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Cultura, 08.11.2008
Requiem de Fauré na Igreja do Mosteiro de Tibães
Igreja do Mosteiro de Tibães - Braga
Orquestra da UM e Coro de Viana interpretam "canção de embalar da morte".
A Orquestra da Universidade do Minho e o Coro da Academia de Música de Viana do Castelo, dirigidos pelo maestro norte-americano Toby Hoffman, interpretam o "Requiem, em Ré menor, opus 48" do compositor francês Gabriel Urbain Fauré no concerto que decorre no próximo sábado (8 de Novembro), às 18h00, na Igreja do Mosteiro de S. Martinho de Tibães.
O concerto de entrada livre dirigido por este maestro de reputação internacional, contará com a participação da soprano Maria João Matos e do barítono João Merino. No transepto da Igreja de Tibães estarão cerca de uma centena de intérpretes, entre músicos da orquestra e elementos do coro.
Este Concerto organizado pelo Mosteiro de S. Martinho de Tibães, Ministério da Cultura ? Delegação Regional da Cultura do Norte e pela Universidade do Minho ? Licenciatura em Música, conta com o apoio da Junta de Freguesia e Paróquia de Mire de Tibães e o mecenato das empresas Auto Sueco Minho, Francisco Martins & Filhos, Lda, Grupo Casais, S.A., Mármores de Tibães e Posterede ? Postes Eléctrico, Lda.
Estreada em 1887, a obra de Fauré inscreve-se na tradição das grandes obras da música sacra dedicadas aos mortos, as missas de requiem. No entanto, o seu Requiem tem um carácter calmo e consolador, e não é trágico ou doloroso como as obras do género assinadas por Mozart, Verdi e outros compositores.
É o próprio Gabriel Fauré (1845- 1924) a dizer sobre a sua obra: "O meu Requiem. Disse-se que não exprimia o temor da morte. Alguém o chamou de canção de embalar da morte. Mas é assim que sinto a morte: como uma libertação feliz, uma aspiração à felicidade no além, mais do que uma transição dolorosa?".
Poucos compositores terão uma individualidade tão marcada quanto Fauré. Esta individualidade aparece cimentada em três características: a fluidez da sua escrita; a concepção pessoal da harmonia, que, baseada em grande parte nos estilos gregorianos, apresenta uma mobilidade surpreendente; e a forma especial da melodia, que, embora subordinada ao movimento harmónico, é de uma amplitude e requinte inconfundíveis.
PROGRAMA
Gabriel FAURÉ [1845-1924]                                              
Requiem, Ré menor, opus 48
Introit ? Kyrie
Offertoire
Sanctus
Pie Jesu
Agnus Dei
Libera me
In paradisum
Introit ? Kyrie
Requiem aeternam dona eis, Domine,
et lux perpetua luceat eis.
Te decet hymnus, Deus, in Sion,
et tibi redetur votum in Jerusalém.
Exaudi orationem meam;
ad te omnis caro veniet.
Kyrie eleison, Christe eleison.
Offertoire
O Domine Jesu Christe, Rex gloriae,
libera animas defunctorum
de poenis inferni
et de profundo lacu, de ore leonis;
ne absorbeat Tartarus,
ne cadant in obscurum.
Hostias et preces tibi, Domine,
laudis offerimus;
tu suscipe pro animabus illis
quarum hodie memoriam facimus;
face as, domine, de morte
transpire ad vitam, quam olim
Abrahae promisisti et semini ejus.
Amen.
Sanctus
Sanctus Dominus Deus Sabaoth!
Pleni sunt coeli et terra gloria tua.
Hosanna in excelsis!
Pie Jesu
Pie Jesu, Domine, dona eis requiem;
dona eis sempiternam requiem.
Agnus Dei
Agnus Dei, qui tollis peccata mundi,
dona eis requiem.
Lux aeterna luceat eis, Domine,
cum sanctis tuis in aeternum,
quia pius es.
Requiem aeternam dona eis, Domine,
et lux perpetua luceat eis.
Libera me
Libera me, Domine, de morte aeterna
in die illa tremenda
quando coeli movendi sunt et terra,
cum veneris judicare
saeculum per ignem.
