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Cultura, 04.12.2012
1º de Dezembro: o renascer de Portugal… e da Ordem Profética!
Theatro Circo
No dia 1 de dezembro de 1640 Portugal libertou-se do jugo dos Filipes. Com o fim da tirania espanhola, Portugal voltou a ter um rei seu, e em Braga. Foram os estudantes do Colégio de S. Paulo os primeiros a dar as boas vindas a D. João IV. Passados 372 anos, os estudantes, agora da UMinho, celebram o renascimento de um país através da música, da poesia dos seus grupos culturais... e da irreverência da Ordem Profética!

Após 40 anos de opressão e de domínio por parte de uma família que era do outro lado da fronteira, os portugueses gritaram basta e deram "asas" inclusive ao então Secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos e Brito. Este momento, o de defenestrar o Secretário, ficou como um dos mais simbólicos atos de libertação da era Filipina.

Na récita do 1º de dezembro - organizada pela AAUMinho - quem mandou tudo pela janela fora e fez uma apresentação a rouçar o épico foi a Opum Dei... mas vamos por partes.

Quem teve a honra de dar os primeiros acordes no magnífico palco do Theatro Circo foi a Afonsina, que apesar de desfalcada devido aos efeitos das celebrações do Pinheiro, soube fazer jus aos seus pergaminhos.

A estes, seguiu-se uma portentosa performance do TUM - Teatro Universitário do Minho, fruto de dois grandes textos. O Coro Académico e os Bomboémia foram os senhores que se seguiram, tendo inclusive chegado a interpretar em conjunto um tema da cantora britânica Adele. Antes do intervalo houve ainda tempo para a atuação dos vermelhinhos, a Tuna Universitário do Minho.

No regresso, fez-se silêncio, cantou-se o Fado e ouviu-se Poesia.

Já com a Gatuna em palco, a alegria encheu os rostos das "miúdas de verde" e a audiência foi brindada com alguns dos grandes êxitos desta tuna. Mas a noite era também de aniversário e os Jograis celebraram mais um ano de vida com os seus textos de crítica social e politica.

 E eis que surge o grande momento da noite: a atuação da Ordem Profética! Com uns "preliminares" de entrada em palco algo hollywoodescos, os homens de roxo, meios vestidos, meios despidos, deram início à sua quase épica performance.

Com piano, bateria, baixo e mais alguns instrumentos e adereços muitos peculiares, os membros da Ordem arrancam, música após música, muitos risos e grandes ovações por parte do público que encheu o Theatro.

A sua atuação, como seria de esperar, terminou com o mega-hit "Trator Amarelo". Este 1º de D ezembro marca indubitavelmente o renascer da Ordem na sua plenitude, com a força dos instrumentos elétricos, a irreverência característica da juventude e a "tradição" de mostrar que a tradição já não é o que era!

O amarelo pode ter sido a cor que predominou durante os últimos acordes da Opum Dei, mas não foi a cor com que se encerrou mais uma grandiosa noite de cultura minhota. Coube aos azuis da iPUM e da Azeituna essa honra. Enquanto os primeiros mostraram a sua mestria de ritmo combinada com a particular sonoridade das gaitas de foles, os segundos (a Azeituna) tocaram alguns dos seus clássicos e aproveitaram para fazer a divulgação do CELTA, o festival de tunas que organizam em dezembro.

Numa altura em que só se fala de crise, troikas e afins, os grupos culturais da UMinho relembraram-nos que há quase 400 anos atrás estávamos bem piores e que no entanto unimo-nos enquanto povo e mais uma vez superámos a adversidade. A cultura é também isto.

Texto e Fotografia: Nuno Gonçalves

(Pub. Dez/2012)

Arquivo de 2012