A Universidade do Minho comemorou no passado dia 17 de Fevereiro, 36 anos de existência. A Sessão Solene Comemorativa, decorrida no Salão Medieval no Largo do Paço contou com a presença do Reitor da UMinho, do Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, e do Presidente da Associação Académica da Universidade do Minho entre outras figuras de relevo da Academia, do panorama político regional e nacional, Autoridades Académicas, Civis e Militares.
Com as suas raízes em 1974, a UMinho é uma "jovem" com um
trajecto longo. Com muitas conquistas e muitas dificuldades
ultrapassadas, com um passado rico de construção de conhecimento,
de inovação e capacidade de desenvolvimento, a UMinho vive um
presente de mudança e ambiciona um futuro de sucesso.
Este aniversário ficou marcado pela "reconciliação" entre a
UMinho e a tutela. Desde 2006 que o Ministro da Ciência,
Tecnologia e Ensino Superior não marcava presença na cerimónia
comemorativa do aniversário, o que se alterou neste ano de 2010,
em que o ministro Mariano Gago foi uma das figuras ilustres desta
solenidade.
As celebrações iniciaram pelas 10h30, com a recepção de
Convidados que, pelas 11h00 seguiram em Cortejo Académico para o
Salão Medieval onde decorreu a Sessão Solene Comemorativa do
XXXVI Aniversário da Universidade.
Reitor da UMinho faz balanço de 2009 e antecipa
2010
A primeira intervenção coube ao Reitor da UMinho, António M.
Cunha. O Reitor começou por relembrar a importância deste dia,
evocando o passado e todos aqueles que ajudaram a construir o que
é hoje a UMinho, referindo que este é também um dia de "reflexão
e prestação de contas", aproveitando para fazer um balanço do ano
de 2009 e antecipando o que será 2010.
Sobre o ano de 2009, o Reitor refere que "muita coisa mudou",
entre elas, o ano ficou marcado pela entrada em funções do
Conselho Geral, pelo novo modelo de governo da Universidade, por
uma nova liderança e, um novo programa de acção para o Quadriénio
2009-2013. Também 2009 ficou marcado pela mudança de governo (a
qual não implicou mudança na liderança do MCTES), o qual propôs
às Universidades o "Contrato de Confiança", um programa no qual
António M. Cunha põe "grande expectativa". Para o Reitor este
programa marcará uma mudança na "UMinho e no Ensino Superior em
Portugal".

Para o Reitor a Universidade tem conseguido cumprir a sua missão.
Com uma investigação que é reconhecida a nível nacional e
internacional. Uma oferta educativa vasta que tem lideranças
nacionais em diversos projectos de ensino, com áreas de formação
inovadoras e projectos de ensino, em cooperação com outras
instituições de ensino superior nacionais e estrangeiras. Segundo
o Reitor, "A Universidade aproveitará esta ocasião para
introduzir elementos de racionalidade na sua oferta, reduzindo o
número de unidades curriculares e de cursos de pós-graduação".
Também a nível da interacção com a sociedade, a UMinho tem sabido
posicionar-se nas várias áreas (económico, social e cultural)
sendo hoje "uma imagem de marca de que a Instituição se orgulha".
2009 ficou ainda marcado por uma reforma da área administrativa,
da qual sobressai a nomeação do Administrador da Universidade,
Prof. Pedro Camões. Também ainda no ano transacto, a Escola de
Direito foi acolhida em novas instalações, e os Serviços de Acção
Social foram reconhecidos pela APCER com as certificações ISO
22000 relativamente ao seu Sistema de Segurança Alimentar e ISO
9001 relativamente aos serviços de atribuição de bolsas de
estudos, alojamento, saúde e actividades desportivas e culturais.
Foram igualmente certificados pela norma ISO 9001, os Serviços de
Documentação e o SAPIA.