Tremens factus sum ego,
et timeo dum discussio venerit
atque ventura ira.
Dies illa, dies irae
calamitatis et miseriae;
dies illa, dies magna
et amara valde.
Requiem aeternam dona eis, Domine,
et lux perpetua luceat eis
Libera me, Domine, libera.
In paradisum
In paradisum deducant angeli;
In tuo adventu sucipiant te
martyres, et perducant te
in civitatem sanctam Jerusalem.
Chorus angelorum te suscipiat,
et cum Lazaro quondam paupere
aeternam habeas requiem.
Toby Hoffman, maestro
Toby Hoffman é maestro, violetista e também músico de câmara com reputação internacional. Radicado actualmente na Finlândia trabalha regularmente com a Orquestra da Universidade do Minho e agora com a Licenciatura em Música da mesma instituição. Toby Hoffman é originário de uma família distinta de músicos onde se inclui a sua mãe, Esther Gazer, com quem estudou violino e viola, o seu pai, Irwin Hoffman, um maestro que dirigiu a Vancouver Symphony, a Florida Orchestra e a Chicago Symphony, e o seu irmão, o violoncelista Gary Hoffman. Possui o Curso Superior e Mestrado em Música na Juilliard School, onde estudou viola com Paul Doktor. Actualmente, toca numa viola datada de 1628 fabricada em Cremona, Itália, que pertenceu à rainha Victória de Inglaterra.
Nos Estados Unidos dirigiu vários e prestigiados eventos musicais, nomeadamente em Aspen, Ravinia, Saratoga, Chamber Music Northwest, Marlboro e La Jolla and Seattle. A nível internacional, marcou presença em diversos concertos em Salzburgo (Áustria), Taipei (China), Consonances (França), Nápoles, Cremona e Milão (Itália) e Wigmore Hall (Londres), entre outros locais.
Tendo dirigido as orquestras de Philadelphia, Buffalo Philharmonic, Florida Orchestra e Orquestra de Câmara de Praga, Toby Hoffman participou com a Sociedade de Música de Câmara do Lincoln Center, a solo ou acompanhado com Alice Tully Hall.
Recentemente, dirigiu no Festival de Salzburgo a Orquestra de Filadélfia e Charles Dutoit e no La Scala de Nova Iorque tocou música de Câmara com o pianista Maurizio Pollini.
Toby Hoffman é membro do Comité Artístico de Bargemusic em Nova Iorque. Anualmente, é responsável pela programação de cerca de 30 concertos de música de câmara.
Desde há dois anos, é artista residente na Universidade de Harvard e membro das Faculdades de Carnegie-Mellon University e da Steans Institute at the Ravinia Festival. Paralelamente, orienta numerosas master-classes em prestigiados conservatórios de todo o mundo, tal como na Manhattan School of Music em Nova Iorque e no Conservatório Sweelinck de Amsterdão (Holanda).
A sua discografia inclui uma recente gravação em música de câmara francesa com Andre Previn, na BMG, e vários trabalhos de música de câmara de Mozart com o violinista Salvatore Accardo, incluindo seis quintetos para duas violas, e também duos de violino e viola, a Sinfonia Concertante para Violino, Viola e Orquestra. As suas gravações podem ser encontradas em diferentes editoras discográficas, como a CRT, Phillips, Sony, Nuova Era, Dynamic, Arabesque e Teldec.
Toby Hoffman trabalhou com o maestro Jorma Panula, que foi professor da maioria dos jovens maestros como Esa-Pekka Salonen e Jukka-Pekka Saraste. Dirigiu Orquestras como Moscow Symphony Orchestra, Plzen Radio Symphony, Vaasa City Symphony, Kuopio City Orchestra, The Verona Sinfonietta, the Chamber Orchestra of Crevillente (Espanha) e Amsterdam Chamber Orchestra.
Maria João Matos, soprano



Natural de Braga, é licenciada em canto, com a máxima classificação, na classe do professor José Oliveira Lopes na ESMAE (Escola Superior de Música Artes do Espectáculo), tendo-lhe sido atribuído o premio Eng. António de Almeida por ter concluído a licenciatura com a classificação mais elevada.
