lcs2014--32-
Cultura, 02.12.2014
Primeiro centenário do seu nascimento recordou uma figura ímpar da Universidade e da cultura portuguesas
UMinho
Professor, sacerdote, pensador, homem da ciência e da cultura, homem de causas e construtor de pontes, foram estas algumas das particularidades atribuídas a Lúcio Craveiro da Silva, uma das personalidades fundadoras da Universidade do Minho, antigo reitor, figura ímpar da história da Universidade e da cultura portuguesas que no passado dia 27 de novembro foi homenageado na UMinho no centenário do seu nascimento.


Professor da UMinho desde a sua criação em 1974, a sua vida ficou marcada pela ligação sempre estreita com esta Universidade que dirigiu como reitor (foi o primeiro reitor eleito da UMinho)entre 82 e 84. Morreu em 2007 com 93 anos, sendo lembrado por diversas personalidades do panorama político, cultural e académico como um homem que pautou a sua vida sempre ao serviço da ?humanidade? e da ?justeza?.

No colóquio realizado em sua homenagem, no salão nobre da Reitoria foram muitas as figuras presentes, entre elas, o Reitor António Cunha, a presidente e o vice-presidente do Conselho Cultural, o padre?Manuel Morujão, o vereador da câmara de Braga, Miguel Bandeira, Adriano Moreira, Carvalho Guerra, Santos Silva e Fátima Ferreira, entre outros.

Lembrado como "Homem de Cultura muito à frente do seu tempo", Lúcio Craveiro da Silva foi académico e padre jesuíta destacando-se pelo seu espírito tolerante e capacidade em criar consensos. Foi um "criador de pontes", um ?terapeuta das relações humanas" e "arquiteto de consensos", referiu o padre?Manuel Morujão, sublinhando que não fazia "exceção de pessoas", fazendo "sentar à mesa da cordialidade crentes ou ateus, de direita ou de esquerda, católicos ou laicistas, incultos ou intelectuais", acrescentando ainda que o homenageado "provou que Fé e Ciência podem ter uma relação de perfeito entendimento".

Já, o vice-presidente do Conselho Cultural da UMinho, Henrique Barreto Nunes recordou o antigo reitor da UMinho pelo papel que desempenhou na dinamização do Conselho Cultural da UMinho, falando sobretudo do privilégio que foi conviver ele.


Antonio Cunha afirmou o "devido e oportuno" reconhecimento a Lúcio Craveiro da Silva, felicitando os organizadores da homenagem. O Reitor lembrou o "legado de pensador, o legado de homem de ciência e cultura, o legado de académico" de Craveiro da Silva, destacando as "ricas e multifacetadas dimensões da sua personalidade e da sua intelectualidade". O responsável da Academia acrescentou ainda que, a ocasião de celebração do centésimo aniversário do seu nascimento é um excelente motivo para homenagear "um homem de referência nos modos de pensar, de estar, de partilhar, espelhados na obra que nos deixou", assinalando que deve ser também um momento de aprofundamento da análise de todo esse património imaterial.

Antonio Cunha lembrou também a dimensão menos conhecida de Lúcio Craveiro da Silva que foi a sua atividade enquanto gestor responsável universitário, afirmando o seu cunho de "exigência e abertura a novas abordagens", capacidades que permitiram "construir pontes permitindo a transição segura" disse.

Já na opinião da presidente do Conselho Cultural da UMinho, Eduarda Keating, a simplicidade, cultura e pensamento do antigo presidente do Conselho Cultural eram apanágio dos "homens superiores". Ideia reiterada por Miguel Bandeira que o descreveu como um homem "de alma grande" que muito trouxe a Braga e à sua riqueza cultural.

Também Adriano Moreira, Fátima Ferreira, Santos Silva e Carvalho Guerra prestaram o seu testemunho à pessoa de Lúcio Craveiro da Silva, intervenções focadas principalmente no seu contributo ao ensino superior em Portugal.


Texto: Ana Marques

Fotografia: Nuno Gonçalves

(Pub. Dez/2014)

Arquivo de 2014