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Academia, 08.03.2016
Oferta de bolsas visa motivar para a engenharia civil
UMinho
Sete empresas ligadas à engenharia, construção civil e obras públicas ofereceram 15 Bolsas de Estudo e Mérito a alunos do curso de Engenharia Civil da Universidade do Minho, uma parceria que visa atrair e apoiar novos talentos para a Engenharia Civil.


A cerimónia de entrega decorreu no passado dia 7 de março, pelas 11h00, no salão nobre da Reitoria, em Braga, a qual contou com a presença dos premiados, dos representantes das empresas beneméritas, bem como, com as intervenções do reitor António Cunha e do diretor do Departamento de Engenharia Civil da UMinho, Jorge Pais.

O programa iniciado há um ano e meio viu serem entregues as primeiras 15 bolsas no ano deletivo de 2014/15, desta vez foram mais 15 bolsas, que têm o valorequivalente ao pagamento integral da propina, para os melhores alunos que entraram este ano no curso. Ao longo de três anos serão 45 os alunos do mestrado integrado em Engenharia Civil que vão receber a bolsa, um pacote que ronda os 250 mil euros, sendo que no final do curso os alunos têm acesso à oferta de estágios.

Esta cooperação entre a UMinho e as empresas, Mota-Engil, DST, ABB, Ascendi, Casais, CJR e Cype tem como intuito tentar inverter a acentuada redução das vocações para a formação em Engenharia Civil proveniente da crise que o setor atravessa, a qual tem feito com que o número de candidatos ao curso seja cada vez mais escasso.

Como referiu o diretor do Departamento de Engenharia Civil da UMinho, "Em 5 ou 6 anos a formação em Eng. Civil viu atingir números dramáticos", a qual passou de 1500 alunos em 2008 para 13/14 alunos em 2015, uma situação difícil, que segundo este teve de ser enfrentada pelas universidades, sendo este processo de atribuição de bolsas, uma das forma que o Departamento de Eng, Civil encontrou para promover o curso e motivar os alunos a concorrer ao mesmo.

Se a situação é grave na UMinho, esta é ainda mais séria a nível nacional, em que a redução é ainda maior "passamos de 14000 mil alunos em 2008 para cerca de 8000 em 2015" disse o diretor.

A conjuntura coloca sérios desafios não só à UMinho, como a nível nacional, sendo que o número de graduados reduziu, segundo Jorge Pais nos últimos seis anos "para quase 1/3".

O responsável alerta sobre a importância destes programas para a área da Eng. Civil, afirmando que atualmente muitos dos alunos que entram no curso "têm como motivação estas bolsas" e mais ainda quando a Universidade se situa numa região desfavorecida como é o norte de Portugal.

Já o Reitor destacou o facto da cerimónia servir para "Premiar o mérito" algo que disse ser intrínseco à Universidade e que deve estar sempre presente na vida académica, bem como "assinalar um processo de articulação entre a Universidade e as empresas, de forma a dar resposta a um problema despontado pela conjuntura". Continuando, refere que "hoje vivemos momentos diferentes e mais exigente no setor" e por isso tem "o setor tem de fazer um grande reajustamento".

Esta situação teve implicações negativas na procura dos cursos de engenharia civil, as quais refere o Reitor "têm sido quase dramáticas". Assim, e segundo este, as estratégias devem passar por "estratégias diferenciadas" poderão passar por outros mercados, por outros tipos de negócio "mas passam obrigatoriamente por recursos humanos qualificados, sem os quais este setor não poderá garantir o seu futuro" disse.

Para António Cunha "estamos a conseguir inverter o caminho", para isso é preciso que a UMinho, juntamente com as empresas do setor sejam capazes de fazer parcerias e criar compromissos, revelando que tal como esta colaboração na atribuição das bolsas de estudo "existem outros projetos neste domínio", tal como o caso do Instituto deBio-sustentabilidade(IB-S) "mas outras coisas haverá a fazer"afirmou.

O Reitor agradeceu ainda às empresas, garantindo que "podemos construir um futuro juntos".

Texto: Ana Marques

Fotografia: Nuno Gonçalves

(Pub. Mar/20116)

Arquivo de 2016