Trabalhou em master-classes com: José Oliveira Lopes, Claire Evangelist, João Lourenço, Galina Pisarenko, Mara Zampieri, Enza Ferrari entre outros.
Em 2003 obteve o 2º Prémio no Concurso Nacional Luísa Todi.
Integrou o coro de câmara "Portogalante Ensemble", dirigido pelo Maestro Filipe Veríssimo, com o qual se apresentou como solista no Festival Internacional de Música da Póvoa do Varzim e no Festival de Órgão do Palácio Nacional em Mafra.
Apresentou-se em Portugal, Espanha e Itália, sob a direcção dos maestros, Cónego Ferreira dos Santos, Filipe Veríssimo, J. Ferreira Lobo, R. Taccuchian, Miguel del Castillo, Juliàn Lombana e Johannes Skudlik interpretando as partes solistas de soprano em: "Missa da Coroação", "Requiem" e "Missa brevis em Si b Maior" de W. A. Mozart, "Jephte" de Carissimi, "Cantata de Natal" de R. Taccuchian, "Requiem" e "Messe Basse" de Faure, "Magnificat" e "Oratória de Natal" de J. S. Bach, "Messias" de Haendel, "Missa Solene em Ré Maior" de Otto Nicolai, "Missa em Ré Maior de Dvorák", "Missa em Sol M" de Carlos Seixas, "Cantata O Mártir S. Sebastião"e "Oratória de Natal" de Cónego Ferreira dos Santos.
Em 2006 estreou-se na ópera como Condessa das "Bodas de Fígaro" de Mozart. Neste mesmo ano foi premiada com o "Prémio Helena Sá e Costa".
Em 2007 foi premiada com o "Prémio Lied" no "I Concurso Internacional Ciudad de Zamora" em Espanha.
Foi bolseira da "Yamaha Music Foundation of Europe".
Canta regularmente com os pianistas Angel Gonzalez e João Lima, com o guitarrista Ricardo Cerqueira e com o organista Filipe Veríssimo.
Trabalha repertório com o maestro Marc Tardue.
Na Primavera de 2008 apresentou-se com a companhia de ópera Concerlirica no papel Mimi da ópera La Bohème de Puccini, em Espanha, estando agendado mais recitas para Julho e Agosto deste ano.
Em 2008 obteve o "Premio Lied" no "II Concurso Internacional de Canto "Ciudad de Zamora" em Espanha.
Hoje tem como seu mentor o tenor espanhol Francisco Lazaro.
João Merino, barítono


Natural de Penafiel, João Merino é finalista do Curso de Canto na ESMAE (Escola Superior de Música Artes do Espectáculo) na classe de José Oliveira Lopes na ESMAE. Participou em inúmeras master classes, tendo vindo a realizar trabalho intensivo de técnica vocal e repertório de ópera com Francisco Lázaro em Barcelona. Apresentou-se publicamente como solista nas seguintes óperas: Bodas de Fígaro de Mozart (Fígaro),  Barbeiro de Sevilha de Rossini (Fiorello); Lucrezia Borgia de Donizetti (Petrurci); Cármen de Bizet (Morales); La Traviata de Verdi (Grenvil e Douphol); Tosca de Puccini (Sacrestano); Hansel und Gretel de Humperdinck (Peter); Le Rousignol de Stravinsky (Imperador); "Le Pauvre Matelot" de Milhaud (Le Ami) e mais recentemente os papéis masculinos da Operita Tango de Buenos Aires de Astor Piazolla no Teatro Carlos Alberto no Porto. Ao nível do concerto já se apresntou com: "Stabat Mater" de Rodrigues Esteves, "Gloria" de Vivaldi, Missa em Sol e Missa em Dó maior de Tellemann, Messias de Haendel, Magnificat e Missa em Sol m de Bach, Criação de Haydn, Requiem de Mozart, 9.ª Sinfonia de Beethoven, Requiem de Fauré, entre outros. Como solista foi dirigido pelos maestros António Saiote, Filipe Veríssimo, Florian Totam, Gunther Argelhebe, Howard Dyck, Ivo Cruz, Jean-Marc Burfin, João Paulo Santos, Ferreira Lobo, Borges Coelho, Miguel Ortega, Roberto Perez, Rui Massena, Omri Hadari e Walter Hidalgo. Em cena teve como directores Carlos Avilez, Emílio Saggi, João Henriques, João Paes, Jorge Rodrigues, Norma Graça-Silvestre, Nuno M. Cardoso, Paulo Matos, Tim Coleman. Tem participado em inúmeros concertos do Grupo Música Nova.
