

Além da mencionada, actuamos também em feiras do livro, exposições de pintura e outras, inaugurações, tomadas de posse, entre outras. O Grupo tem de facto um largo espectro de acção.

Como é que vocês vêem o panorama atual da poesia nacional? Há novos talentos a despontar?

Os poetas estão sempre a nascer e a renascer, mas nunca morrem. Na segunda metade do séc. XX manifestaram-se em Portugal poetas como Herberto Hélder, Natália Correia, Al Berto, Manuel António Pina, entre muitos outros. Normalmente, os novos talentos vão surgindo, começam desconhecidos e vão-se dando a conhecer com o passar dos anos.

Se um aluno quiser entrar para o Grupo o que é que tem de fazer? Onde e quando são os ensaios?

Se um aluno quiser entrar para o Grupo de Poesia pode contactar-nos pelo facebook.com/grupodepoesiadominho ou pelo emailgpum@arcum.pt , e assim obter mais informações sobre o grupo, ensaios, etc.

Como prevêem o futuro do grupo?

Tal como qualquer poeta, o Grupo de Poesia nasceu, vai renascendo, mas nunca morrerá.

Texto: Nuno Gonçalves / Fábio Ramalho

(Pub. Jan/2016)

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