Para 2010, uma das novidades será o arranque de cursos em horário
pós-laboral. Esta actividade abrirá a Universidade a novos
públicos e, segundo António M. Cunha "já estava prevista no
Programa de Acção da Universidade", ganhando ainda mais força com
a implementação do Programa Específico de Desenvolvimento
(acordado entre o Governo e as Universidades Públicas no passado
dia 12 de Janeiro através do Contrato de Confiança), o qual foi
formalizado ontem entre a UMinho e o Ministro Mariano Gago (este
contrato estabelece as bases para um reforço do financiamento da
Universidade por parte do Governo.
No caso da UMinho, a concretização do Contrato de Confiança
significa um aumento das transferências do Orçamento de Estado na
ordem dos 100 milhões de euros). A UMinho foi a primeira
Universidade a fazê-lo, comprometendo-se para além do alargamento
da sua oferta educativa ao nível das pós-graduações e de
licenciaturas que funcionarão em regime pós-laboral; uma aposta
em formações a distância e a qualificação de mais de 6000
activos. Para além disso este Programa permitirá a concretização
de um conjunto de infra-estruturas académicas, nas quais "a
Universidade se encontra fortemente empenhada", como serão os
casos do Centro Multidisciplinar para a Biossustentabilidade e
Qualidade da Construção, em Gualtar e Azurém; a Escola de
Enfermagem / Centro de Formação em Tecnologias para a Saúde, em
Gualtar; e o Espaço Biblioteca - Centro de Informação /
Documentação, em Azurém, para além doutros.

Este Programa será complementado com um contrato programa
específico para a área das ciências da saúde, em fase discussão
com MCTES.
Para António M. Cunha "os tempos que vivemos são difíceis". O
Reitor lançou o repto a docentes e investigadores, trabalhadores
não docentes, estudantes, às outras universidades, aos poderes
políticos e poderes regionais, referindo que "é pelo conhecimento
e pela educação que Portugal e a Europa poderão enfrentar os
desafios e as oportunidades dos tempos actuais e futuros",
contando para isso com mobilização de todos.
AAUM satisfeita assegura vigilância
Luís Rodrigues fez a sua primeira intervenção no dia da
Universidade, enquanto presidente da Associação Académica da
Universidade do Minho (AAUM). Um discurso marcado pela satisfação
sobre as mudanças ocorridas no ano transacto "o 36º aniversário
da Universidade do Minho ficará marcado por um forte elemento de
mudança".
Luís Rodrigues aproveitou o momento para "aplaudir" o Contrato de
Confiança, relembrando que !o Ensino Superior há muito que está
sub financiado" assim os montantes envolvidos "apenas colocarão o
financiamento do ensino superior, em termos nominais, equivalente
ao ano de 2005". O Contrato de Confiança assinado envolve 100
milhões de euros, sendo que serão disponibilizados mais 16
milhões para bolsas de acção social escolar no ensino superior.
Mas apesar de satisfeito com estas medidas, refere que "serão
medidas apresentadas tardiamente e de efeitos restritivos".Para o
presidente da AAUM é "preocupante" que em Portugal ainda haja
desigualdade no acesso ao ensino superior.
Saudando esta nova fase, o dirigente estudantil lembrou que "os
estudantes manter-se-ão diligentes no que à manutenção dos
actuais padrões de qualidade dos ciclos de estudo diz respeito",
e preparando o futuro serão "intransigentes na execução dos
princípios em que acreditamos no presente".
Concluindo o seu discurso, Luís Rodrigues reafirmou a sua
confiança na UMinho, nos seus dirigentes e em todos os que a ela
pertencem, destacando a acção dos estudantes em duas iniciativas
no ano transacto: na organização de debates, workshops e
seminários no intuito de reforçar a intervenção dos jovens na
política e o estudo encomendado pela AAUM, que demonstrou o
impacto dos estudantes da UMinho nas economias locais,
revelando-os como "dinamizadores da actividade económica das
sociedades onde residem e estudam". O dirigente terminou dizendo
"temos orgulho de pertencer a esta Universidade".
Antes da intervenção do Ministro Mariano Gago, o qual presidiu à
cerimónia foram assinados contratos com o Laboratório de
Instrumentação e Física Experimental e de Partículas e
Laboratório Internacional de Nanotecnologia, sendo ainda
rubricados acordos com a Câmara Municipal de Braga, e a Fundação
Cidade de Guimarães que gere a programação da Capital Europeia da
Cultura 2012. Para além dos importantes protocolos de cooperação
entre a Universidade e o Ministério da Ciência, Tecnologia e
Ensino Superior (Contrato de Confiança).
Mais 100 mil diplomados em quatro anos
Na sua intervenção, o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino
Superior disse que o Contrato de Confiança assinado com as
universidades permitirá que mais 100 mil pessoas obtenham, em
quatro anos, qualificações no ensino superior. "Presumo que este
objectivo será atingido e provavelmente superado", disse o
ministro. Para Mariano Gago, este Programa Específico de
Desenvolvimento que se resume a um reforço do investimento
público no ensino superior deve-se ao facto das "necessidades de
formação da população portuguesa são cada vez mais agudas", por
isso o Governo veio dar "esta força", necessária face à situação
económica presente. Salientando que a necessidade de mais
qualificações "obrigação regresso à escola de pessoas que
prematuramente abandonaram os estudos, quer seja para fazer
formação profissional quer para frequentarem o ensino superior".
Nas palavras do Ministro, o ensino superior está agora muito
diferente do que era por exemplo quando a UMinho iniciou o seu
trajecto, "o apelo à educação é muito importante". Lembrando que
Portugal está acima da média europeia em termos de número de
investigadores por habitante, continua abaixo no número de
pessoas com diplomas do ensino superior. O governante frisou que
"é essencial que os jovens façam o ensino superior", o que nem
sempre é fácil, pois muita da nossa população jovem e não só,
vê-se obrigada a deixar os estudos para trabalhar, por isso, as
instituições de ensino superior têm obrigação de responder a esse
problema, frisando que "as universidades têm capacidades,
recursos e pessoas qualificadas para responder a uma grande
variedade de público, que vai desde os jovens que saem do ensino
secundário a pessoas que dantes nunca atravessavam as portas da
universidade". Para além da possibilidade de horários
pós-laborais, o ministro referiu que deve haver uma "revolução",
os novos cursos universitários poderão ter "uma componente de
ensino à distância e uma parte presencial". Este deve afirmar-se
como método de ensino e valer como qualquer outro, "a
universidade tem de se bater por isto", deve ser um valor para a
Universidade, tal como já o é internacionalmente. Na sua opinião
esta é "uma oportunidade das universidades fazerem uma revisão
dos seus meios, métodos e técnicas de ensino".