Orquestra de Câmara do Minho
A Orquestra de Câmara do Minho é formada por jovens músicos, intérpretes do novo panorama musical português, todos com formação de nível superior em prestigiadas escolas portuguesas e estrangeiras.
Fundada em 2006 por iniciativa da Prof.ª Doutora Elisa Lessa (Universidade do Minho), sua Directora Artística, a Orquestra de Câmara do Minho tem o apoio da Reitoria da Universidade do Minho e do seu Conselho Cultural. Pretendendo constituir-se como estrutura permanente da Universidade do Minho, a orquestra tem sido dirigida por Vitor Matos, Pedro Carneiro, Luís Machado e pelo Maestro de nacionalidade americana Toby Hofmann, apresentando-se com prestigiados solistas, como Ilya Grubert (violino), Luís Pipa (piano) e Sara Braga Simões (canto).
Coro da Academia de Música de Viana do Castelo
Com uma actividade regular desde 1997, o Coro da Academia de Música de Viana do Castelo conta presentemente com cerca de 70 cantores, alunos e ex-alunos da Academia de Música de Viana do Castelo, actuando em formação sinfónica ou como grupo a cappella e interpretando, essencialmente, obras corais sinfónicas do reportório clássico e romântico. Das suas apresentções destacam-se a Missa nº 6 em Sol Maior (Missa das Catedrais) de C. Gounod, Gloria em Ré Maior de A. Vivaldi, Oratória O Messias de G. F. Händel (excertos), Fantasia Coral, op. 80 de L. v. Beethoven, Missa, St. Crucis, op. 151 de J. G. Rheinberger, Missa de Requiem, em Ré menor, Op.48 de G. Fauré, Missa de Requiem, KV 626 de W. A. Mozart , 1ª Cantata do Natal sobre Cantos Tradicionais de Natividade de F. Lopes Graça e Stabat Mater de G. Rossini.
Para além da sua actividade regular académica, o Coro AMVC tem colaborado em projectos nacionais e internacionais de reconhecido interesse, actuando não só em Portugal, como em Espanha e Itália.Destacam-se as apresentações no "XI Ciclo Ibérico de Música Sacra", na Catedral de Tuy (Espanha), em Abril de 2003, na "Conferência Anual ETEN (European Teacher Education Network", no Teatro Municipal Sá de Miranda, em Fevereiro de 2004 e no "Ciclo de Música Sacra Viana 2004", na Sé Catedral de Viana do Castelo, em Dezembro desse mesmo ano. Em Outubro de 2006, a convite do Município da cidade de Verona, participou no Festival Giovanili di Musica Sacra "Note di Spiritualità", com a apresentação da Missa de Requiem de W. A Mozart, sob a direcção do maestro Julián Lombana.
Tem sido convidado a colaborar com as seguintes orquestras: Orquestra Nacional do Porto, Orquestra de Música Antiga da ESMAE, Orquestra de Câmara do Minho, Orquestra de Vila da Feira e Orquestra do Algarve. Já se apresentaram com o Coro da AMVC solistas de renome nacional e internacional, como: Maria Ogueta, Ana Maria Pinto, Ângela Alves, Magna Ferreira e Maria João Matos (sopranos), Deolinda Resende (mezzo-soprano), Margarida Reis e Francesca Martinelli (contraltos), Vitor Lima (contratenor), Rui Taveira, João Martins, Fernando Guimarães e José Lourenço (tenores), Luís Filipe Marques, João Merino, (barítonos), Nuno Dias (baixo), entre outros.
Desde 2001, Vítor Lima é maestro titular do Coro.
Arquivo de 2008