Mariano Gago terminou dizendo que face a toda esta nova realidade
"a UMinho tem muito trabalho pela frente e estas são as boas
notícias".
Ainda no final da cerimónia e após a Oração de Sapiência
subordinada ao tema "Preservar o passado, construir o futuro: da
teoria à prática", proferida pelo Prof. Doutor Paulo Lourenço, da
Escola de Engenharia, decorreu a entrega do Prémios de Mérito de
Investigação, entrega da Medalha da Universidade aos funcionários
mais antigos, entrega de Prémios Escolares, das Cartas Doutorais,
encerrando com o Cortejo Académico.
Prémiode Mérito de
Investigação2010 entregue a Rui Reis
Esta distinção resultou da sua liderança internacional na área da
medicina regenerativa e engenharia de tecidos humanos,
biomateriais, e células estaminais. Rui Reis é o investigador
europeu com mais publicações neste domínio (e o segundo do
mundo). Director da Unidade de Investigação 3B's e do Instituto
Europeu de Excelência em Engenharia de Tecidos e Medicina
Regenerativa, sedeado no AvePark, em Guimarães, Rui Reis foi
ainda recentemente eleito e acabou de tomar posse como Presidente
para a Europa da Sociedade Mundial de Engenharia de Tecidos e
Medicina Regenerativa, a sociedade científica mais importante e
de maior dimensão neste domínio científico que ajudou a fundar.
Rui Reis, 42 anos, colabora, também, com grandes empresas e
grupos de investigação de excelência de diversos pontos do mundo,
coordenando cinco grandes projectos de investigação da União
Europeia, incluindo a única rede europeia de excelência (NoE) em
Engenharia de tecidos, a Expertissues.

É o investigador principal de projetos cujo financiamento
totaliza 25 milhões de euros, dos quais oito milhões se destinam
às actividades do 3B´s. Foi durarnte os últimos quatro anos
presidente da sociedade portuguesa de células estaminais e
terapia celular (SPCE-TC), ocupando ainda lugares de relevo em
diversas sociedades científicas internacionais. Faz parte da
direcção mundial e é o presidente para a Europa da Tissue
Engineering and Regenerative Medicine International Society
(TERMIS). Têm sido atribuídos a Rui Reis diversos prémios
científicos internacionais, a que acrescem alguns prémios de
inovação e empreendedorismo. O investigador é autor de 390
trabalhos, dos quais mais de 300 se encontram publicados em
revistas científicas internacionais, cerca de 170 capítulos de
livros de circulação internacional e de mais de 950 comunicações
apresentadas em conferências internacionais, incluindo mais 130
palestras convidadas apresentadas em todo o mundo. É o Editor
Chefe da revista Journal of Tissue Engineering and Regenerative
Medicine, John Wiley & Sons. O prémio, que vai na segunda
edição, é a mais importante distinção científica atribuída pela
UMinho, para distinguir docentes que se tenham destacado pela sua
actividade científica.

Texto: Ana Marques
Fotografia: Nuno Gonçalves
(Pub. Fev/2010)